Emiliano José
Seguimos acá, con la Revolución Cubana.
Pensando nela, na irredutível posição dos cubanos de não se renderem às vozes imperiais.
Creio estarmos vivendo um novo momento: Cuba respira, e evidencia toda disposição de resistência, sem desconhecer as óbvias dificuldades, ainda presentes.
Há, na conjuntura, o impacto da geopolítica mundial, atravessada pelas ousadias, aparentemente destemperadas, do presidente Donald Trump, a enfrentar nesse momento uma espécie de freio, oriundo da resistência iraniana, cuja história talvez o império norte-americano desconhecesse.
Os EUA, a duras penas, vai compreendendo que não podem tudo. A vontade imperial sempre choca com a resistência dos povos, como agora.
A China e a Rússia deram sinais de solidariedade à Ilha, assim como Brasil, México, Colômbia, entre tantos países.
Cuba vai se revelando cercada também por solidariedade, e não apenas pelo bloqueio norte-americano.
Não só Estados, mas os povos do mundo se mobilizaram em favor de Cuba.
Multidões tomaram as praças em tantos países, e centenas de pessoas chegaram a Cuba, visitando-a e manifestando solidariedade.
Mais uma vez, serão derrotados, como o foram em Playa Girón, em Escambray, em tantas outras ocasiões.
Cuba não se rende.
Não se renderá jamais.
Víctor Dreke registra o momento da chegada de tropas do Oriente, para reforçar a luta em Escambray, em 1963. Primeira tropa, comandada por Manuel ‘Tito’ Herrera, toda ela empunhando os então modernos fuzis FAL, então a arma mais potente em mãos dos revolucionários cubanos.
Fala de um estado de espírito. Os companheiros chegados do Oriente vinham com a certeza que chegariam e resolveriam o problema, assim, num tapa.
Como se fosse simples.
Arroubos de uma geração, ainda muito jovem.
Ele próprio se recorda: quando destacado para a tarefa, não carregava dúvidas – derrotaria os bandidos em pouco tempo.
Engano.
Os contrarrevolucionários não estavam pra brincadeira.
Armados, fortemente financiados pelo império norte-americano, cuja arrogância jamais aceitou uma revolução nas barbas dele.
Foram anos de luta.
E de muito aprendizado.
Superação de regionalismos.
Uma comunhão de ideais: levar à frente a Revolução, derrotar os bandidos.
Víctor Dreke não se esquece das manias de um e de outro, aquela pretensão de superioridade por pertencer a esta ou aquela região.
Tudo aquilo acabou com a convivência, com a dureza da luta comum, onde se requer companheirismo, solidariedade.
– En los momentos de peligro y de lucha, tú no piensas en dónde naciste, sino que quien está al lado tuyo es tu hermano. No te interesa de dónde sea, sino su condición de revolucionario.
Ele recorda: quando fora destacado para a tarefa, estufou os peitos – como se dissesse deixa comigo num instante acabo com a festa dos bandidos.
Pensava assim: se nos mandaram para tal empreitada é porque somos os melhores, e acabaremos logo com os contrarrevolucionários.
Jovem tem pressa.
E às vezes é pretensioso.
A luta demorou, no entanto.
Um bocado.
Alguns anos.
Quando chegaram os companheiros do Oriente, comandados por Manuel Herrera, os bandidos sumiram. Os revolucionários resolveram fazer uma espécie de pente fino na região, e os bandidos se enfurnaram por muitos cantos, em meio às matas densas.
O pente fino, tocado em fila indiana, durou naquele 1963 uns quatro dias, e contou com as tropas do Oriente e as já acantonadas em Escambray. Uma operação de muita unidade entre todas as forças.
A partir dela, criou-se um concepção de identidade. Desenvolveu-se o conceito de “elecebeano”.
– Nosotros éramos elecebeanos. Los que participábamos en Lucha Contra Bandidos (LCB) nos considerábamos un grupo. Y todavía tú los ves. Todavía está ahí vivos y vienen y dicen, “Yo soy elecebeano”.
Esta identidade, a unidade entre as forças, a comunhão de ideais em favor da Revolução, deu condição, então, para derrotar os bandidos, cuja etapa final se deu em 1965.
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