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terça-feira, 13 janeiro, 2026

Um embate acirrado no debate dos candidatos à presidência do Chile

Santiago, Chile (Prensa Latina) Em um clima tenso, com acusações mútuas, os candidatos à presidência do Chile protagonizaram nesta quarta (03/12) um debate radiofônico, no qual demonstraram suas diferentes posições sobre questões nacionais e regionais.

Sobre o primeiro ponto abordado, o grupo irregular de San Antonio, representado por José Antonio Kast, porta-voz da extrema-direita, defendeu o cumprimento da decisão judicial e a expulsão de milhares de famílias estabelecidas na região.

Em contrapartida, Jeannette Jara, representando a esquerda, o progressismo e a Democracia Cristã, apoiou a decisão do governo de expropriar 100 dos 215 hectares para encontrar uma solução habitacional, depois que os proprietários dobraram o preço do terreno.

“Não é apropriado governar com slogans, mas sim com a realidade que se enfrenta. Despejar 10.000 famílias e deixá-las à própria sorte é uma enorme irresponsabilidade”, disse ele.

Em relação à questão da migração, Kast insistiu em sua proposta de expulsão em massa de 350 mil pessoas em situação irregular e alertou que elas têm 98 dias para deixar o Chile.

Jara afirmou que não legalizaria imigrantes indocumentados, mas os registraria para descobrir quem são, se trabalham no país ou se possuem antecedentes criminais. Ela também considerou inviável a proposta de seu rival de expulsar todos os imigrantes. Sobre um possível projeto de lei sobre eutanásia, Kast insinuou que o vetaria, enquanto Jara indicou que o aprovaria e defendeu o direito dos indivíduos de escolherem em casos de doenças terminais. O debate, que durou mais de duas horas e meia, foi organizado pela Associação Chilena de Emissoras (Archi) e é o penúltimo debate dos candidatos antes das eleições de 14 de dezembro.

Questionado sobre o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de uma intervenção militar contra a Venezuela, o candidato do Partido Republicano apoiou a medida, declarando: “Respondo com a frase que está em nosso brasão: Pela razão ou pela força.”

Questionado se um ataque dos EUA para derrubar um governo traz à tona más lembranças para o Chile, em alusão ao golpe contra o governo de Salvador Allende, o ex-congressista não respondeu.

Jara, por sua vez, declarou que a solução proposta por Trump lhe parece incorreta, viola o direito internacional e que não tolerará a invasão de outro país.

O candidato de extrema-direita acusou seu rival de ser uma continuação do governo; enquanto a candidata progressista culpou seu oponente por lançar muitos slogans e críticas, sem apresentar propostas concretas.

Em relação às declarações de setores da extrema-direita sobre uma possível revolta social ou golpe de Estado caso vencessem a presidência, Jara respondeu que “os únicos que realizaram um golpe de Estado foram os setores civis e militares ligados à direita”. Quanto à possibilidade de indulto para violadores dos direitos humanos como Miguel Krassnoff, condenado a mais de mil anos por crimes contra a humanidade, Kast evitou responder, embora tenha se manifestado publicamente a favor da libertação de pessoas com mais de 70 anos e doenças terminais.

Jara foi categórico ao responder que aqueles que cometeram crimes contra a humanidade, como Krassnoff, não merecem misericórdia.

O próximo debate ocorrerá em 9 de dezembro, cinco dias antes da eleição.

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