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sexta-feira, 18 setembro 2026

Atilio Boron: Eleições roubadas

Por Atilio Boron

Nos últimos tempos, o império já fraudou quatro eleições na América Latina, uma durante o governo Biden e três durante o governo Trump. Mas isso não é incomum na história das relações entre os Estados Unidos e nossos países.

Os casos mais notórios do passado foram os da eleição presidencial mexicana de 1988, quando Cuauhtémoc Cárdenas teve sua vitória fraudada em favor do candidato apoiado pelos EUA e pela classe dominante, Carlos Salinas de Gortari. Essa eleição inaugurou a era da fraude informática na região, ainda bastante rudimentar em comparação com os métodos sofisticados que a Palantir pode empregar hoje.

Naquela altura, recorreram a um “apagão informático” pré-fabricado que, quando os computadores do Instituto Nacional Eleitoral foram reiniciados, produziu o milagre que modificou radicalmente os números atribuídos aos principais candidatos até ao momento do apagão.

Mas há mais: em 2000, Alberto Fujimori venceu as eleições através de uma manipulação flagrante dos votos e das apurações. A manobra foi tão descarada que até a OEA retirou sua missão de observadores para registrar seu protesto. Meses depois, Fujimori seria destituído do cargo.

Outro caso ainda mais escandaloso foi o das eleições presidenciais de 2017 em Honduras, que permitiram a reeleição de Juan Orlando Hernández graças a um “apagão informático” semelhante ao que havia possibilitado a vitória de Salinas de Gortari no México.

Não é insignificante lembrar que, anos mais tarde, JOH seria preso pelas autoridades americanas, julgado em seus tribunais e, em 2024, condenado a 45 anos de prisão após ser considerado culpado de ter introduzido centenas de toneladas de cocaína naquele país enquanto era presidente de Honduras e chefe do narcotráfico ao mesmo tempo.

Confirmando mais uma vez a “seriedade” da luta do governo dos Estados Unidos contra o tráfico de drogas, JOH recebeu um indulto de Donald Trump em novembro de 2025 e agora goza de total liberdade para continuar suas atividades criminosas.

Uma breve análise dos acontecimentos recentes demonstra a renovada prevalência desse costume de fraudar eleições em nossos países:

1. Equador, abril de 2025. O império e a direita equatoriana ergueram todo tipo de obstáculos para impedir a eleição de Luisa González, candidata da Revolução Cidadã. Um clima de violência foi instaurado e uma feroz campanha de imprensa foi desencadeada para desacreditar González, além da flagrante manipulação da contagem de votos com a cumplicidade declarada do Conselho Nacional Eleitoral. Assim, o bilionário Daniel Noboa, cidadão americano nascido em Miami, saiu vitorioso. Ele é considerado o maior exportador de cocaína do continente, utilizando sua frota de navios bananeiros. Para a OEA, tudo está bem.

2. Honduras, 2025. A candidata Rixi Moncada, do partido governista Libre, viu suas chances eleitorais serem frustradas quando Washington anunciou que estava considerando revisar a política de remessas gratuitas para Honduras caso Moncada vencesse a eleição. Essas remessas são um recurso vital para as famílias hondurenhas: o país recebe cerca de US$ 12 bilhões anualmente, uma ajuda crucial para os mais vulneráveis. A mera divulgação dessa notícia desencadeou um êxodo massivo de votos, reduzindo o cenário eleitoral a uma disputa entre dois candidatos de direita: Salvador Nasralla, do Partido Liberal, e Nasry Asfura, candidato do Partido Nacional de Juan O. Hernández. Trump declarou repetidamente Asfura como seu candidato, e Asfura acabou vencendo a eleição com pouco mais de 40% dos votos.

3. Peru, junho de 2026, segundo turno das eleições. A candidata imperialista era Keiko Fujimori, a quem até mesmo Mario Vargas Llosa havia insultado implacavelmente por sua comprovada imoralidade e cumplicidade em inúmeros atos de corrupção. Roberto Sánchez, representando um amplo setor da esquerda e dos progressistas, foi derrotado por Fujimori em uma contagem de votos vergonhosa no segundo turno. Fujimori venceu por uma margem apertada de 49.641 votos, de um total de pouco mais de 18 milhões de eleitores. Diante de sérias alegações de irregularidades no processo de votação e nas respectivas atas de apuração, a lei permite a impugnação de seções eleitorais suspeitas. Claro que, para fazê-lo com as 1.751 seções que apresentaram sérias irregularidades, uma taxa de 1.375 soles teve que ser paga por cada uma, totalizando US$ 715.000, que deveria ser depositada em até 72 horas após o encerramento da eleição. Missão impossível, recontagem zero e um novo roubo do império.

4. Colômbia, 2026. A recente eleição colombiana proclamou uma figura nefasta como Abelardo De la Espriella como vencedor. Isso foi alcançado por meio de uma aula magistral de fraude informática, introduzindo uma inovação preocupante no campo dos crimes eleitorais. O presidente Gustavo Petro denunciou a existência de um centro de dados clandestino, hospedado nos EUA, de onde a contagem de votos era monitorada e alterada. Diz-se que esse centro concentrou sua intervenção em pouco mais de cinco mil seções eleitorais, incorporadas exclusivamente para o segundo turno. Nessas seções, De la Espriella obteve um total de votos desproporcionalmente maior do que nas demais. Essa atipicidade gritante, que sistematicamente concedeu uma maioria esmagadora ao candidato do império — ele próprio, assim como seu vizinho Noboa, cidadão americano — permitiu que ele vencesse a contagem final por cerca de 250 mil votos sobre Iván Cepeda, em um cadastro eleitoral de quase 25 milhões de eleitores. Apesar das acusações do presidente Petro, todo o sistema judiciário colombiano, e não apenas o tribunal eleitoral, dominado pelo uribismo, rejeitou completamente a acusação presidencial.

5. Brasil, 2026. Agora, estão atrás de Lula. É crucial exercer máxima vigilância para prevenir todo tipo de fraude, eletrônica ou tradicional. Lembrem-se de que, se Lula for roubado da eleição, Trump terá carta branca para, usando uma metáfora do xadrez, tentar dar xeque-mate na rainha, Claudia Sheinbaum, que é implacavelmente perseguida pelo fanático de uniforme laranja. E a próxima na fila é a eleição presidencial na Argentina, em 2027.

*Atilio Alberto Borón (Buenos Aires, 1 de julio de 1943) es un politólogo y sociólogo argentino, doctor en Ciencia Política por la Universidad de Harvard. Actualmente es Director del Centro de Complementación Curricular de la Facultad de Humanidades y Artes de la Universidad Nacional de Avellaneda. Es asimismo Profesor Consulto de la Facultad de Ciencias Sociales de la Universidad de Buenos Aires e Investigador del IEALC, el Instituto de Estudios de América Latina y el Caribe. Recientemente se retiró en calidad de Investigador Superior del CONICET (Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas). Fue Vicerrector de la Universidad de Buenos Aires (1990-1994) y Secretario Ejecutivo del Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO) entre 1997 y 2006. Director del PLED, Programa Latinoamericano de Educación a Distancia en Ciencias Sociales del Centro Cultural de la Cooperación Floreal Gorini. Es Doctor Honoris Causa de las universidades nacionales de Cuyo, Salta, Córdoba y Misiones, en la Argentina: de la Universidad Nacional Experimental Rafael María Baralt de Cabimas (Zulia, Venezuela), Premio Internacional José Martí de la UNESCO (2009) y Premio Honorífico de Ensayo Ezequiel Martínez Estrada de Casa de las Américas (La Habana, Cuba), del año 2004.

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