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segunda-feira, 22 julho, 2024

Cristina Kirchner defende unidade peronista, mas evita indicar candidato

Cristina Kirchner em ato na Praça de Maio – Twitter / Cristina Kirchner

‘Para distribuir renda é preciso fazer cara feia àqueles que têm muito’, afirmou a vice-presidente argentina em ato

Victor Farinelli Opera Mundi

A vice-presidente argentina Cristina Kirchner foi a protagonista do ato pelo Dia da Pátria organizado nesta quinta-feira (25/05) pela Frente de Todos, coalizão que reúne diferentes setores peronistas e que sustenta o governo do presidente Alberto Fernández.

Apesar da forte chuva em Buenos Aires, o evento conseguiu reunir cerca de 50 mil pessoas na Plaza de Mayo, em frente à Casa Rosada, sede do governo argentino. Se esperava que a líder do kirchnerismo indicasse seu candidato para as eleições presidenciais, marcadas para os meses de outubro e novembro deste ano. Porém, essa expectativa terminou frustrada.

Única oradora do evento, Cristina disse que “este projeto (político iniciado com Alberto Fernández) deve continuar. Este projeto que trouxe de volta o crescimento, apesar da pandemia, apesar da seca, apesar de alguns erros, foi resultado de um governo muito melhor do que seria um segundo governo de Mauricio Macri, que foi o que gerou a dívida que o país tem que pagar [com o Fundo Monetário Internacional] e os problemas que tivemos que resolver nos últimos anos”.

“Precisamos que nosso setor [peronismo] esteja unido para vencer as forças do atraso, que querem voltar. E precisamos que essa união seja baseada em uma proposta clara para a sociedade. O problema mais importante que devemos combater é a desigualdade na distribuição de renda. Para enfrentar esse tema, devemos contar com gente capaz de fazer cara feia àqueles que têm muito”, acrescentou a vice-presidente.

Ao redor de Cristina estavam todos os nomes que são especulados como possíveis candidatos da coalizão peronista, que não contará nem com Cristina, que já descartou sua candidatura, nem com Alberto Fernández, que também anunciou que não concorrerá à reeleição.

Os políticos mais próximos a ela no palanque eram seu filho, o deputado Máximo Kirchner, e o governador da Província de Buenos Aires, Axel Kicillof, que foi ministro da Economia nos últimos anos do seu governo, entre 2013 e 2015 [Cristina governou a Argentina entre 2007 e 2015]. Ambos são cotados como possíveis presidenciáveis mais próximos ao kirchnerismo.

Os outros nomes especulados para a candidatura peronista, e que também estavam presentes no ato, são os atuais ministros Sergio Massa (Economia) e Wado de Pedro (Interior), considerados nomes mais moderados.

A indicação de Cristina poderia acelerar o processo de escolha de uma candidatura que mantenha os diferentes setores peronistas unidos. Caso isso não aconteça nas próximas semanas, a decisão deverá ocorrer em agosto, nas prévias obrigatórias, programadas para o dia 13 de agosto.

As eleições presidenciais na Argentina terão seu primeiro turno no dia 22 de outubro. Caso seja necessário um segundo turno, ele ocorrerá em 19 de novembro.

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