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Sputnik – O extremo norte do globo vê novas rotas marítimas se abrindo com o derretimento da camada de gelo do Ártico, encurtado a distância entre a China e a Europa. Pequim tem aproveitado a oportunidade e expandido sua atuação na região.
Em entrevista ao Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, Gabriele Hernandez, doutora em estudos estratégicos pela Universidade Federal Fluminense (UFF), explica que a rota “não é tão nova assim”, mas a descreve como uma oportunidade para “tirar toda a dependência das rotas comerciais do estreito de Ormuz”, sobretudo em momentos de conflito, como o que atravessa o Oriente Médio atualmente.
Oito Estados estão presentes no Ártico: Islândia, Dinamarca, Rússia, Estados Unidos, Noruega, Suécia, Finlândia e Canadá. Eles compõem o Conselho Ártico. Entretanto, a China é quem tem feito uso intenso dessa rota marítima, denominando-se como um Estado “quase ártico”.
“A China, que é o maior produtor de manufaturados do mundo e precisa fazer escoamento de mercadoria, trouxe a ideia de uma nova rota em parceria com a Rússia, escoando os produtos não só pela Ásia, pela África, mas por cima, pelo Ártico, o que a gente chama de ‘nova Rota da Seda polar'”, afirma a pesquisadora.
A parceria entre Moscou e Pequim é altamente sustentável e vantajosa para ambas as partes, conforme Letícia da Luz, mestranda em estudos marítimos da Escola de Guerra Naval (EGN). Enquanto o lado russo se beneficia do investimento em infraestruturas, a China encontra facilidade ao ter acesso direto a petróleo. Há uma “assimetria nessa relação entre China e Rússia, mas os dois países caminham juntos pelo mesmo objetivo, que é escapar desse cerco ocidental”.
Por outro lado, quem não se beneficia tanto dessa parceria, segundo Hernandez, são os Estados Unidos, “que não querem a ampliação do escopo de atuação dos seus inimigos”.
“O Ártico ficou um pouco esquecido nos últimos anos, principalmente com as tensões voltadas para outras regiões, e a China conseguiu crescer nessa região junto com a Rússia. Os EUA perceberam essa falha, mas já havia ocorrido o crescimento maior desses países nessas regiões”, acrescenta a doutora.






