Foto: Ricardo Stuckert/PR
César Fonseca
O presidente do Congresso e da Câmara, respectivamente, o senador Davi Alcolumbre(UB-AP) e o deputado Hugo Motta(Republicanos-PB), sentiram o peso da mobilização popular em Salvador no dia da Independência da Bahia.
As massas baianas levantaram a bandeira da justiça social, favorável à taxação dos ricos para favorecer os pobres.
Foi o suficiente para jogar água fria no fervor da direita e da ultradireita, que, na semana passada, mostraram-se dispostas a radicalizar contra o governo, para barrar a reeleição lulista.
Rapidinho reverteu a euforia da oposição, amparada em pesquisa fake news da Quest, de que a Frente Ampla está para abandonar Lula às baratas.
Imagine a falsidade: perguntar, em consulta aos parlamentares, no Congresso, em que a oposição é amplamente majoritária, se o governo está indo bem ou mal.
A GloboNews divulgou a pesquisa, com direito aos amplos e demorados comentários dos “cientistas políticos” da Quest, incensados por Sadi e Cia Ltda, para que faturassem as redes, sem goleiro.
Tudo fake.
Os desavisados não percebiam que os pesquisados são integrantes da oposição, que viram o legislativo de cabeça para baixo, invertendo a realidade.
No mesmo dia, a multidão, em Salvador, mudou o jogo, com Lula subindo num caminhão com uma pequena faixa, pregando que os ricos paguem impostos.
LUTA DE CLASSES EM AÇÃO
Alcolumbre correu para alarmar: Lula não deve pregar luta de classe, nas ruas.
Mas, e dentro do Congresso, onde representantes dos ricos agitam para fazer o jogo da burguesia financeira, não ocorre a luta de classe, animada pela burguesia financeira?
Ou a burguesia não é classe?
Bateu o medo na maioria dos 383 parlamentares que derrubaram o decreto presidencial para barrar o Imposto sobre Operações Financeiras(IOF), cobrado dos ricos, livre de tributação, de modo a transferirem aos pobres.
Ficou comprovado: a elite tem pavor da luta de classe quando ela ameaça sua estabilidade, mas a agita quando vê possibilidade de se beneficiar diante do governo fraco no parlamento.
Faz chorar de pena o lamento do jornalista Merval Pereira, que comanda o ponto de vista de Sadi e Cia, para vocalizar o perigo de desmoralização do Congresso, pela luta de classe, levada às ruas por Lula.
Isso, alarma, poderia provocar a radicalização e a destruição da democracia.
Para a Globo, a lei é a seguinte: a direita pode radicalizar a favor da burguesia financeira dentro do Congresso, sendo ampla maioria.
Porém, se a Faria Lima, endereço dela, sofre revés nas ruas, há perigo para as instituições democráticas.
Direita e ultra direita têm pavor das ruas.
A FORÇA DAS RUAS
Fica explícito: a burguesia financeira mente descaradamente quando diz que não existe mais luta de classe no capitalismo moderno.
Seria coisa do passado.
O castelo de cartas burguês cai de maduro diante da realidade, quando a população reage à exploração e ameaça virar o barco.
A mentira da inexistência da luta de classe, proclamada pela burguesia financeira, pela boca dos seus representantes, no Congresso, desmancha-se frente aos fatos objetivos.
A mídia conservadora, capitaneada pela Globo, que age como monopólio a ditar regras, não consegue esconder o real, concreto, objetivo, contraditório e dialético: o Congresso, dominado pelos radicais de direita e ultradireita, trabalha para a elite financeira.
Não consegue esconder que a Faria Lima depende da agiotagem dos juros extorsivos para sustentar a acumulação capitalista, barrada pela queda da taxa de lucro do capital sobreacumulado, devido à insuficiência de consumo, provocada pelos baixos salários.
MANIPULAÇÃO BURGUESA DO DÉFICIT
O déficit, como se sabe, é amplamente manipulado pela burguesia financeira apoiada pelo poder midiático conservador.
Leva-se em consideração, com os argumentos neoliberais, apoiados pela Globo, apenas, o déficit primário, correspondentes aos gastos sociais, responsáveis por puxar a demanda global.
Porém, não é considerado o principal, o déficit financeiro, o pagamento de juros da dívida, que cresce em escala bem mais acelerada.
Enquanto o primeiro está na casa dos 0,9% do PIB, o segundo aproxima-se dos 10% do PIB.
A diferença é gigantesca.
O governo quer taxar os ricos para poder gastar mais no social e preservar cortes na educação e saúde.
Mas, a oposição levanta o muro da resistência com argumento fácil: não, a carga tributária já está alta.
Desse modo, não se pode cobrar de quem acumula demasiadamente para favorecer quem está carecendo de tudo.
O cartaz, levantado por Lula em Salvador, deixou a burguesia financeira em pânico, levando seu representante, no Congresso, a pedir conciliação.
Resultado: depois de tentar agitar para derrubar o presidencialismo de coalizão, a liderança do Congresso, que vestiu o semipresidencialismo golpista, dá um passo atrás, motivado pelo medo da reação popular.
O governo, que vem sendo, há tempos, pressionado para agir contra os ataques da burguesia em favor de combater a inflação, esfolando os pobres, descobre, de repente, em Salvador, a sua verdadeira força: as ruas.