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Internacional

Postado em 29/07/2021 9:24

Todas as forças dos EUA, incluindo Força Aérea ‘criminosa’, devem abandonar Iraque, diz milícia

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ORIENTE MÉDIO E ÁFRICA

Sputnik – O grupo paramilitar xiita Al-Nujaba exigiu a retirada completa de todas as forças militares norte-americanas do Iraque, referindo que não tem “confiança alguma” nos EUA.

Harakat Hezbollah al-Nujaba, um grupo paramilitar xiita que faz parte das milícias das Unidades de Mobilização Popular (PMU, na sigla em inglês) do Iraque, aliadas ao governo de Bagdá, expressou insatisfação com o acordo Iraque-EUA sobre a retirada das tropas, e insistiu que todas as forças norte-americanas devem deixar o país, incluindo todos os componentes de sua Força Aérea.

“Não temos confiança alguma nos norte-americanos, e não concordamos com sua presença em nenhuma circunstância. Nós nos opomos ferozmente à presença militar norte-americana, e exigimos uma retirada completa de suas forças”, disse na segunda-feira (26) à noite Nasr al-Shammari, porta-voz da milícia, à emissora libanesa Al Mayadeen.

A retirada incluiria a Força Aérea “criminosa” dos EUA, que controla o espaço aéreo do Iraque, disse o porta-voz, culpando o poder aéreo de Washington por uma série de crimes que ele disse terem sido cometidos dentro do país.

“Os crimes dos militares dos EUA no Iraque, especialmente o assassinato do [comandante iraniano da Força Quds] Qassem Soleimani e do [vice-chefe das PMU] Abu Mahdi al-Muhandis, foram cometidos por sua Força Aérea”, lembrou o porta-voz, em referência ao assassinato dos dois oficiais militares em janeiro de 2020, que levou Teerã e Washington à beira da guerra, e fez o Parlamento iraquiano exigir a retirada imediata de todas as forças dos EUA.

Al-Shammari afirmou ainda que os EUA nada fizeram para impedir a ascensão do Daesh (organização terrorista, proibida na Rússia e em vários outros países), que o Al-Nujaba e outros membros das PMU combateram entre 2014 e 2017, e que o governo norte-americano não desempenhou um papel real na derrota dos terroristas.

Caminhão usado para lançar foguetes em direção à base militar Ain Al-Asad na província de Anbar, Al-Baghdadi, Iraque, 8 de julho de 2021
© REUTERS / SERVIÇO DE IMPRENSA DO COMANDO DE OPERAÇÕES CONJUNTAS DOS EUA
Caminhão usado para lançar foguetes em direção à base militar Ain Al-Asad na província de Anbar, Al-Baghdadi, Iraque, 8 de julho de 2021

O porta-voz se queixou também que atualmente algumas facções dentro do Iraque estão procurando usar a presença das tropas norte-americanas para se apoiarem.

“Quem pode garantir que as forças norte-americanas no Iraque não serão reforçadas sendo chamadas de ‘conselheiros’?”, perguntou ele, e advertiu que serão atacadas independentemente da designação que tiverem.

Al-Shammari sublinhou, por fim, que a maioria do Parlamento iraquiano, representando grande parte dos iraquianos, votou a favor da expulsão das forças de Washington.

Relações Iraque-EUA

Além de lutar contra o Daesh, Harakat Hezbollah al-Nujaba participou da guerra na Síria, ajudando o governo de Damasco em sua campanha contra uma ampla gama de militantes jihadistas, e sinalizou sua vontade de lutar no Iêmen luta contra a coalizão liderada pela Arábia Saudita.

O Al-Nujaba foi uma das milícias alvo nos primeiros meses da administração norte-americana de Joe Biden em seus ataques no Iraque e na Síria. O grupo acusou os EUA, no final de 2020, de usar helicópteros para transportar comandantes do Daesh desde a Síria ao Iraque.

Joe Biden e Mustafa Al-Kadhimi, primeiro-ministro do Iraque, assinaram na segunda-feira (26) um acordo que estipula o fim da missão de Washington no país do Oriente Médio, com o qual “a relação de segurança mudará completamente para um papel de treinamento, assessoria, assistência e compartilhamento de inteligência”.

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