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terça-feira, 27 outubro 2026

Duas revoluções no 25 de Outubro: 1917 e 2026, Lênin e Lula se encontram barrando a barbárie.

Emiliano José

Foto: Ricardo Stuckert

De Fevereiro a Outubro

Reprodução

Dizia ontem: não será tão rápida uma compreensão abrangente do significado da vitória de Lula nessa data, já histórica, de 25 de Outubro de 2026, já grafada em maiúsculo, por merecimento. Nossa Revolução de Outubro, e digo assim, buscando na memória a grande Revolução de Outubro apenas juntando mobilizações, intensa participação popular, característica das duas datas.

Naquele 25 de Outubro de 1917, vejam, também um 25 de outubro, parece uma data mágica,  com Lênin à frente, impulsionando uma classe operária capaz de realizar a primeira revolução operária da história. Depois daquela revolução, o mundo não seria mais o mesmo, independentemente das idas e vindas do processo revolucionário e da própria Revolução Russa.

Comparações são sempre delicadas quando consideradas situações  históricas. Mas olhando a data, me senti tentado, e ao expor tal tentação talvez provoque alguma leitura daqueles ainda sem conhecimento do amplo significado da Revolução Socialista de 25 de Outubro de 1917. Para compreender o século XX, considero essencial uma compreensão ao menos aproximada sobre os acontecimentos envolvendo a Rússia czarista e o papel dos bolcheviques, a redundar na sequência na URSS.

Muito das transformações ocorridas no âmbito do próprio capitalismo, como o surgimento do Estado de Bem-Estar Social, decorreram do impacto daquela extraordinária Revolução. As melhorias nas condições de vida dos trabalhadores, na Europa e em tantas partes do mundo sob  o modo de produção capitalista, aconteceram face ao medo dos dirigentes do capital.

Melhor entregar os anéis, preservar os dedos. O medo da revolução obrigou o modo produtor de mercadorias a fazer algumas concessões. E foi ela também a entusiasmar o movimento revolucionário mundo afora. Creio prudente parar por aqui, e mergulhar na nossa Revolução de Outubro, e alerto aos críticos apressados não ter pretendido, com a expressão, estabelecer equiparação entre um e outro episódio.

É metáfora ajudada pela coincidência da data e pelas impressionantes mobilizações, lá e cá, a mostrar, no caso brasileiro, o quanto há de energia revolucionária em amplas parcelas do nosso povo.

Depois de um primeiro turno morno, marcado por uma pauta lavajatista andremendoncista e de alguma maneira pela inação e quem sabe superestimação das próprias forças pelas hostes políticas de esquerda, o gigante acordou no segundo turno, levantou-se, e mostrou que maiores são os poderes do povo.

Amplos contingentes sociais não contaminados pelo pensamento bolsonarista, ancorados nos velhos e renovados sonhos de uma sociedade democrática, capaz de abraçar todos os brasileiros, e de modo especial, os mais pobres, mostraram disposição de luta, capacidade de compreensão do risco enorme do fascismo.

Não exatamente como em 25 de Outubro de 1917, porque a liderança não foi exatamente, ao menos como elemento principal, da classe operária, até porque o proletariado hoje é outro, distinto daquele dos tempos bolcheviques e até daquele liderado por Lula a partir do final dos anos 1970, início dos 1980.

 Foi movimentação nitidamente pluriclassista, a envolver a juventude universitária e secundarista como uma espécie de ponta de lança de todo o movimento, ao menos no primeiro e fundamental momento, quando nas universidades e colégios se acendeu o rastilho de pólvora.

Aí a classe trabalhadora foi despertada, as camadas médias se movimentaram, a cultura se fez presente, os artistas botaram a cara a tapa, os mais variados movimentos sociais mergulharam na luta, jovens, idosos, diabo a quatro, e as ruas foram ocupadas por todo o País em mobilizações de dimensões jamais vistas.

Havia, nesse colorido, dinâmico movimento a profunda consciência do significado do fascismo, se já disse, insisto. Era necessário um grito forte, à Dolores Ibarurri: “Não passarão”. Foram as ruas neste caso a  barrar as forças da barbárie, e aqui, diferentemente de Espanha, onde Franco venceu e instalou o regime de terror, conseguimos a vitória maiúscula.

Houve comoventes encontros de gerações e aproximação de épocas. Inegável, e necessário ser destacado, a capacidade de a mobilização ter se dado, também e de modo destacado, pelas redes sociais. Meu filho, Teodomiro, sempre me alertou, e isso há mais de uma década, do nosso atraso em relação às redes sociais, nossa incapacidade de lidar com elas, contrariamente à capacidade da extrema-direita. A chegada de André Janones, o incrível exército midiático organizado por ele, representou, junto com as ruas, irmãos siameses, fator absolutamente decisivo para a vitória. Chegamos ao novo milênio, e com uma extraordinária vitória.

Viva o 25 de Outubro de 1917!

Viva o 25 de Outubro de 2026!

Viva Lênin!

Viva Lula!

Viva o povo brasileiro!

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