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César Fonseca
Flávio Bolsonaro está na corda bamba, atravessando seu provável precipío, sobre o cadafalso do qual poderá rolar sua cabeça, condenado pela vontade popular.
O perigo que enfrenta, neste momento, é o desafio que Lula lhe fez: “Abra o seu sigilo bancário junto comigo.”
Confuso e atarantado, ele sorriu para dentro de si mesmo, esgasgando e não respondeu nada, estando ao ar, no debate da Band.
De lá para cá, nada de decisões favoráveis nesse sentido.
Significa, essencialmente, que está em dúvida, com medo.
A dúvida decorre, naturalmente, da certeza íntima dele de quem tem culpa no cartório.
Aonde ele levantou R$ 6 milhões, para comprar à vista casa no Lago Sul, em Brasília, senão no BRB, em negociação com Vorcado, que Lula suspendeu e mandou a PF prendê-lo, bem como fechar seu banco, o Master?
Abundam denúncias contra o filho de Jair, que acumula erros cometidos ao longo do tempo, que tornam sua ficha corrida um roteiro de horrores, do ponto de vista ético.
Esse corolário se completa, nas últimas horas, com as informações escabrosas de sua participação em bacanais em plena pandemia, no bem bom de passeios em alto mar, em meio à galera de milicianos, em iates luxuosos.
O mais terrível dos últimos episódios que vem ao ar é sua associação com o lobista do jogo de azar, Willer Tomaz, que o ligou umbilicalmente ao mercado de apostas, relacionado à Best Bet.
Ou seja, se ele chega ao poder, o Brasil terá na presidência da República, pela primeira vez na história, uma versão de bicheiro integrante de jogatina, parceiro de personagem internacional, tal como ele, com a ficha mais suja que pau de galinheiro, abastardando o principal cargo público do país.
PERIGO DE DESMORALIZAÇÃO COMPLETA
Nesse ambiente de podridão em que se desponta como aliado preferencial das milícias, para ocupar o Planalto, ele, agora, está em sinuca de bico: se não abrir o sigilo de suas contas, chegará, previamente, derrotado e desmoralizado no debate na Globo, nesta sexta-feira;
Imagine Lula lhe perguntando: “E aí, Flávio, resolveu ou não enfrentar o desafio que lhe fiz, de abrir suas contas comigo, junto ao Tribunal Superior Eleitoral?”
Se ele, perante as câmeras e os jornalistas da emissora que lhe farão perguntas, abrir as provas, se salvará.
Caso contrário, se tentar inventar desculpas, dificilmente, convencerá o público.
Afinal, a indagação que está no ar, depois do debate entre ambos na Band, domingo passado, é uma só: vai ou não abrir o sigilo?
Antes, os bolsonaristas tinham um mote pronto para caracterizar Lula, sem apresentar provas: LulaLadrão!
E agora?
O jogo virou contra Flávio: o ladrão pode ser ele, se continuar escondendo suas contas.
Não abrir e inventar qualquer coisa para justificar, certamente, será condenado pela inteligência popular, pois ninguém engolirá sua resposta, desacompanhada de justificativas críveis.
O candidato bolsonarista, ao longo dessa semana, está com espinha de bacalhau atravessada na garganta, tal como no samba do maestro, clarinetista e arranjador genial, Severino de Araújo.
Expulsar este incômodo, só falando a verdade, algo com o qual Flávio não tem familiaridade, porque a mentira virou sua marca registrada, tal o acúmulo de dúvidas não esclarecidas quanto às maracutais de que é acusado como um queridinho das milícias.
Compreensivo: ele se acostumou, quando deputado estadual, no Rio de Janeiro, a homenagear seus amigos do crime organizado, tornando-se popular entre eles, seus iguais etc.
PIAUÍ, TERRÍVEL LIBELO
O fato é que a revista Piauí traça terrível retrato falado de Bolsonaro filho, que se transforma em um libelo que o condena como persona non confiable em qualquer ambiente civilizado.
Virou foco de atenções condenatórias.
Nesse rol de acusações escabrosas, ele acaba configurando-se no personagem ideal com o qual o imperador Trump, fascista de carteirinha, conta para transformar o Brasil no inverso da pregação do economista nacionalista, Paulo Nogueira Batista Junior.
Em vez de ser o país que não cabe no quintal de ninguém, dada sua importância geopolítica estratégica, no cenário global, como destaca Nogueira Batista, o Brasil, sob eventual comando do miliciano Flávio Bolsonaro, virará o quintal de mãe Joana: o preferido do trumpismo, onde o imperador de Washington deita e rola, visitando o amigo miliciano para saborear churrascos e banhos de mar, com belas companhias femininas, contratadas pelo Vorcaro, enquanto dividem, entre si, o butim das riquezas nacionais.
Enquanto, o candidato não decide sobre a questão crucial, as pesquisas sinalizam seu recuo relativo em relação ao avanço de Lula, apontando desfecho segundo o qual pode não ser, ainda, desta vez que o Brasil caia, novamente, nas garras do fascismo bolsonarista, salvando-se com a democracia lulista, no próximo domingo.



