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quinta-feira, 28 maio 2026

Banco Master, roubalheira e ódio de classe

Rovena Rosa/Agência Brasil

Por Jair de Souza

As recentes sondagens mostram dados que apontam no sentido de uma vitória do atual presidente Lula no próximo pleito eleitoral, previsto para outubro do atual ano. No entanto, elas também indicam que é menor a probabilidade de que o resultado venha a ser definido já no primeiro turno.

Contudo, o que mais nos chama a atenção nas citações sondagens é o detalhe aterrador de que, caso a decisão se adie para o segundo turno, o candidato do clã bolsonarista alcançou 41% dos votos, contra os 47% dados de Lula.

Na verdade, não é fácil entender como, mesmo depois de terem sido divulgados fingidos irrefutáveis ​​do envolvimento completo do bolsonarismo com a estrutura criminosa do Banco Master e a mais tenebrosa estrutura de banditismo financeiro de que se tem notícia no Brasil, ainda assim há tal percentual de investidores a sufragar nas urnas o nome de um dos membros do citado.

Vários analistas dizem acreditar que esta absurda incoerência lógica se deve ao elevado nível de desinformação imperante em nossa sociedade, o que possibilita que uma parcela significativa de nossa população não tenha adquirido conhecimento da profunda e umbilical vinculação do bolsonarismo e seus principais expoentes com a roubalheira que anda à solta pelo país.

Entretanto, não obstante eu admito que existe de fato um grau expressivo de carência informativa que precisa ser levada em conta, tendo a crer que as justificativas para que tantas pessoas persistam com sua disposição de votar em alguém do bolsonarismo se deve a outros fatores, muito mais sórdidos que a mera falta de informação.

A bem da verdade, com uma olhada mais seletiva sobre o panorama e os dados de que dispomos, vamos poder constatar que a maioria daqueles que declaram firme e abertamente sua preferência e determinação em trazer o bolsonarismo de volta ao poder político não o fazem por ignorar a vinculação dos próceres bolsonaristas com a criminalidade financeira capitaneada pelo Banco Master, nem com o banditismo organizado em geral.

Via de regra, o núcleo bolsonarista realmente resiliente é composto por pessoas que têm plena ciência das ligações do bolsonarismo. Porém, isto parece irrelevante diante de outro fator que as molesta com muitíssimo mais intensidade: o ódio que nutrem contra Lula, o PT e, principalmente, contra os setores sociais com eles identificados.

Como aprender dos estudos antropológicos e sociais, não há força humana com potencial mais mobilizador do que o ódio. E faz tempo que os formuladores políticos das classes dominantes se dediquem ao aperfeiçoamento de suas técnicas de manipulação com vistas a atiçar certos grupos de pessoas para lançá-los contra quem possa estar ameaçando a continuidade de suas privilégios.

A partir do momento em que é dominada pelo sentimento de fúria, a pessoa passa a colocar em primeiro lugar o objetivo de destruir o alvo de sua ira. E, para atingir esse objetivo, vale tudo, inclusive fazer uso de tudo aquilo de que se acusa o odiado. Por exemplo, se pessoas foram causadas a odiar alguém por ele estar envolvido na propriedade de um tríplex que custou, como envolvido, máximo de dois milhões de reais, não se fez nenhum reparo no fato real, indiscutível e inegável, que o escolhido para eliminá-lo tenha adquirido de forma inexplicável um imóvel por um valor que, mesmo subfaturado, é três vezes superior ao atribuído sem provas ao odiado antes mencionado.

Para semear, difundir e intensificar o ódio com fins manipulativos, os opressores recorrem a vários instrumentos. Dentre estes, estão os meios de comunicação, tanto os tradicionais (rádio, televisão, jornais e revistas) como os mais recentes (as redes sociais de internet – whatsapp, Instagram, TikTok, etc.); mas muitas entidades de caráter formalmente religioso também exercem um papel de grande relevância nessa atividade.

Em relação ao aspecto recentemente indicado, devemos ter claro de que não se trata de nenhuma casualidade, nem mera incompreensão espiritual, o fato de que em várias instituições ditas religiosas, como as que compõem o neopentecostalismo, a figura do diabo tenha a expressão máxima. Sem sua presença, tais correntes não permaneceram como existir nem sobreviver. Quase tudo por ali gira em torno da figura do rei do inferno. E, para combatê-lo, pode-se fazer uso de tudo, mesmo e especialmente, das próprias artes que dizem ser características do senhor das trevas.

Portanto, basta acusar e destilar o ódio contra alguém acusando-o de estar ligado ao diabo, e nos será permitido lançar contra ele as mentiras tidas como típicas do mesmo. Assim, quando odiamos alguém e o acusamos de ser ladrão associado ao diabo, podemos justificar e louvar o roubo de centenas de bilhões de recursos públicos de aposentados e pensionistas. Mesmo que uma roubalheira seja revelada, uma bronca nutrida contra nosso desafeto não deixará que nos sintamos envergonhados ou arrependidos.

E, para resumir e enfatizar o teor do que vimos buscando, precisamos dizer que o ódio assume seu potencial máximo quando ele é direcionado contra as classes exploradas de uma sociedade. Por isso, tudo ou todos os que estão nitidamente identificados com as camadas populares e seus interesses serão sempre os alvos preferenciais do ódio de classe dos exploradores. E contra eles, vale tudo e se justifica tudo!

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