Por Amílcar Morales
Foto: Carmen Esquivel
A exposição, que decorrerá durante todo o mês de julho, acontece no Club Unión de Santiago, construído em 1925 e declarado Monumento Histórico em 1981 pela combinação de uma tradição secular com a adaptação às mudanças sociais do país.
As paredes, colunas, janelas e teto do salão principal desse edifício emblemático ganham vida e mergulham o público nos momentos mais luminosos e mais sombrios de uma mulher capaz de transformar a dor em motivação para desenvolver uma obra que surpreendeu o mundo.
Em meio a música profunda e imagens típicas da cultura mexicana, como a Virgem de Guadalupe e a presença de povos indígenas, 130 obras de Frida desfilam, mostrando sua obsessão pela pintura e seu relacionamento conturbado com Diego Rivera.
A narração em primeira pessoa da atriz mexicana Diana Rojas-Feile ajuda a dar o toque indispensável de intimidade a momentos intensos, como o acidente de trânsito que interrompe irremediavelmente a vida da artista, mas que, ao mesmo tempo, a conduz ao universo da pintura.
Ela própria se torna o tema de sua obra, e deixa isso claro quando alguns amigos, incluindo André Breton, tentam classificá-la dentro do surrealismo, ao que ela responde: “Eu nunca pinto sonhos ou pesadelos. Eu pinto a minha própria realidade.”
As sequelas do acidente, seu casamento com Rivera, os anos difíceis vividos nos Estados Unidos, dois abortos espontâneos, infidelidades mútuas, a separação e o divórcio desgastaram seu corpo, e ela reflete isso com um realismo cru em suas pinturas.
Uma das mais emblemáticas é A Coluna Partida (1944), onde ele mostra o torso aberto expondo uma peça jônica quebrada em várias partes, enquanto pregos com pontas afiadas perfuram sua pele, simbolizando a dor.
Nos momentos mais complexos e pressentindo um fim não muito distante, Frida Kahlo pintou “O Cervo Ferido” (1946), onde sua cabeça está sobre o corpo de um exemplar dessa espécie, transpassado por inúmeras flechas.
Apesar de se casar com o prestigiado muralista pela segunda vez e de irem morar na famosa Casa Azul, no bairro de Coyoacán, na capital, ela tem plena consciência do preço que esse relacionamento custa.
Embora ele não apareça na exposição imersiva apresentada no Chile, vale a pena lembrar aquela declaração dele: “Sofri dois acidentes graves na minha vida: um foi o bonde, o outro foi o Diego. O Diego foi o pior de todos.”
Viva Frida Kahlo é uma produção do coletivo Projektil, em colaboração com a Immersive Art Ltd e a plataforma Fever, que está sendo apresentada pela primeira vez na América Latina, após sua bem-sucedida temporada em países europeus como Suíça, Alemanha, Bélgica e Áustria.