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Postado em 26/01/2020 9:17

A DOR AINDA RASGA A TRAGÉDIA DE BRUMADINHO

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Por Osvaldo Cardosa Samón Brasília (Prensa Latina)
Qual orador acorda com uma justiça sonolenta, a dor ainda persiste na família e nos amigos de 270 pessoas que perderam a vida por um dia como hoje após desabar uma barragem no município brasileiro de Brumadinho.
Às 12:28 do dia 25 de janeiro de 2019, as barragens de contenção da barragem de Córrego do Feijão, bairro rural de Brumadinho, em Minas Gerais (sudeste), cederam e uma torrente de lama e resíduos foi liberada mineiros (mais de 12 milhões de metros cúbicos) que varreram tudo o que encontraram em seu caminho.

O infortúnio do depósito da empresa Vale em Brumadinho é o primeiro de grandes proporções desde o acidente de 5 de novembro de 2015 no sub-distrito de Bento Rodrigues, a 35 quilômetros do centro do município de Mariana, também nessa divisão territorial.

Nesse dia, o colapso dos quebra-mares da empresa Samarco, dos quais a Vale possui 50%, causou a morte de 19 pessoas (18 corpos foram resgatados) e o maior desastre ambiental da história nacional.

No entanto, a catástrofe de Brumadinho é a sétima a lamentar Minas Gerais em apenas 14 anos, uma média de mais de um intervalo a cada dois anos (1,85). A demolição do reservatório do Corrego do Feijão devastou uma área equivalente a 300 campos de futebol na cidade.

A BUSCA

A maioria das vítimas (179) foi identificada no primeiro mês de infortúnio. Mas com o passar do tempo, a localização dos corpos tornou-se cada vez mais difícil.

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, que atualmente tem 75 homens uniformizados em busca de 11 pessoas desaparecidas na tragédia que registra 259 mortes confirmadas – duas delas grávidas – a busca não parou mesmo com as tempestades.

Sua interrupção é uma das maiores preocupações dos parentes das vítimas. No entanto, sua continuidade é garantida, embora em ritmo mais lento, após a instalação pela Vale de duas tendas gigantes com lonas, cobrindo uma área de 15 mil metros quadrados.

Os detritos de barro e ferro que escavadeiras e caminhões trazem das áreas afetadas são transportados para essas estruturas cobertas. Os bombeiros podem então prosseguir com o trabalho cuidadoso de encontrar os restos dos desaparecidos.

TRIBUTOS

Atos em homenagem a perdas humanas e pedidos de justiça ocorreram ao longo da semana em Brumadinho.

Neste sábado, as ações começarão com a colocação da pedra angular do Memorial no Córrego do Feijão (restrito às famílias das vítimas), caminhadas e atos de movimentos sociais.

Amanhã será apresentada a campanha Jangada (jangada) Agua Viva, que pede a saída definitiva da Vale e de sua controlada MBR, do complexo do rio Paraopeba contaminado.

Os enlutados também exigiram justiça no julgamento dos responsáveis ??pelo infortúnio durante um ato na quinta-feira na sede da Assembléia Legislativa do Estado, onde um monumento foi instalado em homenagem às vítimas.

QUEIXA

O Ministério Público de Minas Gerais denunciou 16 pessoas por assassinato e crime ambiental, incluindo Fábio Schvartsman, ex-presidente da Vale.

Atualmente, a população afetada vive incerta sobre as causas e responsável pelo colapso e o futuro dos pagamentos mensais de emergência pela Vale.

O acordo de transferência estabeleceu que eles só são garantidos até um ano após o desastre, que será concluído neste sábado.

Os pagamentos mensais de emergência correspondem ao valor de um salário mínimo por adulto, metade desse valor por adolescente e um quarto para cada criança.

Nos demais municípios afetados, o benefício foi concedido às pessoas que moram até um quilômetro do leito do rio Paraopeba. Cerca de 108 mil pessoas têm direito a valores definidos.

O presidente do parlamento estadual, Agostinho Patrus, sugeriu que, em 25 de janeiro de cada ano, as bandeiras em Minas Gerais fossem colocadas a meio mastro, nos órgãos públicos, em uma demonstração de pesar em homenagem às vítimas e seus parentes.

Os desertos da perda se estendem em algum lugar da alma. Vagner de Jesus Silva, um bahiano de 42 anos, trabalha na área há três anos e reconhece que após o desastre, a tristeza invadiu todo Brumadinho. ‘A dor é silenciosa, mas terrível.’

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