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sexta-feira, 28 agosto 2026

A imprensa quer eleger Flávio Bolsonaro

Acusação: Angeli

Por Luis Nassif, no Jornal GGN :

Vamos ser claros.

Há dois projetos de país em curso: um democrático e outro capaz de destruir qualquer velocidade de construção de uma Nação minimamente civilizada.

Uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro criaria o seguinte cenário:

– Subordinação total aos Estados Unidos, na condição de colônia.

Significaria abrir mão de qualquer propósito de industrialização, de avanço tecnológico e de políticas de inclusão. A lógica colonial é a extração de riquezas e materiais-primas (terras raras, alimentos sem processamento, minérios) para processamento nos Estados Unidos.

Significa fechar definitivamente o mercado de trabalho para os filhos da classe média, com a extensão de postos na engenharia, na indústria e no comércio e destruir as políticas de inclusão dos filhos das classes pobres. Diplomas e cursos universitários não garantem mais empregos de qualidade.

– Campo aberto para o crime organizado.

O país paga até hoje o preço da eleição de Jair Bolsonaro. O mercado financeiro foi obtido pelo crime organizado, pela lavagem de dinheiro e pela sonegação. Não se trata de previsão, mas de fatos concretos. As organizações barra-pesadas assumiram o controle do Congresso. E a falta de limites chegou até o Ministro indicado por Bolsonaro para a Suprema Corte.

A família Bolsonaro está intimamente ligada ao crime organizado, seja à milícia do Rio das Pedras, seja às organizações criminosas que ganharam musculatura nos últimos anos. O caso Cláudio Castro é explícito.

– O papel da mídia

O segundo ponto a se analisar é o papel da mídia.

Nenhum jornalista, repórter, editor, diretor ou dono de grupo de comunicação tem a menor dúvida de que a equiparação do caso Fábio Luís ao de Flávio Bolsonaro é um embuste ciclópico.

Pior: se ajudar na eleição de Flávio, se perpetuará através dos tempos, não poupando diretores de redação, colunistas e editores que se lambuzaram com essa tese.

A hecatombe, de uma eventual eleição de Flávio, será atribuída não apenas aos que sujaram as canetas e teclados com essa manobra, mas aqueles que, antes disso, ajudaram a alimentar o ovo da serpente, da Operação Lava Jato.

Pessoal, não é pouca coisa. Se vocês forem bem-sucedidos nessa manobra de colocar uma organização criminosa no comando do país, responderão não apenas perante a opinião pública, mas perante seus filhos e familiares, que pagarão a conta.

Alguns se safarárão indo estudar ou buscar empregos melhores no exterior. Mas a grande maioria pagará a conta dessa enorme irresponsabilidade de roubar a opinião pública em favor de um miliciano.

Há muitos erros a se apontar em Lula, embora grande parte de sua inação se deva à falta de condições políticas, num modelo destruído pela Lava Jato e pelas redes sociais. Mas ele representou o campo democrático – assim como Fernando Henrique representou, bem como Mário Covas, Franco Montoro, Ulysses Guimarães e Tancredo Neves.

Apoiando Flávio Bolsonaro com essa manobra, vocês estarão jogando no lixo quarenta e cinco anos de luta democrática e de tentativa hercúlea de erguer um país dos escombros de uma sociedade civil destruída pela ditadura e por séculos de uma República mal formada.

Estamos planejando a integração na mais decisiva luta política da história, aquela que marcará o destino do país, como nação autônoma ou como uma possessão dos Estados Unidos, um Porto Rico com mais riquezas minerais.

O mundo atravessa uma mudança estrutural e coloca o Brasil em uma encruzilhada definitiva: a democracia ou a barbárie.

Às vezes minhas filhas se indagam quando pretendem parar. Dá um cansaço, um desânimo. Mundo e Brasil enfrentam um momento de ruptura. As novas tecnologias, a desconstrução das sociedades por uma financeirização terrível e, agora, pela extração de riqueza pelas plataformas, trazem uma enorme incógnita pela frente.

Algumas vezes penso que é hora de parar, de largar a luta, preparar o livro de memórias, aproveitar os anos que me restam.

Aí, me lembro da música de Celso Viáfora, e, um exemplo de Charles Laughton em “Testemunha de acusação”, ligo o computador e volto à luta.

“Pois quando tava me arrumando

Pra ir

Bati com os olhos no luar

E a lua foi bater no mar

E eu fui que fui ficando…:”

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