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quinta-feira, 28 maio 2026

Triste Brasil: É vergonhoso ainda haver 30% de eleitores que apontam votar em Bolsonaro

– Acreditam que Bolsonaro roubando Vorcaro, que roubou de Ibaneis Rocha, que roubava o povo de Brasília, teria 100 anos de perdão?!

Pedro Augusto Pinho*

A vergonha brasileira não é haver a dinastia bolsonária; afinal desde sempre houve os que trabalhavam e os que embolsavam o resultado deste trabalho nesta Terra de Santa Cruz. E nada mais simbólico do que a cruz, que servia para punir, ser a primeira designação do Brasil.

É vergonha, com tudo o que já se sabe sobre os desmandos gerenciais, financeiros e administrativos da família Bolsonaro, ainda haver 30% de eleitores que os apontam nas intenções de voto. Isso só desmerece o povo brasileiro. Ou aqui se acredita que Bolsonaro roubando Vorcaro, que roubou de Ibaneis Rocha, que roubava o povo de Brasília, teria 100 anos de perdão?!

Leiamos o que a grande antropóloga Berta Gleizer Ribeiro (1924-1997) escreveu sobre os povos que o português aqui encontrou em 1500 (Berta Ribeiro, “O Índio na História do Brasil”, 1983):

“Ao desembarcarem em Porto Seguro, deparam os marujos de Cabral com homens “pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas” (Pero Vaz de Caminha, Carta a D. Manuel, o Venturoso). Não sabia o almirante se a nova terra descoberta era a costa da África ou da Índia, se era ilha ou terra firme. Cabral consultou seus homens mais experimentados, veteranos de viagens ao Oriente e nada souberam dizer. Evidentemente não eram negros. Indianos também não pareciam ser. Ainda assim, ficou-lhes pelos tempos afora o nome de índios. A frota de Cabral permaneceu dez dias em Porto Seguro e aí deixou dois degredados para que aprendessem a língua dos índios e servissem de guia e intérprete aos portugueses quando voltassem”.

“O povo que Cabral veio encontrar na costa da Bahia era chamado Tupiniquim e pertencia à grande família Tupinambá, tronco Tupi-guarani, que ocupava quase todo o litoral. Eram recém-chegados à costa, de onde expulsaram as tribos inimigas, com exceção de alguns grupos, encaminhando-as para o sertão. Os Tupi transmitiram aos primeiros cronistas e aos jesuítas a noção de que o mundo indígena se dividia em dois grandes blocos: o dos que falavam sua língua e praticavam seus costumes e os seus contrários, chamados Tapuia, o que quer dizer escravo. Essa divisão dos índios do Brasil em Tupi e Tapuia prevaleceu por muito tempo e servia para distinguir os grupos do litoral daqueles do sertão. Com o devassamento do interior, nos séculos seguintes ao da descoberta, passou-se a ter uma visão mais exata do mosaico indígena que habitava o país”.

Berta Ribeiro afirma que foram os Tupi-guarani que entraram em contato não só com os portugueses, mas com os franceses e holandeses, que aportaram no Brasil. Uma de suas mitologias, causa das migrações, era a busca da legendária “terra sem males”, um paraíso terrestre onde as plantas crescem por si, há fartura para todos, onde os homens são felizes e eternos, ninguém sofre.

Esta mitologia foi levada a países de colonização espanhola, como o Peru, e perdurava ainda no século XIX.

Em relação aos Tapuia, a percepção dos antigos cronistas era de sua extrema primitividade. Do “Diálogos das Grandezas do Brasil”, de Ambrósio Fernandes Brandão, obra do fim do século XVI, que aparece pela primeira vez em 1618: “estes tapuias vivem no sertão e não têm aldeias nem casas ordenadas para viverem nelas, nem mesmo plantam mantimentos para sua sustentação”.

Vamos dar um salto, de quase cinco séculos na história, para avaliar a bomba que nos foi lançada, a nós povos da Terra, por volta de 1980. Era receita velha, do século XVIII, que teve entre seus mais importantes divulgadores, o escocês Adam Smith (1723-1790), que defendia a liberdade individual, a limitação do poder do Estado e o livre mercado, ou seja, o salve-se quem puder!

Na “Carta Capital” (Ano XXI, nº 1414, de 27/5/2026), Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back escrevem “Delirius economicus” sobre como Adam Smith enganou a todos com o egoísmo individual e um pote de dinheiro. Se cada um buscar o melhor para si, não são todos que ganham, são todos que perdem, pois estarão enterrando a ordem e a justiça para todos, e sem criminalização, pois se trata da “mão invisível”.

Vamos dar um exemplo discorrendo sobre a falácia da “transição energética”. O petróleo não é simples fonte de energia. A bem da verdade e da boa economia, o pior uso que se pode dar ao petróleo, quer na forma líquida ou gasosa, é queimá-lo.

O petróleo é um insumo industrial excepcional, que nos dá fertilizantes e petroquímicos. E você quer queimá-lo num motor ao invés de obter um cano que transportará, melhor do que feito dum mineral, o gás ou a água que corre para e em sua casa?

Porém o petróleo está muito desigualmente espalhado, melhor dir-se-ia muito concentrado, pelo mundo. Existem 95 países que possuem alguma reserva de petróleo; mas dois terços deste petróleo se encontram em apenas seis países, ou seja, o terço restante está, assim mesmo ainda concentrado, em 89 países, dos 206, conforme o Comitê Olímpico Internacional (COI) ou dos 195, conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), que produzem apenas uns poucos barris por dia.

O petróleo não é mais das grandes produtoras anglo-estadunidenses. É da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), ou seja, da Venezuela, assaltada pelos Estados Unidos da América (EUA) para sequestrar seu Presidente, da Arábia Saudita, que “aceita” a proteção militar dos EUA, do Irã (ou qual seria o motivo da guerra que lhe movem os EUA-Israelense?), do Iraque (lembrar o vergonhoso e mentiroso discurso de Colin Powell, como Secretário de Estado dos EUA, na ONU), e de pequenos países do Oriente Médio, onde os EUA fincaram suas bases militares.

E ainda nos vem com a história de proteção ambiental?!

E tem mais. Colocam em estatísticas internacionais, como se fosse reserva de petróleo, uma pasta retirada de folhelhos betuminosos, abundante no Canadá e menos farta nos EUA. Únicos países que não se incomodam em divulgar esta falácia. Só para confundir.

O pré-candidato a presidente do Brasil, o zero um da dinastia bolsonariana, foi neste final de maio prestar vassalagem ao presidente dos EUA, esperando a migalha de uma recomendação para a votação em outubro próximo. Ficou esperando ao menos um olhar que não veio. Mas saiu todo feliz, pois teria algo a mostrar na campanha que não fossem explicações nada convincentes de honestidade pessoal e intimidade com aquele causou a maior fraude bancária, a do Banco Master, que se conhece numa história pouco dignificante, que trata dos bancos no Brasil. Não é Boavista? Nacional? Ou Bamerindus? Ou Marka e FonteCindam? Ou Santos? Ou Panamericano? E por aí vai…

Mas aproveitou a viagem para entregar mais minérios brasileiros e a gestão de segurança pública nacional ao grande país do norte. O que restava do petróleo já havia sido retirado das riquezas brasileiras por seu pai, no desastroso governo de 2019 a 2022, quando quase 700 mil pessoas morreram pela ação do Covid 19 e pela falta de vacina.

Há mais do que uma sensação de tragédia, existe a certeza que nas mãos bolsonárias elas ocorrerão. E por um motivo muito simples: a absoluta incapacidade de gestão, o que os leva a transferir, da órbita pública para a privada, atividades próprias de um Estado Nacional Soberano.

Qual projeto de governo nos é oferecido? O do Primeiro Comando da Capital (PCC) ou do Comando Vermelho (CV)? Do Tarcísio de Freitas (1975), de São Paulo, ou do Cláudio de Castro (1979), do Rio de Janeiro?

O mais incrível é que aproveitando o medo que se alastra pelo País, pela falta de Estado e domínio das facções criminosas, os principais responsáveis, que estão nos setores mais à direita do espectro político, que pregam a substituição do Estado Nacional pelo “mercado”, usam este medo como arma eleitoral.

Logo estes principais incentivadores do crime e das farsas como a transição energética.

Não deve causar qualquer surpresa o baixo comparecimento às urnas e a vitória das facções criminosas. Até que um milagre, como os primitivos habitantes Tupi-guarani e Tapuias aguardavam, se torne realidade, e encontraremos finalmente a “terra sem males”.

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, membro do Conselho Editorial do Pátria Latina.

 

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