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domingo, 14 junho 2026

Fascismo, ódio e violência (I)

Emiliano José

O fascismo tem muitas caras.

Nenhuma delas, bonita.

Violência e ódio, duas delas.

Cultivadas.

Diria: o capitalismo necessita de uma e de outra – irmãs siamesas.

Pode não se valer delas, mas em muitas ocasiões, quando de convulsões econômicas do modo produtor de mercadorias, não vacila em usá-las.

O fascismo surge, não por acaso, num momento de crise profunda do capital, logo após a Primeira Guerra Mundial.

Em meio aquela turbulência, mobilizou as massas italianas, entorpecidas diante da natureza vulcânica de Mussolini, ex-socialista, contemporâneo de Gramsci no PSI.

Fascismo teve apoio de massas, não nos enganemos.

Mas afinal, o que é fascismo? | Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo

Como o nazismo, sob Hitler.

Lembrar nossa conjuntura, entre 2016 e 2023 e mesmo hoje, às vésperas de uma eleição decisiva, e uma parte significativa do nosso povo apoia um representante do fascismo, neste caso uma nulidade de pensamento.

O mestre Muniz Sodré, em artigo essencial na Folha de S. Paulo de hoje, 14/6/2026, a propósito do fenômeno, sentencia:

“Resta o recado oculto: sem nada dizer, erige-se como totem de uma espécie humana atormentada pela falta de esperança, vulnerável ao marketing do nada”.

Não se pretende, porque impróprio, igualar períodos históricos, muito menos lideranças. Quis apenas não deixar de lado tão oportuna reflexão de Muniz Sodré, analisando a situação brasileira, atormentada pela ação da extrema-direita, liderada por uma família obtusa, e ainda assim contando com apoio tão expressivo, apoio que Mussolini vê crescer aceleradamente em 1920/1921

Na crise italiana, o Fasci di Combattimento, a partir daqueles anos, ganha multidões de adeptos.

O que é fascismo?

Nas reflexões de Mussolini, “na bolsa de valores dos miseráveis, estão trocando o metal pesado da angústia pela apreciada moeda do ódio mortal”.

Ódio em troca do medo.

Tudo isso revelado por Antonio Scurati, n’O filho do século’, notável livro sobre Mussolini.

“Toda vez que um grupo fascista queima uma bandeira vermelha na praça, centenas de pequeno-burgueses fazem fila nas sedes dos Fasci di Combattimento”.

O efeito é de uma avalanche.

O fascismo se difunde com a progressão de um contágio – comemora Mussolini no último dia de 1920.

Basta uma colheita ruim para difundir o pânico.

– Que coisa maravilhosa é o pânico, essa parteira da história!

Ódio em troca do medo: novos fascistas eram todos pessoas que “até ontem” tremiam de medo da revolução socialista, “gente que vivia de medo, comia medo, bebia medo, deitava-se na cama com medo”.

Agora, ódio em troca do medo.

Difundir o ódio e o medo, espalhar o pânico, eram armas essenciais do fascismo.

Eram?

#odioviolenciafascisno

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