Foto: Ricardo Stuckert
Por Luís Nassif, no Jornal GGN :
Nas eleições de 2026, a disputa se dará em torno de dois eixos narrativos.
O primeiro é o projeto do Brasil que Lula pretende brandir: o salto proporcionado pela Nova Indústria Brasil e pela Transição Energética, com as terras raras, assumindo finalmente a paternidade das duas políticas – além da questão da segurança pública.
O segundo é o denuncismo em torno dos casos Master e INSS, a ser explorado pela oposição.
Dois personagens terão peso decisivo nessa disputa. Um é o ministro André Mendonça, que assumiu o comando das duas operações e atua em conluio com a Polícia Federal – que segue abusando de vazamentos seletivos, agora com o concurso do COAF.
O outro é o ministro Kassio Nunes Marques, que deverá assumir o comando do Tribunal Superior Eleitoral.
Aliás, a ministra Cármen Lúcia tratou de antecipar em dois meses o final da sua presidência no TSE, explicando a fuga com uma frase de desprendimento. Como diriam os italianos, foi “paura”.
A delação de Maurício Camisoti, peça central do escândalo do INSS, fechada exclusivamente com a PF, certamente terá o mesmo direcionamento das delações da Lava Jato, com a anuência óbvia da mídia.
O papel dos três principais grupos jornalísticos continuará sendo o de fustigar Lula diariamente.
Um exemplo recente: na reportagem sobre os grandes pagamentos do Master, havia uma boa soma destinada a Henrique Meirelles – que foi ministro da Fazenda de Michel Temer.
Na reportagem, porém, ele é apresentado como ex-presidente do Banco Central de Lula. Só falta qualificar o próprio Temer, que também recebeu valores do Mestre, como ex-vice-presidente de Dilma Rousseff.
É curioso o movimento da mídia nos últimos meses. Depois de um início promissor da CNN Brasil, a GloboNews recuperou a liderança com um modelo de jornalismo mais barato – jornalistas em estúdio conversando com a desenvoltura de um chat de WhatsApp, mas com diversidade e bom nível editorial.
À medida que 2026 se mudou, o canal tratou de se realinhar, afastando comentários mais à esquerda e corrigindo-os por nomes de posição conservadora. É um movimento que não pode ser brusco, para não chamar a atenção do espectador.
O UOL fez movimento semelhante, abrindo mão de comentaristas de boa audiência e posição progressista para dar lugar a outros saídos das populações da ultradireita.
Não são movimentos radicais – para preservar a proteção do veículo perante seu público. Mas são suficientemente indicativos dos preparativos para a guerra eleitoral.
É também um período em que analistas de pesquisa fazem a festa. A maioria se vale do chutômetro como qualquer observador comum, mas tente dar verniz técnico às apostas. Pior: análises muitas publicadas funcionam como cartão de visita para contratos com partidos e candidatos.
O caso clássico é de Alberto Carlos Almeida, autor de A Cabeça do Brasileiro. Em determinado período, aproximamo-nos do PSDB. No início da campanha de 2018, anterior no X que, assim que começou o horário eleitoral, Geraldo Alckmin disparou e se habilitou para o segundo turno. Alckmin teve 4,6%. Depois, migrou para a órbita do PT e passou a publicar análises anunciando o fim do antipetismo.
Recentemente, entrevistei outro especialista, do Recife, que elogiava com entusiasmo a moderação de Ronaldo Caiado. Estranhei a análise – até me informarem que ele assessorou o candidato.
Muito cuidado, portanto, com análises de “especialistas” em período eleitoral. Elas frequentemente servem a dois propósitos simultâneos: atrair o mercado para pesquisas e cumprir a contrapartida pelos grandes jornais – pau em Lula.