“Queremos um Mercosul mais moderno, mais dinâmico e ainda mais aberto ao mundo. Mas, acima de tudo, um Mercosul que produza resultados concretos para seus cidadãos”, afirmou ele na reunião em que recebeu a coordenação do grupo de seu homólogo, Santiago Peña, na cidade paraguaia de Luque.
Ele salientou que os acordos comerciais só adquirem significado real quando se traduzem em crescimento econômico, investimento, emprego e novas oportunidades para a população.
Orsi destacou que a assinatura do acordo de parceria estratégica entre o Mercosul e a União Europeia representa um dos marcos mais importantes da história do bloco.
Trata-se de um ponto de virada que fortalece a integração econômica, expande a cooperação política e abre oportunidades para investimento, comércio e desenvolvimento, enfatizou ele.
Ele afirmou que uma das prioridades do Uruguai será avançar na implementação dos acordos recentemente concluídos, com especial atenção ao Acordo Comercial Interino com a União Europeia e ao acordo com os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA).
Ele também anunciou a intenção de realizar a primeira reunião do Conselho de Comércio do Acordo Interino e de convocar o primeiro Fórum Empresarial Mercosul-União Europeia, com o objetivo de promover o investimento e fortalecer a ligação entre os setores público e privado.
Além disso, informou que serão envidados esforços para finalizar as negociações com o Canadá e os Emirados Árabes Unidos, bem como para avançar nos acordos comerciais com a Índia, o Vietname e o Japão, fortalecendo também os laços regionais através da Associação Latino-Americana para a Integração (ALADI).
“Abrir-se para o mundo não significa distanciar-se da região, mas sim fortalecê-la”, disse ele.
Por sua vez, Peña celebrou o 35º aniversário do Mercado Comum do Sul, mas apontou críticas às assimetrias que continuam sendo ignoradas no bloco sul-americano.
“Não há dúvida de que houve avanços e progressos muito importantes, mas persiste a sensação de que ainda temos um longo caminho a percorrer”, disse o líder paraguaio.
“Para o Paraguai, este acordo tem um significado diferente: somos um país sem litoral e essa condição nos impõe custos logísticos muito maiores do que a qualquer outro membro do bloco”, enfatizou.
O presidente paraguaio questionou o acordo existente entre o Mercosul e a União Europeia.
Qual é o sentido de um acordo de livre comércio que reproduz as assimetrias existentes em vez de corrigi-las? Quando falamos de quotas, não estamos pedindo privilégios, estamos pedindo justiça. Tenho certeza de que juntos podemos superar essa desigualdade”, disse ele.
Os presidentes do Brasil e da Bolívia, países que fazem parte do bloco, também participaram da reunião. O presidente argentino, Javier Milei, esteve ausente.
Também estiveram presentes os líderes do Equador e do Chile, Daniel Noboa e José Antonio Kast, que posteriormente visitaram o Uruguai.
Com a presidência pro tempore, o Uruguai soma a da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, do Grupo dos 77 e China, e do Consenso de Brasília.