O primeiro-ministro Ariel Henry declarou três dias de luto em todo o país, em memória das vítimas da tragédia – Valerie Baeriswyl / AFP
O acidente ocorreu em uma área populosa de Cabo Haitiano, depois que um caminhão capotou e vizinhos tentaram saqueá-lo
O número de mortos após a explosão de um caminhão-tanque carregando gasolina no norte do Haiti subiu para 75, de acordo com as autoridades locais, no mais recente desastre que atingiu o país caribenho.
O vice-prefeito de Cabo Haitiano, Patrick Almonor, afirmou em um comunicado que o número de mortos na explosão aumentou para 75. “O que aconteceu é terrível. Perdemos muitas vidas”, disse ele.
No Twitter, o primeiro-ministro Ariel Henry declarou: “serão decretados três dias de luto em todo o território nacional, em memória das vítimas desta tragédia sofrida por toda a nação haitiana”.
Henry também afirmou que seu governo implantará hospitais improvisados na área do acidente para ajudar as pessoas afetadas.
Na ONU, o porta-voz Stephane Dujarric falou sobre a tragédia.
“Nos unimos aos nossos colegas de lá [do Haiti] para expressar nossos mais profundos pêsames e nossa solidariedade ao povo haitiano, após a explosão de um caminhão-tanque de gasolina durante a noite [anterior] na cidade de Cabo Haitiano, no norte do país”, disse ele.
A explosão ocorreu quando dezenas de pessoas se reuniram ao redor do caminhão-tanque virado para coletar o combustível derramado.
Os hospitais da cidade viram superada sua capacidade de receber os feridos no acidente.
Uma enfermeira do Hospital da Universidade Justinien disse a um veículo de imprensa que eles não tinham capacidade para atender “aquele número de pessoas gravemente feridas (…) Receio que não seremos capazes de salvar a todos”.
“Precisamos de recursos humanos e também de recursos materiais, especificamente soro, gaze e qualquer coisa que possa ser usada para queimaduras graves”, disse a prefeita de Cabo Haitiano, Yvrose Pierre.
Almonor explicou que a detonação ocorreu depois que o caminhão capotou na madrugada desta terça-feira na área de Samaria, na entrada leste da cidade, e dezenas de pessoas se aproximaram para tirar combustível.
“Os moradores locais aglomeraram-se em volta do caminhão quando ocorreu a explosão”, disse Almonor.
Os feridos, muitos com lesões que comprometem a sua vida, foram imediatamente levados para hospitais próximos. Uma imagem publicada por um jornal local mostra dezenas deles sendo atendidos no pátio do principal hospital da cidade (Justinien).
O diretor do hospital, Dr. Calhil Turenne, explicou que foi preciso atendê-los do lado de fora devido à falta de espaço e ao fato de sua equipe estar sobrecarregada com o número de feridos que recebeu e com a falta de soro, gaze e outros recursos.
A situação é igualmente tensa no Hospital da Convenção Batista do Haiti, onde um número desconhecido de feridos é tratado, segundo seu diretor, Dr. Euclide Toussaint.
O presidente da comissão municipal, Yvrose Pierre, declarou à mídia que é necessário ajuda urgente para atender aos sobreviventes. Já o delegado departamental, Pierrot Augustin, afirmou que a cidade não estava preparada para uma tragédia dessa magnitude.
Segundo a mídia, várias autoridades locais estão presentes no local do incêndio para quantificar os danos, enquanto os corpos continuam aparecendo.
Há vários meses, o Haiti tem enfrentado um grave déficit de combustível que afetou o custo de vida das pessoas. Essa situação tem sido aproveitada pelo crime organizado para sequestrar caminhões-tanque e vender seu conteúdo a preços exorbitantes.
Por meio de um tweet do Chanceler Bruno Rodríguez, o governo de Cuba expressou seus pêsames pela tragédia ocorrida no país caribenho.
“Transmitimos nossas mais sinceras condolências ao povo e ao governo do Haiti pela perda de vidas humanas e ferimentos causados pela explosão de um caminhão-tanque na cidade de Cabo Haitiano. Nossos sentimentos aos familiares e amigos das vítimas”, diz a mensagem.



