Base subterrânea Yazd.
– Declarou o seu “domínio míssilístico sobre os territórios ocupados”
– Lançou uma advertência sobre a “dissuasão nuclear”
– EUA e Israel têm centrado seus ataques sobre alvos civis
Alastair Crooke [*]
Ao entrar na quarta semana de guerra, o que nos reserva o futuro?
Em primeiro lugar, embora o Irã tenha sido alvo de um bombardeamento intensivo, a eficácia militar deste último está longe de ser evidente. A capacidade do Irã para contra-atacar os interesses norte-americanos e israelitas nas ditaduras do Golfo continua com uma potência cada vez maior; a sua liderança opera com eficácia no seu modo opaco deliberadamente escolhido (denominado “mosaico”); e o Irã persiste com salvas regulares de mísseis e drones, ao mesmo tempo que aumenta gradualmente a sofisticação do seu bombardeamento com mísseis. O apoio popular ao Estado iraniano consolida-se.
Os bombardeamentos norte-americanos e israelenses estão a causar graves danos ao Irão, mas não há provas de que estes ataques tenham localizado — ou destruído — as “cidades” de mísseis iranianas, dispersas e profundamente enterradas, espalhadas por todo o território do país.
As evidências sugerem, antes, que, não tendo conseguido destruir a infraestrutura militar oculta do Irã, os EUA e Israel centraram a sua atenção em alvos civis com o objetivo de desmoralizar a população, tal como vimos no contexto libanês e palestino.
No entanto, o que parece incontestável é que o Irão dispõe de uma estratégia cuidadosamente elaborada que está a ser desenvolvida em fases diferenciadas.
Trump, por seu lado, carece de um plano. Este muda diariamente. Israel tem sim um plano, que consiste em assassinar tantos líderes iranianos quantos a sua IA, fornecida pelos EUA, consiga detectar.
Para além disso, o desígnio de Israel é que o Irã seja desmembrado, dividido em pequenos Estados étnicos e sectários, e reduzido a uma anarquia fraca (seguindo o modelo sírio).
Por enquanto, os objetivos declarados pelos EUA manifestam-se como ameaças pontuais de escalada que vão desde ataques à infraestrutura económica (as instalações de gás de South Pars) até dois impactos relativamente significativos nas imediações das instalações nucleares iranianas (Nantaz e a central nuclear de Bushehr, operada conjuntamente pelo Irã e pela Rússia).
É de supor que estes ataques com mísseis de curto alcance pretendam ser “mensagens” para insinuar a possibilidade de uma escalada dos EUA ou de Israel até ao âmbito nuclear. O Irã, no entanto, respondeu da mesma forma, com um ataque com mísseis contra a localidade de Dimona — muito perto da maior instalação nuclear israelita de Dimona.
Domínio missilístico



