A declaração foi dada durante II Fórum de Investimentos União Europeia–Brasil, realizado na sede da ApexBrasil, em Brasília. O encontro teve como tema central o acordo Mercosul-União Europeia e reuniu representantes dos governos brasileiro e do bloco europeu, além de lideranças empresariais.
Ao longo das discussões, a mensagem predominante foi a de que a parceria entre os dois blocos pode se tornar um instrumento para fortalecer a competitividade, ampliar investimentos e impulsionar projetos industriais e tecnológicos.
Laudemir André Müller, presidente da ApexBrasil, destacou que o fortalecimento da relação ocorre em um momento de transformações na economia global.
“Ao mesmo tempo em que há turbulências internacionais, nós vemos ao mesmo tempo o Brasil bater um recorde de exportação, de atração de investimentos.”
Segundo ele, os resultados alcançados pelo país decorrem de uma estratégia baseada no diálogo e na cooperação internacional.
“Isso não se dá do acaso, não é por acaso que o Brasil tem esse desempenho, é por conta de uma decisão acertada, de um caminho que o Brasil trilha, talvez um caminho diferente de alguns outros países, que é o caminho do entendimento, o caminho da negociação, da abertura.”
O dirigente ressaltou que os investimentos europeus acumulados no Brasil já se aproximam de meio trilhão de dólares, mas avaliou que o potencial de crescimento é muito maior. Segundo ele, os parceiros internacionais brasileiros podem ampliar sua presença em áreas como data centers, infraestrutura digital e minerais críticos.
O tema dos minerais vem aparecendo repetidamente em discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros. Segundo Lula, o Brasil não pode repetir o que aconteceu com o ciclo do ouro, por exemplo, no qual o país foi apenas exportador de matéria-prima.
“Podemos caminhar juntos em um tema em que somos altamente complementares, o de minerais críticos”, disse Müller.
A busca por uma integração produtiva mais profunda também foi destacada pelo presidente do Conselho do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), José Pio Borges.
Para ele, as mudanças econômicas e geopolíticas em curso exigem mais cooperação entre países e blocos. “O mundo atravessa um momento de profundas transformações econômicas e geopolíticas”, afirmou. Segundo Borges, “isso exige integração, não isolamento”.