20.5 C
Brasília
sábado, 30 maio 2026

Uma batalha decisiva está sendo travada hoje na América Latina.

Por Gustavo Espinoza M.*

Aqueles que acreditam que as próximas eleições de 7 de junho, por si só, determinarão o futuro do Peru estão enganados. A América Latina está travando uma batalha feroz em várias frentes, e uma delas é o nosso próprio país.

O que acontecer aqui terá repercussões em todo o continente, assim como os eventos em outros países afetam os nossos. Esta não é uma mudança superficial, mas sim uma série de transformações significativas cujo objetivo final é desmantelar a máfia corrupta que degradou a vida dos Estados soberanos e busca perpetuar seu domínio a qualquer custo.

Em termos gerais, as forças que se confrontam nesta luta histórica são duas: a oligarquia latino-americana, apoiada pelo Império, que se apega à dominação continental como parte de sua estratégia global, e os povos que lutam para encontrar e afirmar um caminho que foi originalmente traçado pelos libertadores, mas que foi consolidado num estágio inicial da história por personalidades notáveis, como José Martí, Augusto C. Sandino e José Carlos Mariátegui.

Cuba é, de fato, o farol mais brilhante entre os povos das Américas neste confronto feroz. Não apenas por ter sido pioneira na transformação das estruturas produtivas em busca de uma sociedade melhor nessas terras férteis, mas também por ter resistido heroicamente à agressão do Império por mais de seis décadas, oferecendo ao mundo um exemplo inigualável de dignidade e coragem.

Mas hoje a luta se intensifica em todos os cantos do nosso continente. E não pode ser escondida pela mídia a serviço da classe dominante, nem sufocada pelas forças repressivas de governos que pretendem silenciar a voz do povo pela violência.

Curiosamente, os meios de comunicação, a serviço dos poderosos, distorcem os acontecimentos ou simplesmente permanecem em silêncio para não despertar o interesse do povo, que está cada vez mais determinado a encontrar uma saída para a crise de um sistema decadente em processo de extinção.

Na Argentina de Milei, a agressão policial contra trabalhadores, estudantes, mulheres e outros segmentos da população que oferecem forte resistência aos planos de dominação escravista que um regime neonazista busca impor, desrespeitando a vontade popular, é constante — quase diária.

Nesse país, as facções mais reacionárias historicamente usaram a força para quebrar o movimento popular. Isso ocorre desde os golpes de Estado orquestrados em diferentes momentos por Lonardi, Aramburu, Onganía e Videla, e até mesmo em governos formalmente eleitos que defenderam os interesses do capital, como os de Carlos Saúl Menem, Mauricio Macri e Javier Milei.

No Equador, hoje, a mesma coisa está acontecendo com o governo de Noboa, que busca esmagar sobretudo as populações indígenas, utilizando-se dos métodos pérfidos da guerra suja e marginalizando um segmento social extremamente atuante e integrado à “Revolução Cidadã” liderada por Rafael Correa.

Neste momento, milhões de trabalhadores lutam nas ruas da Bolívia, determinados a derrubar Rodrigo Paz, que lidera um regime que pretende se defender pela força das armas, massacrando o povo. A elite dominante aspira a repetir na nação andina as dolorosas experiências de Hugo Banzer, Sánchez de Lozada e Jeanine Añez, que banharam em sangue a terra de Túpac Katari e Bartolina Sisa.

E no Chile, o regime de José Antonio Kast reinventa fórmulas obsoletas e punitivas para reconstruir o “modelo” econômico e social de Pinochet sob condições diferentes, fortalecendo “os poderosos” e atacando impiedosamente a população e os trabalhadores, chegando a destruir as conquistas alcançadas durante os anos de governos mais avançados e progressistas, como os de Michelle Bachelet ou Gabriel Boric.

Nesses países, o denominador comum é a enorme vontade cidadã que não aceita os planos atuais de dominação, e muito menos o neoliberalismo herdado das ditaduras da década de 1970.

Tais planos se expressam no desejo de submeter os trabalhadores a regimes brutais de exploração, estender a jornada de trabalho para 10 ou até 12 horas, impor cortes salariais, eliminar a segurança no emprego e falir e destruir as organizações sindicais, a fim de subjugar o povo.

Objetivamente, sob governos de uma orientação política diferente — o Equador de Correa, a Argentina dos Kirchner ou a Bolívia de Evo Morales — as massas populares enfrentaram dificuldades, mas nunca sofreram o colapso que se vê hoje nas ruas de Quito, Buenos Aires ou La Paz, onde os atuais presidentes — servos do Império — simplesmente não conseguem governar e recorrem à repressão desenfreada, à violência e ao crime para sobreviver.

Em contraste, no Peru e na Colômbia, as forças de mudança social crescem e se fortalecem, abrindo novas perspectivas para o desenvolvimento e o progresso. As eleições que ocorrerão nos próximos dias em ambos os países representam, nesse contexto, expressões decisivas de um confronto que está fazendo história. Desencadeando a fúria do Império, os povos travam hoje batalhas decisivas.

*Gustavo Espinoza M

Espinoza M., Gustavo. Jornalista e professor peruano. Presidente da Associação de Amigos de Mariátegui e codiretor da Nuestra Bandera. Ex-deputado federal e ex-secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS