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quarta-feira, 24 julho, 2024

Maduro: ‘Nossa Pátria não irá entregar a revolução em circunstância alguma’

VenezuelaDiário Liberdade – [Alejandro Acosta, de Caracas]
“Eu não irei entregar a nossa revolução em circunstância alguma. E quando digo eu, eu digo nós, digo nosso povo, digo nossa Pátria”, afirmou Maduro.

Foto: AVN

Resumo do discurso de Nicolás Maduro pronunciado no encerramento da sessão do Terceiro Congresso Extraordinário do PSUV (Partido Socialista Unido de Venezuela), que aconteceu na quinta-feira, 10 de dezembro de 2015.

“Estamos na presença de uma crise contrarrevolucionária”

Estamos na presença de uma crise contrarrevolucionária que já aconteceu em outros processos revolucionários e progressistas. Principalmente na Guatemala, com o golpe de Estado contra Jacobo Arbenz em 1954, que deixou um saldo de 300 mil mortos. O golpe de Estado no Brasil em 1964. Na Nicarágua, no dia 19 de julho de 1979, a FSLN [Frente Sandinista de Libertação Nacional] encabeçava a tomada do poder, mas acabou perdendo as eleições para a direita, que governou durante 17 anos, até Daniel Ortega ter voltado por meio das eleições. Vários outros processos também foram abortados, como o golpe de Estado sangrento em Chile, contra o governo de Salvador Allende, de 1973.

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Mussolini surgiu a partir do ascenso operário na Itália. Hitler surgiu do movimento operário dos anos de 1920.

Somos vítimas de um modelo de golpe contínuo. Essa direita se prepara para esse golpe.

No dia 10 de dezembro, eu ia para o Palácio Miraflores e me falaram que havia milhares de cidadãos impedindo a entrada pela porta principal. Me encontrei com os movimentos sociais em apoio à Revolução Bolivariana, com muito entusiasmo de luta.

O movimento popular está em assembleia permanente.

“Se esgotou o modelo rentista petroleiro”

Se esgotou o modelo rentista petroleiro e o aumento da produção. Mas o novo modelo não foi colocado em pé.

Neste ano, a queda dos ingressos em dólares foi de 68%. O preço do barril caiu para US$ 30 no dia 10 de dezembro. Nenhum dos programas sociais foi parado. Foram pagos US$ 14 bilhões da dívida pública. No ano passado, foram US$ 13 bilhões.

Temos problemas no mercado financeiro, por exemplo, em relação ao refinanciamento. Há três anos que a Venezuela não consegue refinanciar a dívida por causa do risco país imposto pelas agências de risco.

Em outubro do ano passado, pagamos US$ 5,2 bilhões. Apesar de termos pago, aumentaram o nosso risco.

Têm havido os ataques contra a nossa moeda.

Boicote interno da distribuição, comercialização e preços. Houve o caso escandaloso dos ovos, mas isso acontece em todos os setores para destruir o modelo da Revolução Bolivariana. É uma luta de classes entre a elite anti pátria e o povo.

Mas também há a burocratização e a corrupção que tem sofrido a nossa liderança perante o nosso povo.

“A direita acha que, a partir da Assembleia Nacional, irá privatizar Venezuela. Eu não irei permitir isso como chefe de Estado.”

Agora a direita tentará dar o golpe contra a pátria. De acordo ao poder, a MUD está dividindo o poder.

A direita quer privatizar a PDVSA, botar uma boa parte dos trabalhadores na rua e entregar as empresas públicas para os grandes capitalistas. Os três milhões de aposentados seriam um peso muito grande para o país.

Aconteceram ataques no setor elétrico. Houve a tentativa de assassinatos por bandas criminosas.

A direita acha que, a partir da Assembleia Nacional, irá privatizar a Venezuela.

Eu não irei permitir como chefe de Estado. Mas chamo a todas as forças revolucionárias a resistir.

“Nós estamos burocratizados”

Precisamos renovar muitas coisas. O primeiro é a economia.

Há muitas críticas ao governo nos métodos de funcionamento. Eu quero propostas.

Precisamos ter uma metodologia de trabalho e de controle, seguimento contínuo.

O espontaneísmo e a improvisação é o mais anti-chavista que há.

O que devemos fazer para impulsionar a economia?

Ainda temos pendente a fundação de 400 bases de projetos sociais. Mas precisamos ampliá-las para mais de 1.000. Ao Poder Popular, ao GPP e ao PSUV lhe cabe acompanhá-las e fazê-las eficientes e autossustentáveis.

Economia, governo popular e Partido. A direção nacional e as direções regionais colocaram os cargos à ordem para imediatamente reativar as direções.

Direção coletiva com visão revolucionária, sem métodos burocráticos. Consultar as UBCHs (Unidades de Base Chavistas).

Há uma crítica do nosso povo a uma atitude sectária, ‘hegemonizista’, egocêntrica, em primeiro lugar nos chefes do Partido e do Estado. Os que chegam ao poder pretendem se favorecer. Há uma visão colonialista do movimento popular, que é usado para interesses próprios.

Precisamos de humildade, inclusive das críticas mais duras. Precisamos retomar os ensinamentos de Chávez para irmos à retomada do ímpeto revolucionário. As três R’s ao quadrado devem ser assumidas como matriz de trabalho: Revisão, Retificação e Reimpulso. Repolarizar (que o povo veja os inimigos e os amigos verdadeiros), Repolitizar a gestão e a ação para o objetivo maior, a Reunificação. Hoje estamos mais unidos na luta.

Exemplos de burocratismo na entrega dos tablets para os universitário e na entrega dos taxis.

Há uma burocratização e elitização. O poder de liderança do povo tem se desgastado.

“Esta é uma revolução democrática e pacífica, precisamos do poder eleitoral”

A política é comunicação, mas temos setores cinzas onde não nos comunicamos.

Nós temos o poder do Partido, do GPP e dos movimentos sociais. Mas como esta é uma revolução democrática e pacífica, precisamos do poder eleitoral, permanentemente renovado. Precisamos provocar um conjunto de ações políticas e de liderança para levarmos o processo a uma supremacia de 60-40%, com a nossa superioridade novamente.

Precisamos de uma nova liderança de base.

A falta de distribuição do nosso jornal, o 4F, é mais um sintoma do nosso burocratismo. Precisamos de uma nova prática política. Eu tinha o sonho de ter dez mil distribuidores do jornal, que vivam dele, que o levem às famílias, ao povo.

O trabalho político é a escola. Nós estamos burocratizados.

“Precisamos mudar o discurso político para combater o antichavismo, a propaganda da direita”

A direita baseia sua campanha política no marketing. A nós em janeiro nos pegaram com as filas. A Cristina Kirchner lhe provocaram uma emboscada acusando-a de participação num assassinato [caso Nisman]. Ataques contra mim, contra Diosdado [Cabello], contra os governadores. E depois vão desmoralizando o restante do país.

A direita não diz que é de centro-direita. Todos dizem que são de centro-esquerda e, uma parte, até chavista. Eles até falaram que Chávez era bom, que o ruim era Maduro. Enquanto isso, nós ficamos com o discurso antigo.

Precisamos dizer as verdades para que cheguem ao povo. Precisamos mudar o discurso político para combater o antichavismo, a propaganda da direita.

As demonstrações de intolerância após a derrota eleitoral foram mínimas.

Precisamos renovar a nossa comunicação, o discurso, a forma, o conteúdo, os meios. Na campanha, deixamos de fazer o trabalho com as nossas próprias mãos. Contratamos para fazer os materiais, para levá-los, para colá-los. Isso é muito indicativo. Em vários lugares que eu cheguei, não havia cartazes nas ruas.

“A tragédia de Bolívar não deve se repetir para que venham 200 anos de dominação imperialista”

“Não é tempo de coabitação com a burguesia e a dominação fascista, nem com o imperialismo”

Hoje, 10 de dezembro [de 2015], estamos fazendo 185 anos da última proclama do Libertador Simon Bolívar, ditada em Santa Marta. Ele sabia que estava no final. Tínhamos perdido Sucre e não tínhamos um exército para defender a luta pela libertação: “Meus inimigos abusaram da vossa credulidade e afetaram o que é mais sagrado, meu amor à Pátria e minha imagem. … Eu os perdoo.” Quantas traições. Mas o nosso exército não foi destruído, está intacto. Temos o nosso Partido, o Poder Popular, o nosso trabalho nos movimentos sociais.

Em 1812, Bolívar disse: “É preciso que o governo se identifique com o caráter das circunstâncias e dos homens que o rodeiam. … Mas se são calamitosos e turbulentos, eles devem amar-se para enfrentá-los e armar-se de uma firmeza igual aos perigos”. Não é tempo de coabitação com a burguesia e a dominação fascista, nem com o imperialismo.

29 anos depois, 10 de dezembro de 1859, de novo o caminho da vitória. Em Santa Inés, veio a vitória contra a ditadura de Paes. Mas, 30 dias depois, se perdeu a vitória novamente, até o triunfo da Revolução Bolivariana.

O 4 de fevereiro 1992 [tentativa de golpe de Estado liderada por Hugo Chávez] tem um espírito. O 13 de abril de 2002 [golpe de Estado promovido pela direita contra o governo eleito de Hugo Chávez] tem um espírito, que se soma ao 27 de fevereiro de 1989 [Caracazo]. Nós somos os filhos dessas datas. E como filhos da história precisamos nos preparar com paciência e perseverança. A Pátria não se entrega. Seria uma traição.

A tragédia de Bolívar não deve se repetir para que venham 200 anos de dominação imperialista. Devemos ir ao encontro da nova história que deve despertar um novo tempo.

Vamos a novas batalhas com o espírito. Triunfar, triunfar, triunfar pelo povo da Venezuela.

“Criar o ‘plano da contraofensiva revolucionária’ para o próximo ano, nos terrenos econômico, político, militar”

Eu pedi ajuda ao GPP e ao movimento popular. Eu peço ao povo. Eu estou pensando na reestruturação para que seja um necessário de renovação conectado com as necessidades do país.

Agenda estratégica para a contraofensiva revolucionária que considere o governo, o Partido, os movimentos populares e a comunicação.

Eu não irei entregar nossa revolução sob nenhuma circunstância. E quando digo eu, eu digo nós, digo nosso povo, digo a Pátria.

Propostas:

0 –

A partir de janeiro, um novo modelo de eficiência das ruas para 2016, 2017, 2018.

1 –

Economia:

Na quarta-feira, 16 de dezembro, criar o Congresso Econômico Socialista para o Desenvolvimento Produtivo, que decidimos no Congresso passado, mas ficou no papel. O objetivo seria instalar um Conselho Econômico para combater a guerra econômica e também combater a burocracia e a corrupção.

2 –

O mercado comunal foi tomado com uma visão assistencialista ao invés de ter sido uma visão produtiva.

3 –

Precisamos de uma nova forma de produção que rompa com a renda petroleira.

A Venezuela está em boas condições para ser um país exportador.

É preciso impulsionar um desenvolvimento industrial próprio agora, que quebre com a renda petroleira.

4 –

Na quinta-feira, 17 de dezembro, com um documento elaborado após consulta com as bases do PSUV, as UBCHs e o Poder Popular, vamos trazer propostas concretas com a nova metodologia [para uma nova sessão extraordinária do PSUV].

Alejandro Acosta é cientista social, colaborador do Diário Liberdade e escreve para seu blog pessoal.

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