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segunda-feira, 27 abril 2026

Cartas habaneras (LIX)

Emiliano José

Manter aquele princípio, o de não abusar, não maltratar nenhum prisioneiro em Escambray, não era fácil. Mensagem de Victor Dreke à juventude congolesa em busca de paz e estabilidade em seu país.Com andante Víctor Dreke confessa:

– Tú no quieres odiar nunca al ser humano, por supuesto, pero nosotros sabíamos quiénes eran los bandidos; teníamos su relación con nombre y apellido. 

Contudo, nunca maltrataram nenhum deles. Princípio é princípio. 

Havia, no entanto, a determinação revolucionária de capturá-los, por contrarrevolucionários, por constituírem um perigo para a Revolução Cubana.

– Había bandidos de los que nosotros decíamos, “Hay que perseguir a fulano y hay que cogerlo”. Y en eso éramos testarudos todos los que estábamos en Lucha Contra Bandidos.

Dreke lembra como emoção de dirigentes daquela luta. 

Preuniversitario Lizardo Proenza Sánchez, Rafael Freyre Torres, Holguín (@PreuniversitarioLizardoProenzaSanchez) • Facebook

De Lizardo Proenza, o último comandante da Lucha contra Bandidos (LCB), “un gran compañero”.

Igual, Tomás Sevich. 

Ele próprio, outro – e aí sou eu a acrescentar. 

Testarudos, todos. Obstinados. Cheios de determinação revolucionária. 

Prender os bandidos, sobretudo os principais líderes, era uma tarefa essencial. 

Uma das principais naquela quadra histórica, início daquela saga revolucionária. 

Deixassem os contrarrevolucionários prosperarem era um risco. Subsidiados, atuando a soldo dos EUA. Pretendiam ser uma espécie de cabeça de ponte para a invasão do imperialismo, que acabará acontecendo. Deram muito trabalho. 

Detrás das incursões deles, deixavam um rastro de morte e desolação, de crimes “y asesinatos de inocentes que teníamos que detener”. 

Dreke fala de um dos principais bandidos, Pedro González. Havia matado muita gente, cometido muitos assassinatos. 

Conseguiu criar uma situação de terror, de pânico na zona de Trinidad. Um dos últimos crimes de González foi um ataque comandando por ele a um ônibus lotado de trabalhadores, na estrada entre Trinidad e Sancti Spíritus: 

– Incendió la guagua y mató a algunos de los trabajadores. En aquel momento venía un carro del ejército y lo sorprendió, asesinando a los compañeros que iban dentro. 

O bando de Pedro González atacava um lugar, e ele, consumado o ataque, se separava do grupo, acompanhado por um ou dois bandidos – característica dele. 

Em 4 de junho de 1963, ele e o grupo dele assassinaram os camponeses Manuel Acosta Mederos e Manuel Rodrigues Pino, na zona de São Pedro, município de Trinidad.

As forças revolucionárias prendiam muitos, e ele sempre escapava. 

Insistiram até surpreendê-lo num domingo, depois de transcorridos alguns meses da morte dos camponeses. 

Viu-se cercado a um quilômetro da lagoa El Taje, na estrada entre Trinidad y Sancti Spíritus. 

Pelotões compostos por operários e camponeses o buscavam, e não estavam esperançosos de capturá-lo. De repente, um dos revolucionários olha à esquerda e vê um bandido correndo. Era ele. Seguiram-no, cercaram-no, e gritaram para se render. Estava atrás de um matagal, e disse:

– No tiren, me entrego.

Os combatentes avançaram, mas ao chegar o local onde ele presumivelmente estaria, nada. Viram-nos a uns vinte metros correndo, e gritaram para se entregar. Não obedeceu. Foi atingido mortalmente quando tentava pular uma cerca. Um inimigo da revolução pagou com a vida pelos crimes cometidos.

Aquela luta era decisiva para a sorte da Revolução Cubana. O governo revolucionário tinha consciência disso. Em 1963, tropas de Oriente chegaram a Las Villas para participar das operações de combate aos bandidos. 

Eram comandadas por Manuel “Tito” Herrera, um batalhão armado de fuzis FAL, um rifle automático, a arma mais potente em poder das forças revolucionárias. A partir daquele ano se iniciaria uma ofensiva decisiva para derrotar os bandidos. 

#omilagrecubano

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