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sexta-feira, 24 abril 2026

A ilusão do “restart” e a mania de enxergar o ocidente como saída

Wellington Calasans – Correspondente na Europa

A narrativa de um “restart” global, frequentemente articulada por elites norte-americanas e ocidentais, revela mais sobre o medo da perda do que sobre a esperança de renovação.

Ao proporem uma reconfiguração da ordem mundial sob a égide de uma suposta modernização necessária, esses atores demonstram uma incapacidade crônica de conceber um cenário geopolítico onde o monopólio do poder não lhes pertença exclusivamente.

O discurso, embalado em termos técnicos como sustentabilidade, segurança global e governança, mascara a intenção estratégica de preservar estruturas institucionais desenhadas no pós-guerra para garantir a primazia econômica e militar do Atlântico Norte.

Assim, o “reinicio” torna-se uma ferramenta de contenção política: uma tentativa de atualizar o sistema operacional da hegemonia sem alterar os usuários administradores.

Essa visão limitada ignora a ascensão inevitável e irreversível de um mundo genuinamente multipolar, onde o chamado Sul Global e as potências emergentes não buscam apenas participar do jogo existente, mas reescrever as regras.

Contudo, a mentalidade colonial persistente no Ocidente interpreta qualquer redistribuição de influência como uma ameaça existencial à sua identidade, recusando-se a aceitar que o centro de gravidade do mundo já se deslocou.

Insistir em um domínio unilateral sob o pretexto de recomeço é, em última análise, fomentar instabilidade e conflito. A verdadeira evolução das relações internacionais exige o reconhecimento da pluralidade civilizatória e o fim do excepcionalismo ocidental.

Em poucas palavras, podemos dizer que o futuro não se constrói sobre a nostalgia de um império em declínio, mas na aceitação de uma convivência entre iguais. Aqui está o paradigma a ser resolvido.

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