Por Jorge Petinaud Martínez
Correspondente-chefe na Bolívia
Declarações racistas confirmadas deste candidato à vice-presidência estão no centro da batalha eleitoral pelo debate que Velazco apresentará ao lado do candidato à vice-presidência do Partido Democrata Cristão (PDC), Edman Lara, no domingo, 5 de outubro, em Santa Cruz, antes do segundo turno em 19 de outubro no Estado Plurinacional.
Como meio de verificação, a Chequea Bolivia demonstrou com ferramentas tecnológicas confiáveis que essas publicações feitas entre 2010 e 2012 correspondem à conta de X @Jpvel do candidato Alianza Libre, representado por Velazco e pelo candidato presidencial Jorge Tuto Quiroga.
Em 29 de setembro, a questão motivou esclarecimentos de ambos os candidatos presidenciais.
“Um candidato a vice-presidente faz declarações racistas que já foram feitas, o que causa divisão. E isso aparece nas redes sociais, mas não aparece na mídia”, criticou o candidato presidencial do PDC, Rodrigo Paz, em entrevista à rede privada Unitel.
O senador também insistiu que o país andino-amazônico não pode continuar preso a discursos de divisão e racismo.
Sobre aqueles que justificam a situação constrangedora do Alianza Libre pelas expressões racistas de seu candidato a vice-presidente em sua conta X com o argumento de que foram publicadas há vários anos (ele tinha 23 anos), Paz destacou que “valores são valores; e isso não significa que você deixe de ser racista”.
Por sua vez, o candidato presidencial pelo Alianza Libre, Jorge Tuto Quiroga, expressou que é “falso” que seu candidato à vice-presidência tenha espalhado mensagens racistas em sua conta X.
“Essa informação é falsa. Vamos mostrá-la em detalhes. É falsa; faz parte da lama que eles estão usando”, disse ele no programa Bolívia Decide 2025, do canal Bolivisión.
Uma verificação da Chequea Bolívia identificou que, entre 2010 e 2012, a conta que Velasco (@Jpvel) registrou como sua no Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) divulgou mensagens racistas contra “os collas”, um termo depreciativo para os habitantes dos Andes ocidentais da Bolívia.
Ao mesmo tempo, várias contas de mídia social compartilharam imagens e vídeos com postagens da conta @Jpvel, agora excluída.
CONFIRMAÇÃO DUPLICADA
A autenticidade das mensagens racistas de Velazco nas redes sociais também foi reafirmada pelo meio de comunicação Bolívia Verifica, que assim se juntou ao Chequea Bolívia.
“Juan Pablo Velasco Dalence, candidato à vice-presidência pela Alianza Libre, foi denunciado por publicar mensagens racistas contra ocidentais por meio de sua conta X. Após extensa investigação, foi estabelecido que essas postagens são verdadeiras e foram feitas há 15 anos”, afirmou a Bolivia Verifica.
Segundo ambas as fontes, Velazco escreveu em sua conta @Jpvel quando tinha 23 anos: “Temos que matar todos os Collas!”, “Que maravilha ver esses Collas do Bolívar marcarem gols. O OP (Oriente Petrolero) é uma paixão” e “Nem todos os bolivianos são Collas. Saudações de Santa Cruz”.
A denúncia veio à tona em agosto deste ano, quando o criador de conteúdo argentino Hermwkick abordou o assunto em sua conta no Kick, uma plataforma de streaming (que transmite ao vivo), e identificou postagens com mensagens racistas.
A Bolivia Verifica, e anteriormente a Chequea Bolivia, concordou que Velasco registrou a conta https://x.com/Jpvel como seu perfil oficial X perante o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE).
No entanto, esse perfil foi removido após a eclosão desse escândalo em meio ao contexto eleitoral e, ao acessar o link da conta fornecido pelo TSE, agora indica que o endereço “não existe”.
A Associação Nacional de Jornalistas da Bolívia (ANPB) respondeu apoiando as plataformas de verificação de fatos Chequea Bolivia e Bolivia Verifica, após críticas que receberam por seu trabalho em mensagens racistas atribuídas à conta de X de Velazco.
O sindicato sustentou que o trabalho dos verificadores é “essencial” para garantir o direito dos cidadãos ao voto informado.
“Ambas as plataformas demonstraram que a conta questionada foi registrada pelo próprio Velazco e que, embora tenha sido posteriormente excluída, no ecossistema digital, excluir uma conta não equivale a apagar a responsabilidade ou a possibilidade de investigação”, alerta o comunicado.
Por sua vez, o jornalista digital boliviano Joaquín Martela explicou em entrevista na noite de 30 de setembro ao programa No Mentirás, do canal privado RTP, que passou várias horas investigando essa questão com um grupo de engenheiros de sistemas e verificou a autenticidade das mensagens racistas, que não podem ser modificadas.