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domingo, 17 maio 2026

Argentina: Empresas desaparecem, empregos e salários também

Buenos Aires (Prensa Latina) Em um ano, 13.163 empresas fecharam as portas na Argentina, juntamente com 100.000 empregos no setor formal, segundo dados divulgados hoje pela Superintendência do Trabalho (SRT).

A agência de notícias, em sua perspicaz reportagem de domingo (17) sobre a crise na indústria argentina, também cita informações divulgadas pelo Sistema Integrado de Pensões da Argentina (SIPA), que resumem que, em dois anos e três meses do governo de Javier Milei, mais de 24.000 unidades produtivas foram desativadas.

Da mesma forma, mais de 218.000 empregos formais no setor privado desapareceram, de acordo com essa fonte.

Nos primeiros 27 meses da administração do governo libertário, o país acumulou um prejuízo empresarial sem precedentes nos últimos tempos, alerta o jornal Noticias Argentinas.

E o declínio industrial continua; empresas estrangeiras decidem deixar a Argentina: foi revelado que a empresa alemã de agroquímicos Helm, especializada em produtos para proteção de cultivos, decidiu fechar sua subsidiária na Argentina após 23 anos de operação.

A administração explicou que isso se devia à queda na rentabilidade dos negócios e às crescentes dificuldades financeiras ligadas ao sistema tributário argentino.

A rede de farmácias Doctor Ahorro, pertencente ao grupo mexicano Fénix, que atuava no país há 24 anos, desde o final de 2002, também fechou todas as suas unidades.

A administração fechou suas 33 filiais e cessou as operações na Argentina devido a uma crise financeira insustentável, marcada por uma dívida superior a US$ 19 milhões, queda contínua nas vendas, recessão e conflitos trabalhistas que impediram a busca por um comprador.

Nesse contexto, embora o emprego assalariado no setor privado tenha apresentado uma melhora imperceptível em fevereiro e conseguido interromper uma sequência de seis meses consecutivos de declínio – destaca o jornal Noticias Argentina –, o mercado de trabalho continua mostrando sinais de fragilidade.

Ao mesmo tempo, os salários perderam poder de compra pelo terceiro mês consecutivo e, em segundo plano, observa-se uma crise econômica ainda mais complexa, com a falência de empresas e a saída de empresas estrangeiras.

Em fevereiro, 257 empresas fecharam, uma redução de 0,05% em comparação com janeiro, enquanto desde a chegada de Javier Milei à Casa Rosada, 24.437 empresas empregadoras deixaram de existir (-4,8% do total).

Além disso, segundo a Fundação Fundar, essa foi a queda mais acentuada nos primeiros 27 meses de um governo desde pelo menos 2003.

Segundo dados da SRT, a contração das empresas é generalizada, mas afeta mais fortemente os setores de transportes e armazenagem, serviços imobiliários e construção, que concentram o maior número de perdas de unidades produtivas.

No total, 11.837 empresas foram perdidas desde a chegada do governo Milei e sua equipe econômica de executivos do JP Morgan, das quais 6.193 correspondem à primeira categoria mencionada (-15,7%), 3.555 à segunda (-11,98%) e 2.089 à terceira (-9,6%).

Por província, as mais afetadas por esse colapso industrial são La Rioja, que perdeu 17,4% de suas empresas, seguida por Catamarca (-12,8%) e Chaco (-11,3%), de onde muitos habitantes atravessam a fronteira para o Brasil em busca de emprego na agricultura do país vizinho.

Entre as províncias que perderam mais empregos estão: Santa Cruz, com 9.787 empregos a menos (-16,09); Tierra del Fuego, com 5.061 empregos a menos (-13,34); e Formosa, com 2.851 empregos a menos (-11,52).

Fundar alerta que as pequenas e médias empresas, que sustentam o emprego formal e a produção local, estão a desaparecer lentamente, num gotejamento constante que corrói a base do trabalho privado e a transforma em trabalho por conta própria, uma vez que o emprego no âmbito do regime de monotributo cresceu em 172.624 contribuintes.

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