Em março passado completaram-se três anos da Operação Lava Jato. De início há uma estranheza: um processo judicial ter nome de operação. Afinal, com o tempo foi sendo esclarecido que, efetivamente, não era um processo, no sentido jurídico. O que os brasileiros estavam assistindo constituía uma operação, com forte indício de ser instruída por governo estrangeiro, cujas consequências ou objetivos eram: desestabilizar a economia nacional, com o desmantelamento da competitiva engenharia brasileira, e tirar do poder, se possível eliminar da política, o Partido dos Trabalhadores (PT).
Mas o manto diáfano da fantasia que cobria esta operação, o que seria objeto de manchetes e capas midiáticas, horas e horas do caríssimo tempo de televisão, era o combate à corrupção.
Lentamente, os métodos pouco ortodoxos da operação, contrariando mesmo as normas jurídicas, apareciam, mas eram justificados pelo inédito feito do combate, que exigiria medidas de exceção pois, afinal, se tratava de algo excepcional: atingir os corruptos poderosos.
Façamos uma breve reflexão. Não só no Brasil, nem apenas nestes últimos anos, o poder político e o poder econômico andaram de mãos dadas, cada um enriquecendo o outro, com o dinheiro que era arrecadado para a prestação de serviços ao povo. Isto se dava, principalmente, nos governos capitalistas, pois a riqueza era sinônimo de triunfo. Mas, mesmo em regimes socialistas, havia a tentação do desfrute de bens e serviços que não estavam disponíveis para uma pessoa ou uma casta.
A única arma real contra a corrupção é a democracia verdadeira, a existência de uma cidadania que tenha paridade participativa nos destinos da nação e a disponibilidade das informações e a capacidade de entendê-las e interpretá-las. Qualquer outra proposta é um engodo, para quem prefere ser enganado.
Voltemos à Operação. Logo seu dirigente começa a ocupar espaços que já foram considerados impróprios para um magistrado. E não só ele, mas a equipe de promotores e delegados da Operação passam a disputar os holofotes como atores em busca do sucesso de público. Começa a gerar ainda maior desconfiança de que havia mais estrelismo do que real investigação.
Também foram sendo reveladas algumas mazelas que envolviam personagens centrais da operação que me abstenho de comentar pois já são notórias.
O que se estranhava, verdadeiramente, nas investigações e inquéritos, era a ausência de conhecidas figuras públicas, reconhecidas como corruptas e envolvidas em todas as falcatruas desta República.
Estes últimos dias foram muito diferentes do que por três anos nos impingiram na televisão, nos jornais, nas premiações de melhores e dos que faziam a diferença, nos discursos parlamentares etc.
Como por passe de mágica, sumiu o regente da operação e temos notícia de que estava nos Estados Unidos da América (EUA), país muito frequentado por ele, declarando-se, conforme se lê no blog Tijolaço, do excelente jornalista Fernando Brito: “numa edição do programa “60 minutes”, da rede CBS. O cidadão da república de Curitiba, Deltan Dallagnol pavoneou sua megalomania dizendo que a Lava Jato é “muito, muito maior do que o escândalo do Watergate” que derrubou o presidente norte-americano Richard Nixon. Mas Sérgio Moro superou Deltan. Comparou-se a Eliot Ness, o agente do Tesouro dos EUA … que prendeu Al Capone”.
De repente, o amigo de Aécio Neves, que divulgava fotos com festivas gargalhadas, o amigo de Michel Temer, que censurava perguntas de delatados sob prisão, para não atingir o “amigo?”, “sócio?”, “companheiro?”, parece ter uma síndrome de ribalta.
E como não fosse bastante, quando o país se levanta perplexo, diante de milhões de dólares das corrupções atribuídas ao atual Presidente da República e aos líderes de seu partido, o PMDB, ao Presidente do PSDB, principal partido da oposição ao PT, o que faz a Operação? Repete, mais uma vez, que um pedalinho em forma de cisne e um barco a remo são os sinais da corrupção do dirigente petista, ex-presidente Lula.
Ou estão querendo debochar de todos nós, ou perderam nas oníricas manchetes laudatórias todo sentido de realidade. E, assim, a Lava Jato mais parece uma Salva Rato, por excluir de suas investigações o núcleo da maior corrupção, que assola este País e o faz há muitos anos. Realmente, fica muito pouco crível que ela tenha tido o objetivo de combater a corrupção no Brasil.
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