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sexta-feira, 18 setembro 2026

Peru: Preparativos para a guerra

Por Gustavo Espinoza M.

Prensa Latina – De 8 a 18 de setembro, o Peru participa de um programa militar idealizado e organizado pelo Comando Sul dos Estados Unidos, com a assistência de três países da região: Argentina, Chile e Peru.

Na ação mais significativa, em 18 de setembro, as unidades militares envolvidas no conflito realizarão uma reunião de alto nível na região de Tarapoto, na selva peruana. Este fórum definirá a direção principal da operação, que faz parte de uma série de ações militares que vêm sendo realizadas nos últimos meses e que estão planejadas para o futuro.

O argumento que justifica essas ações baseia-se na ideia de combater a “onda de crimes transnacionais” que assola diversos países da região. Envolve o enfrentamento de assassinatos por encomenda, extorsão e, em geral, as ações do crime comum que vêm causando graves prejuízos nessa parte da América.

Contudo, é necessário questionar em que medida as operações em curso servirão a esses propósitos, visto que as atividades planejadas são inteiramente de natureza militar. Elas consistem, na prática, em exercícios de sobrevivência em condições extremas, travessias de rios com correnteza forte, treinamento anfíbio e outros exercícios similares.

Presume-se que os estrategistas do Comando Sul explicarão aos soldados da região como localizar assassinos de aluguel e extorsionários no coração da selva e ao longo das águas turbulentas dos rios amazônicos. Isso os colocará a par dos requisitos estabelecidos por instrutores americanos especializados em guerra na selva, com base nas lições aprendidas na Guerra do Vietnã, na segunda metade do século passado.

O curioso é que nós, peruanos, só ficamos sabendo dessa guerra, cujos preparativos já estão em andamento, quando tudo já começou, sem que ninguém tivesse colhido nossa modesta opinião, aquela que foi afirmada quando a Unidade Latino-Americana e Caribenha – ULAC – decidiu, em 2011, que viveríamos em “um continente de paz”.

Isso não nos surpreende. Pelo menos ficamos sabendo que o Peru havia aderido ao “Escudo das Américas” porque o presidente Donald Trump anunciou isso na terça-feira passada, 8 de setembro, na Casa Branca, e seu secretário de Estado, Marco Rubio, confirmou na quarta-feira, dia 9, ao iniciar sua “turnê pela América Latina” pela Colômbia, Equador e Peru.

No que diz respeito aos peruanos, só fomos informados na quinta-feira, dia 10, quando “a Presidente Constitucional do Peru” disse ter tomado a decisão de “incorporar o Peru ao Escudo das Américas”.

Houve alguma consulta com os cidadãos peruanos a respeito dessa decisão? Algum referendo, debate político, acordo parlamentar, consulta às Câmaras Legislativas? Certamente que não. Quem cogitaria solicitar uma consulta ou debate para uma decisão tão secreta? Se tal “consulta” ocorresse, a China poderia descobrir, e é exatamente isso que deve ser evitado.

Foi por isso que nós, peruanos, pudemos descobrir que em 8 de setembro já fazíamos parte de uma estrutura militar supranacional, embora não soubéssemos então que essa guerra já havia começado no coração do nosso continente e que nela estávamos lutando ao lado de soldados chilenos e argentinos – sob o comando de militares dos Estados Unidos – à procura de pistoleiros e extorsionários nas profundezas dos rios amazônicos.

Provavelmente para complementar a ideologia belicista que está sendo incutida com urgência na juventude de nossa época, o governo Fujimori decidiu “reformar” a educação pública para impedir a “infiltração de ideologias perversas”. Assim, afirmou-se que os alunos não poderiam mais aprender sobre a Revolução Francesa ou seus princípios básicos: liberdade, igualdade e fraternidade; porque estes são pura ideologia.

Nem será possível, claro, falar de Túpac Amaru, ou das rebeliões indígenas. Nem da Independência das Nações ou da soberania dos Estados. Muito menos dos direitos dos povos. E qualquer alusão a Calcuchímac, Micaela Bastidas, Juan Santos Atahualpa, Mariano Melgar, María Parado de Bellido, Manuel González Prada, José Carlos Mariátegui ou Juan Velasco Alvarado deverá ser apagada dos currículos escolares. Eles exalam ideologia por todos os poros, não é?

E, na visão do governo, as crianças precisam ser expostas à guerra, não a ideias. Precisam aprender a matar, não a pensar ou construir. É por isso que insistem na pena de morte, em estados de emergência e em ações militares. A preparação para a guerra é urgente.

Em estado de emergência, quando há um inimigo armado e uma ameaça iminente de guerra, quando a situação é tão grave que ações militares de “treinamento” se fazem necessárias, não é aconselhável que o responsável pela liderança do país o abandone. Isso é especialmente verdadeiro quando essa pessoa carrega nas veias o sangue de alguém que fugiu diante do perigo iminente.

Mas Keiko Fujimori está se preparando para deixar o país em 21 de setembro para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, como se suas palavras lá fossem de suma importância e, acima de tudo, muito aguardadas. É preciso dizer a ela, sem rodeios, que não. Todos sabem o que ela dirá e ninguém espera uma mudança em seu discurso.

O problema é que sua sede de reconhecimento está corroendo sua alma e a impedindo de viver. Por ora, ela não precisa apenas ir a um spa com um argentino rico; ela precisa ir a Nova York e se encontrar com Donald Trump para explicar suas ações aqui. A servilidade também exige reconhecimento, sem dúvida, e algum afeto certamente virá em seguida.

A partir daqui, esse afeto é certamente excessivo e se manifesta de diferentes maneiras: em alguns casos, nomeando seus funcionários mais próximos como “embaixadores políticos” e, em outros, promovendo lacaios a cargos no exterior. Este último é o propósito por trás da promoção do Sr. Gonzales Olaechea a diretor da OIT.

A busca por esse cargo para Ministro das Relações Exteriores de Dina demonstra uma completa falta de preocupação. E esperar que essa nomeação seja “apoiada” pelos sindicatos é alimentar a ilusão de uma traição descarada. Qualquer líder sindical que se preste a tal esquema merece a condenação veemente dos trabalhadores.

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