A insolvência do governo dos Estados Unidos não é exagero retórico, mas realidade contábil confirmada pelos próprios relatórios do Tesouro para o exercício fiscal de 2025: ativos de US$ 6,06 trilhões contra passivos de US$ 47,78 trilhões.
Quando se incluem as obrigações não financiadas de programas sociais, como Previdência e Medicare, o rombo alcança US$ 136,2 trilhões — aproximadamente cinco vezes o Produto Interno Bruto anual do país.
Enquanto a grande imprensa ignora solenemente esses documentos, o Government Accountability Office emite, pelo vigésimo nono ano consecutivo, parecer de ressalva sobre a fidedignidade das contas federais, evidenciando falhas crônicas de gestão, sobretudo no Departamento de Defesa.
Traduzindo esses números para a linguagem do cotidiano, a situação assemelha-se a uma família que aufere US$ 52 mil anuais, gasta US$ 73 mil e acumula dívidas superiores a US$ 1,3 milhão.
Essa deterioração acelerada — quase US$ 2 trilhões apenas entre 2024 e 2025 — revela um modelo fiscal insustentável, no qual o crescimento da dívida e dos juros a pagar consome recursos que deveriam ser destinados a investimentos sociais e infraestrutura.
A ausência de debate público qualificado sobre esse colapso iminente sugere que as elites políticas e midiáticas preferem adiar o inevitável, transferindo o ônus para as futuras gerações.
Nesse contexto de caos financeiro, conflitos armados assumem função de entretenimento estratégico, desviando a atenção coletiva. Antes de anúncios presidenciais sobre negociações com o Irã, investidores privilegiados movimentaram US$ 580 milhões em contratos de petróleo, lucrando com a volatilidade artificialmente provocada.
A guerra, assim, transforma-se em espetáculo midiático e instrumento de acumulação financeira, enquanto populações vulneráveis, como nas Filipinas, enfrentam emergência nacional devido à disparada dos combustíveis, com o diesel dobrando de preço e protestos massivos eclodindo nas capitais.
A pressão sobre nações do Golfo para integrarem o conflito ilustra como o imperialismo terceiriza riscos: enquanto Estados Unidos e Israel conduzem bombardeios, espera-se que aliados regionais arquem com os custos humanos e materiais, apesar de suas infraestruturas críticas — dessalinização, energia, portos — estarem ao alcance de retaliações assimétricas.
O envio de unidades expedicionárias e a cogitação de ocupação de ilhas estratégicas no Estreito de Ormuz parecem mais gestos simbólicos do que operações militarmente decisivas, reforçando a tese de que a beligerância serve, antes, para manter mercados aquecidos e narrativas de poder do que para alcançar objetivos geopolíticos claros.
Diante desse quadro, urge reconhecer que a crise fiscal estadunidense e a instrumentalização de conflitos não são fenômenos isolados, mas faces de um mesmo modelo em esgotamento.
Propostas como a criação de uma comissão fiscal bipartidária ou emenda constitucional que limite o crescimento dos gastos federais representam caminhos técnicos possíveis, mas dependem de vontade política hoje ausente.
Sob uma ótica descolonizada, cabe questionar por que nações do Sul Global devem continuar subordinando suas economias e soberanias a um centro imperial que, incapaz de ordenar suas próprias finanças, exporta instabilidade sob o véu de “segurança global”.
Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies.
This website uses cookies to improve your experience while you navigate through the website. Out of these, the cookies that are categorized as necessary are stored on your browser as they are essential for the working of basic functionalities of the website. We also use third-party cookies that help us analyze and understand how you use this website. These cookies will be stored in your browser only with your consent. You also have the option to opt-out of these cookies. But opting out of some of these cookies may affect your browsing experience.
Necessary cookies are absolutely essential for the website to function properly. These cookies ensure basic functionalities and security features of the website, anonymously.
Cookie
Duração
Descrição
cookielawinfo-checkbox-analytics
11 months
This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics".
cookielawinfo-checkbox-functional
11 months
The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional".
cookielawinfo-checkbox-necessary
11 months
This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary".
cookielawinfo-checkbox-others
11 months
This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other.
cookielawinfo-checkbox-performance
11 months
This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance".
viewed_cookie_policy
11 months
The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data.
Functional cookies help to perform certain functionalities like sharing the content of the website on social media platforms, collect feedbacks, and other third-party features.
Performance cookies are used to understand and analyze the key performance indexes of the website which helps in delivering a better user experience for the visitors.
Analytical cookies are used to understand how visitors interact with the website. These cookies help provide information on metrics the number of visitors, bounce rate, traffic source, etc.
Advertisement cookies are used to provide visitors with relevant ads and marketing campaigns. These cookies track visitors across websites and collect information to provide customized ads.