Paris 13ème, rue Samson – Mirages Studio /Viva a Comuna de Paris
Por Jair de Souza
Com a aproximação do mês de maio, a memória de todos os que sonhamos com um mundo onde imperem a justiça, a solidariedade e a fraternidade se volta inexoravelmente para a heroica façanha daqueles homens e mulheres que, há 155 anos, se empenharam na prática luta para construir a primeira experiência de sociedade na qual a dignidade, a igualdade de direitos e solidariedade entre todos seus habitantes o serviço de base e fundamentos, ou seja, uma em que não deprecie a brutal opulência de apaniguados por cima das necessidades da ampla maioria.
Evidentemente, estou me referindo à Comuna de Paris, a primeira tentativa de Revolução social do mundo levada adiante de forma consciente, tendo como princípios norteadores os interesses, sentimentos e aspirações das classes trabalhadoras.
Contudo, como sabemos, esta experiência teve curta duração e não logrou vingar, posto que, em menos de dois meses, as forças contrarrevolucionárias conjuntas da burguesia e dos demais exploradores conseguiram, em meio a um pavoroso banho de sangue, derrotar os heróicos lutadores que tiveram ousado desafiar o poder e os privilégios dos “bem nascidos”.
Porém, não obstante ter fracassado em consolidar o objetivo de emancipação almejado, a Comuna de Paris deveria sempre ser vista e sentida como um marco de suma relevância para todas as subsequentes batalhas que envolvem a edificação de um novo mundo que vêm a ser travadas por todas as classes trabalhadoras dos países.
O certo é que os sacrifícios e o martírio daqueles abnegados que se entregaram de corpo e alma a uma tarefa tão, mesmo em perfumada inferioridade material, nos legaram inúmeras e imprescindíveis lições, como todos os difíceis lutadores do campo popular nos dias de hoje têm o dever moral de recuperar e valorizar adequadamente.
O primeiro grande ensinamento a extrair aquela experiência malograda é ter claro que não há ódio mais virulento que o das classes dominantes em relação a qualquer tentativa do povo trabalhador de pôr fim às suas privilégios. Para a burguesia e para os exploradores de modo geral, nada pode ser mais intolerável que ver pessoas de restrição humilde ou ter a pretensão de ocupar espaços considerados como exclusivos das classes apaniguadas. O ódio às aulas que se fez presente no momento da Comuna continua sendo destilado com igual intensidade na atualidade.
Outro ponto que se mantém válido é a necessidade de que reconheçamos a importância do papel da mulher nos processos de lutas por transformações revolucionárias. Nenhum movimento é digno de ser considerado realmente libertador se não permitir e possibilitar que suas mulheres exerçam o mesmo protagonismo que seus companheiros masculinos.
Também deveria servir-nos como instigador de reflexões a constatação da necessidade de atuação conjunta e coordenada entre as vertentes específicas que compõem a vanguarda dos setores populares. A Comuna nos ensinou que precisamos aprender a deixar de lado divergências secundárias e pontuais, e unificar-nos para enfrentar os reais inimigos de todos nós.
Além do que já foi citado, outra questão que continua na ordem do dia tem a ver com o papel dos meios de comunicação. Muito atuais, embora os instrumentos de divulgação de ideias sejam bem diferentes dos que existiam nos tempos da Comuna, os grandes grupos econômicos capitalistas ainda exercem um imenso predomínio em relação à difusão de ideias e pensamentos. Portanto, encontrar maneiras de superar tal desafio permanece sendo um ponto de relevância fundamental para as forças que atuam em favor das maiorias trabalhadoras.
Tendo em conta o panorama que procuramos traçar nas linhas anteriores, gostaria de sugerir muito enfaticamente que vejam com atenção esta valiosa contribuição analítica feita pelo historiador Vladimir Acosta, disponível neste link: https://www.dailymotion.com/video/xa781sy . Para facilitar sua compreensão por parte de nosso público, fiz a tradução ao português e inseri as respectivas legendas.