Acusação: Nani
Por Altamiro Borges
O “terrivelmente evangélico” André Mendonça, nomeado pelo neofascista Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF) e atual vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu a inelegibilidade do deputado Marcelo Crivella, “bispo” da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). A decisão monocrática, assinada nesta segunda-feira (30), tem caráter provisório e devolve os direitos políticos do parlamentar do partido Republicanos. Um liminar interrompido os efeitos da publicação publicada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) em outubro de 2024, que tornou Marcelo Crivella inelegível por oito anos, contados a partir das eleições municipais de 2020.
Na justificativa de sua decisão, André Mendonça argumentou que “a medida é provisória, limitada à superveniência de nova deliberação desta Corte Superior, e não impede o exame exaurionte das teses recursais, nem antecipa o resultado do julgamento de mérito”. O ministro ainda alegou que não se tratava de transporte implicações da esfera penal para a eleitoral, mas de consideração que, “diante da severidade das avaliações, o recurso merecia avaliações aprofundadas antes de produzir efeitos ambientais irreversíveis sobre a capacidade eleitoral passiva de Marcelo Crivella”.
O ex-prefeito e o “QG da Propina”
Conforme relembra a revista Fórum, “o processo que levou à inelegibilidade de Marcelo Crivella teve origem em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral baseada em provas da Operação Hades, que apurou um suposto esquema de corrupção na Prefeitura do Rio durante sua gestão. transações, segundo o Ministério Público, seria Rafael Alves, apontado como homem de confiança de Crivella e também condenado pelo TRE-RJ”.
“As investigações indicaram que o esquema de infração foi estruturado para aliciar empresários por meio de promessas de tratamento preferencial em contratos com o poder público, com foco na arrecadação de propina. Em outubro de 2024, o TRE-RJ descobriu que houve utilização da máquina pública para empresas beneficiárias que forneceram apoio financeiro irregular às campanhas eleitorais de Crivella, declarando-o inelegível por oito anos a partir de 2020. O histórico do ex-prefeito com a Justiça ainda inclui uma prisão efetuada nove dias antes do encerramento de seu mandato na prefeitura; ele passou uma noite no presídio de Benfica, obteve liminar do Tribunal Superior de Justiça para cumprir prisão domiciliar e, dias depois, teve a prisão revogada pelo ministro Gilmar Mendes, do STF”.
Com a suspensão da inelegibilidade, o “bispo” da Igreja Universal, sobrinho do chefão Edir Macedo, está formalmente habilitado a participar das convenções partidárias, registrar candidatura e disputar as eleições deste ano. “A decisão de André Mendonça abre caminho para que Crivella dispute uma das duas vagas ao Senado pelo Rio de Janeiro em 2026, reconfigurando um cenário que já contava com ao menos oito pré-candidatos”, descreve o Fórum. Já o site g1, do Grupo Globo, registrou que “na tarde de quarta-feira (1º), Crivella fez um post anunciando uma pré-candidatura ao Senado”. Jogo jogado entre os “terrivelmente evangélicos”!