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domingo, 4 outubro 2026

Canelones: a nova rota turística do Uruguai

A adega de pedra da Bodega Familia Deicas foi construída por jesuítas em 1745.

Fotos: Henrique Lope

Por Glauber Barros

O departamento vizinho à capital Montevidéu ainda é um mistério a ser desvendado pelos brasileiros; vale à pena desfrutar da hospitalidade de seus moradores e conhecer suas vinículas

Montevidéu e Punta del Este são os destinos normalmente associados ao Uruguai. Mas uma nova região tem ganhado destaque entre as atrações do País: trata-se do departamento de Canelones. Situado ao lado de Montevidéu, Canelones conta com uma identidade cultural rica, rural e litorânea.

Em parceria com a Associação Turística de Canelones, uma comitiva da Federação Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Turismo (Febtur) visitou a região entre os dias 15 e 19 de setembro a fim conhecer e avaliar seu potencial, e mostrar aos uruguaios um pouco do Brasil.

Para quem chega de voos internacionais, a viagem geralmente começa no Aeroporto Internacional de Carrasco, uma jóia arquitetônica. Nos limites entre Montevidéu e Canelones, o terminal também funciona como uma zona franca para o comércio exterior e os negócios na região.

A partir desse ponto, Canelones abre-se como um cardápio de experiências. Aos brasileiros, a cultura local lembra a dos pampas gaúchos, tanto por suas raízes comuns com o Sul do Brasil (e com a Argentina), como pela imigração europeia, entre o fim do século XIX e o começo do século XX.

No coração dessa rota, o enoturista encontra a prestigiada Bodega Familia Deicas, onde se pode fazer refeições sofisticadas e degustações exclusivas em adegas subterrâneas repletas de história. A visita permite a entrada na exclusiva adega de pedra originalmente construída por jesuítas em 1745.

Franco, o sommelier, me mostra com orgulho o Prelúdio – Gran Vino de Corte, fechado em caixas de madeira para receber ainda menos luz (que interfere no vinho). Prelúdio conta com premiações como do crítico internacional James Suckling e do Guia Descorchados, que avalia os melhores rótulos da América do Sul. “É o top da vinícola. São três anos de carvalho, dois anos de envelhecimento na garrafa. São cinco anos de evolução”.

Aprofundando-se na atmosfera campestre e acolhedora da região, os visitantes também podem desfrutar de recantos charmosos como a Fazenda Alma de Glória, um refúgio rural que propõe uma imersão na tranquilidade dos campos uruguaios.

Ali, o turismo rural ganha contornos intimistas, combinando a produção artesanal de frutas vermelhas (como amora e framboesa), experiências gastronômicas genuínas e um atendimento caloroso que faz qualquer viajante se sentir em casa.

Chama a atenção a delicadeza do jogo de chá da casa. A proprietária, Ana Glória, revelou-me que comprou os exemplares em Londres, em leilões de caridade. As peças são tão bonitas que fazem qualquer um sentir que toma chá com a mesma louça da falecida rainha Elizabeth.

Além do turismo enogastronômico e rural, Canelones conta um balneário em Atlántida. A cidade mistura a nostalgia de velhos tempos com praças arborizadas, rede hoteleira e gastronômica, e pontos turísticos à beira-mar.

Essa combinação harmoniosa entre aeroportos de classe mundial, zonas francas comerciais, vinícolas seletas, fazendas acolhedoras e um litoral charmoso transforma Canelones em uma nova parada ao turista brasileiro.

Portanto, ao planejar sua próxima viagem internacional rumo às terras uruguaias, reserve dias exclusivos para explorar esse departamento fascinante que une hospitalidade, sofisticação e muita história. Prepare-se para ganhar uns quilos a mais e deixe para cuidar da dieta quando voltar pra casa.

Sobre a adega, um agradável e sofisticado restaurante oferece apresentações de violino e tango. 

Na casa de chá Alma de Glória, delicados jogos de chá ingleses disputam atenção com tortas produzidas com frutos da fazenda.

Atlántida mistura nostalgia com e pontos turísticos à beira-mar.

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