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quinta-feira, 14 maio 2026

A pressão popular libertou Fidel Castro e os autores do atentado de Moncada há 71 anos.

Havana (Prensa Latina) A forte pressão das campanhas populares em Cuba resultou, em 15 de maio de 1955, na libertação de Fidel Castro Ruz e dos prisioneiros pelo ataque aos quartéis de Moncada e Bayamo, que saíram vitoriosos da chamada Prisão Modelo, na Ilha dos Pinheiros, e imediatamente reiniciaram a luta revolucionária.

Por Pedro Rioseco* Colaborador da Prensa Latina

As reivindicações da multidão reunida há 71 anos em frente à prisão obrigaram os guardas a abrir as portas para que os revolucionários pudessem sair, após quase 20 meses de encarceramento em sórdidos prédios circulares de cimento, divididos em pequenas celas, onde tentaram, sem sucesso, quebrar a firmeza e o espírito de resistência dos chamados moncadistas.

Ao entrar na prisão, o líder da chamada Geração do Centenário, visto que 1953 coincidiu com o centenário do nascimento de José Martí, desenvolveu um plano focado na propaganda.

Em uma carta para Melba Hernández, datada de 17 de abril de 1954, ele a aconselhou que “…a propaganda não pode ser abandonada por um minuto, porque é a alma de toda luta. A nossa deve ter seu próprio estilo e se adaptar às circunstâncias.”

Nesse sentido, durante o tempo em que esteve detido no que mais tarde foi chamado de Prisão Fértil, Fidel Castro aproveitou a oportunidade para escrever o Programa Político da Revolução, que se baseava na alegação de legítima defesa apresentada no julgamento do ataque ao quartel de Moncada, conhecida como “A História me absolverá”.

Haydée Santamaría, Lidia Castro e Melba Hernández compilaram e organizaram as anotações que Fidel conseguia contrabandear para fora da prisão, escritas com suco de limão em cartas pessoais, e depois imprimiram e distribuíram clandestinamente o importante documento.

Em seu argumento final no julgamento de Moncada, durante sua própria defesa reconstruída na prisão, Fidel acusou Fulgencio Batista das violações cometidas com o golpe de Estado de 10 de março de 1952, denunciou os crimes da tirania e proclamou José Martí como o autor intelectual daquela ação insurrecional.

“A História Me Absolverá” foi escrito na prisão, entre sua chegada em outubro de 1953 e abril de 1954, com a ajuda de uma biblioteca pessoal que, dois meses após sua entrada na prisão, já contava com cerca de 300 volumes, e que também foi utilizada no estudo organizado de todos os envolvidos no atentado de Moncada.

Logo nos portões da prisão, em meio à euforia generalizada, o líder histórico da Revolução Cubana declarou a um jornalista que “nossa liberdade não será de celebração ou descanso, mas de luta e do dever de lutar sem trégua”.

No dia seguinte, 16 de maio de 1955, ocorreu a chegada triunfal de Fidel Castro a Havana, após ser libertado pela Lei de Anistia, que não foi um presente do regime de Batista, mas o resultado de quase dois anos de luta tenaz.

Nas semanas seguintes, o líder histórico da Revolução Cubana realizou uma intensa campanha de denúncia e fundou o Movimento 26 de Julho para continuar a luta até que a vitória fosse alcançada.

Em julho de 1955, tendo percebido a impossibilidade de continuar a luta anti-Batista por meios legais e enfrentando o assédio de forças repressivas, ele viajou para o México para organizar a insurreição armada a partir dali.

Sob as precárias condições econômicas do exílio e sujeito à vigilância e perseguição constantes dos agentes de Batista, Fidel realizou um trabalho organizacional incessante no México, preparando a expedição e disseminando as ideias e os objetivos do movimento insurrecional.

Em seguida, fez uma breve viagem aos Estados Unidos, onde ele e seus companheiros exilados cubanos criaram “clubes patrióticos” na Filadélfia, Nova York, Tampa, Union City, Bridgeport e Miami, a fim de obter apoio político e econômico para a luta revolucionária.

De volta ao México e com o lema “Em 1956 seremos livres ou mártires”, Fidel e Raúl Castro, Juan Manuel Márquez, Juan Almeida, Ernesto Che Guevara, Camilo Cienfuegos e outros lideraram os 82 expedicionários do iate Granma, que em 2 de dezembro de 1956 iniciaram, em um mangue no sudeste de Cuba, a difícil jornada rumo à verdadeira independência.

*Correspondente-chefe da Prensa Latina na Nicarágua e, simultaneamente, em El Salvador, Guatemala e Honduras por 10 anos; correspondente-chefe na República Dominicana, Equador e Bolívia. Fundou e dirigiu a Editorial Génesis Multimedia, que produziu a Enciclopédia Todo de Cuba e outros 136 títulos. Anteriormente, foi diretor do jornal Sierra Maestra, na antiga província de Oriente; assessor do Ministro da Cultura, Armando Hart; chefe da seção internacional da revista Bohemia, com cobertura internacional em mais de 30 países; e autor do livro Comércio Eletrônico, a Nova Conquista. Dirige a revista Visión da UPEC e é presidente de seu Conselho Consultivo.

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