Havana (Prensa Latina) Quando a maioria dos países assinou o Acordo de Paris na reunião das Nações Unidas sobre mudanças climáticas em 2015 para desacelerar o aquecimento global, causado, entre outros fatores, pela indústria petrolífera, Cuba já planejava gerar eletricidade com fontes renováveis.
A energia solar, eólica e de biomassa, como principais fontes a serem instaladas, representam uma esperança de soberania energética para
uma ilha localizada no coração do Caribe. A meta era que 24% da geração de eletricidade viesse dessas fontes até 2030.
A jornada, que pareceu tão longa, foi repleta de tudo: a espera para finalizar os melhores projetos, considerando os altos custos da tecnologia, e uma longa janela de oportunidade para a mudança necessária, já que o petróleo ainda podia ser importado. No início de 2025, apenas 265 MW haviam sido instalados.
Naquele ano, foram instalados mais mil MW, numa altura em que Cuba já sofria com um dos piores episódios de crise de escassez de combustível dos últimos anos, a partir do final de 2024.
A elevada dependência do país em relação aos combustíveis fósseis representa um risco para a sua segurança nacional. A necessidade de uma transição é evidente, e as condições existem, afirmou Ramsés Montes, Diretor de Estratégia Energética do Ministério de Energia e Minas, à Prensa Latina.
Planejado em três etapas, o primeiro busca alcançar um cenário de soberania combinando o uso do petróleo bruto nacional e do gás natural que o acompanha, destinado às usinas da Energás, empresa cubano-canadense que o processa para uso culinário, principalmente em Havana, e também para as usinas termoelétricas do país; o restante, com fontes renováveis.
As duas primeiras, embora não cubram toda a demanda, contribuem com mais de 50% da matriz nacional de geração de eletricidade, e a outra parte é obtida com fontes renováveis.
O ideal seria eliminar os apagões causados pela escassez de combustível e chegar a um cenário em que não dependamos deles, afirmou o especialista, que está na vanguarda dessa atividade desde o seu início.
Após a instalação de 45 Parques Solares Fotovoltaicos (PSF) espalhados por todo o país, que já contribuem com 1.284 MW, cada um com 21,8 MW, estamos operando com uma alta participação da energia solar, que ao meio-dia atingiu 50%, explicou o engenheiro eletricista.
O aumento de 1.000 MW garantiu que o sistema continue a funcionar e que os números sejam semelhantes ao nível de desempenho previsto para 2030.
No entanto, outros problemas surgem da alta dependência da energia solar. Países que utilizam essa tecnologia com mais frequência podem enfrentar problemas com o funcionamento de suas redes elétricas devido às variações na cobertura de nuvens.

Na Europa, por exemplo, essas usinas são interligadas e, durante uma flutuação de frequência, outra usina pode receber suporte e equilibrar o sistema. Mas em nossa ilha, isso não é possível, e a situação se torna muito mais complexa, explicou o funcionário.
Para proteger o sistema, certas subestações possuem dispositivos de proteção que desconectam a carga, removendo um reator, quando a frequência se desvia dos parâmetros normais, e então restabelecem o circuito ao normal. Assim que o sistema é restaurado, o circuito é reconectado, explicou ele.
Nossas usinas termelétricas, que fornecem geração de base, deveriam ser flexíveis por projeto, aumentando automaticamente a geração para compensar variações e mitigar seus efeitos. No entanto, isso não é possível devido ao seu envelhecimento e à incapacidade de fornecer a manutenção necessária. Portanto, elas não contribuem para alcançar a estabilidade do PSF (Fator de Estabilidade do Setor).
A estratégia, portanto, é utilizar o armazenamento em baterias. Atualmente, e durante o primeiro semestre do ano, o país está instalando 200 MW em quatro locais que contribuem com 50 MW cada: dois em Havana e dois nas províncias orientais de Holguín e Granma. Esses locais terão autonomia de uma hora de armazenamento de energia.
Quando há forte cobertura de nuvens, essa variação afetará o serviço, e antes que isso aconteça, em um nível reduzido, essas baterias fornecem 100 MW. Dessa forma, esses picos de frequência diminuem ou são eliminados.
Nesse processo, as baterias são mais rápidas do que as baterias termoelétricas; elas entram em ação para dar suporte à energia solar fotovoltaica e proporcionar estabilidade.
Atualmente, não podemos armazenar energia durante o dia porque ainda há um déficit, explicou o executivo. As baterias agora são usadas apenas para estabilizar o sistema contra variações de frequência causadas pela cobertura de nuvens.
Segundo Montes, o país continuará a crescer em energia solar fotovoltaica e chegará o momento em que o impacto do meio-dia será eliminado.
Assim que a demanda for atendida, instalaremos mais baterias, capazes de armazenar energia por quatro a seis horas, afirmou ele.
Ao cair da noite, utilizaremos essas baterias, que representam a energia solar acumulada ao meio-dia. Isso nos permitirá concluir a primeira etapa da transição.
Portanto, caro leitor, de agora em diante e para sempre, tudo o que res


