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terça-feira, 27 outubro 2026

A democracia digital vai às ruas

Foto: Reprodução

Adilson Roberto Gonçalves*

Para a vitória de Lula no segundo turno nas apertadas eleições presidenciais de 2026, conquistamos as ruas, depois as redes e, por fim, as urnas. A aventura cibernética angustiante, atrasada em pelo menos dez anos, revelou que a revolução moderna será digital ou não será. Isso dito sem falsos alarmismos, pois, no âmago da democracia, nem bytes substituem as pessoas, nem bits nos mordem.

Porém, como contraponto, as ferramentas internéticas se incorporaram ao protagonismo político sendo, assim, o momento de atualizar as táticas e técnicas de se chegar o mais próximo possível ao socialismo. Uma necessidade inequívoca, agora, é a regulação das big techs, fundamental para a defesa do Estado Democrático de Direito. Nossa meta não poder ser a “Meta”.

Enquanto isso, seguimos com as regras existentes. O engajamento necessário para operar tais ferramentas não é tarefa simples. O próprio Exército do Lula, criado e convocado pelo deputado André Janones e uma das ações fundamentais para a virada eleitoral, já teve baixas, mesmo com todos os avisos e apelos de que a mobilização agora deve ser perene. No dia da eleição éramos 10,8 quase 10,9 milhões, agora estamos ficando abaixo de 10,6 milhões. Ou seja, quase 300 mil pessoas a menos em 48 horas.

Passamos a entender que essa atividade é um movimento orgânico. O sentido de vida que o termo orgânico traz ficou explícito. Não somos robôs pagos e impulsionados. Claro que entender o algoritmo e revelar para todos o “segredo” da visibilidade dada às publicações e ao engajamento fará com que o inimigo mude suas estratégias. Ao menos, agora, sabemos com que armas lutamos. Precisamos aperfeiçoar seu manejo. Os bolsonarentos pregavam o livre acesso às armas físicas enquanto, na surdina, alimentavam-se também das armas cibernéticas.

Fomos às ruas e às redes e reconhecemos que é o momento da construção de novas lideranças que unam a jovialidade dos campeões de voto com a experiência de outros, dos que batalharam até aqui para construir o mínimo de civilidade social a que chegamos. Não há fórmula pronta, pelo que constatamos, pois vimos muitos de nossos expoentes não conseguirem se eleger. Nomeio um deles, o comandante José Dirceu, que, com toda sua história de militância, obteve apenas 78.450 votos para deputado federal por São Paulo e ficará apenas na sexta suplência do PT.

Minha proposta é que, nos próximos dias, adentremos o exercício constante da democracia digital por meio de eventos periódicos para engajamento. Seria uma boa fórmula para manter a tropa alerta e unida, tal qual é a estratégia de exércitos reais. Por trás da “ordem unida” dos quartéis, em que soldados apenas marcham, cantam hinos, fazem atividades físicas, etc, está toda uma concepção ideológica de manter uma comunicação homogênea e hegemônica para que, quando chamados, poderem atender de forma rápida às demandas. No grupo digital a resposta é no silenciamento nas postagens dos adversários e no engajamento coordenado das informações de nosso campo.

Até aqui são reflexões, mais do que diretrizes. Assim estamos em contínua discussão política, preservada com o resultado eleitoral, por mais que haja grupos do campo progressista ou de esquerda que entendam que o governo atual apenas reproduz uma associação indevida com grupos liberais avessos a reais conquistam sociais. Pode ser que haja fundamentos nessa concepção e ainda bem que podemos divergir.

*Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp e membro de instituições culturais do interior paulista.

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