© Agência Senado / Pedro França
Sputnik- A revelação de mensagens que mostram proximidade entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, após o pré‑candidato afirmar publicamente e a aliados que não tinha relação com o ex-banqueiro, provocou forte sensação de quebra de confiança dentro do Partido Liberal (PL).
Segundo um jornal de grande circulação na mídia brasileira, o clima entre apoiadores da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro é de apreensão diante da possibilidade de surgirem novos diálogos comprometendo o senador.
Lideranças do partido avaliam que o pedido de financiamento para o filme “Dark Horse” (azarão, em tradução livre), revelado por um portal de notícias brasileiro, é menos grave do que o caso envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de operação da Polícia Federal (PF) por suposto recebimento de pagamentos mensais do Banco Master. O ponto crítico, dizem aliados, foi Flávio ter negado qualquer vínculo com Vorcaro, apesar de áudios e mensagens mostrarem intimidade entre ambos.
Segundo a apuração, para correligionários, se Flávio tivesse informado previamente sobre o pedido de financiamento, a campanha poderia ter preparado uma resposta coordenada caso a delação viesse à tona. O fato de todos terem sido pegos de surpresa ampliou o desgaste e dificultou a reação nas redes, alimentando suspeitas internas sobre o que mais poderia ter sido omitido.
Um deputado do PL afirmou à mídia que o senador deveria ter se antecipado ao escândalo do Master, revelando espontaneamente o acordo para financiar o filme e apresentando o contrato como prova de transparência. A ausência de aviso, mesmo a um grupo restrito, é vista como erro estratégico que agravou a crise.
Entre aliados, cresce a percepção de que será difícil reverter a imagem de “mentiroso” perante parte do eleitorado. Internamente, a quebra de confiança é considerada irreversível, com a sensação de que, se Flávio escondeu esse episódio, outros ainda podem surgir — o que mantém a pré-campanha em estado de alerta, afirmou a publicação.
Apesar disso, a avaliação predominante é de que o caso tende a gerar desgaste, mas pode perder força até outubro, especialmente se outros políticos forem implicados no escândalo.
Por ora, a manutenção da pré-candidatura é tratada como certa, embora parlamentares menos próximos à cúpula temam que novas revelações forcem o PL a buscar substitutos, como Romeu Zema (Novo).
As reações no campo da direita variaram. Zema classificou a atitude de Flávio como “imperdoável”, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) cobrou explicações, mas depois defendeu que a centro-direita não pode se dividir e deve priorizar derrotar o Partido dos Trabalhadores (PT) no segundo turno. Já aliados do senador minimizam o episódio, afirmando que não houve ilegalidade e que o Master operava com aval do Banco Central.




