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sexta-feira, 24 abril 2026

A desinformação, a covardia e a política no mundo do petróleo

Reprodução

Pedro Augusto Pinho*

Na matriz da energia mundial, o petróleo tem a posição mais relevante. A Agência Internacional de Energia (AIE) detalha o consumo, em 2025, conforme as fontes primárias, atribuindo ao óleo, parte líquida do petróleo, 106 milhões de barris por dia (mb/d), ao gás natural, 75 mb/d, totalizando para o petróleo 181 mb/d. O carvão mineral contribui com 81 mb/d, equivalentes, fazendo com que os combustíveis fósseis totalizem 262 mb/d.

As denominadas energias limpas colaboram com 30 mb/d, da biomassa, 15 mb/d das energias solar e eólica, e 8 mb/d, das hidrelétricas, somando 53 mb/d. A energia nuclear contribui com 16 mb/d, levando o total do consumo mundial para 351 mb/d.

Estas relações mostram que o petróleo (óleo mais gás natural) ainda é vital para o consumo mundial de energia, malgrado todos esforços e campanhas em favor da energia limpa, ou da “transição energética”.

Por que esta situação não chega com clareza aos consumidores, ao povo em geral? Porque é preciso vender a transição energética que enriquece o mundo que não tem mais controle sobre as reservas de petróleo.

Até a década de 1960, países como os Estados Unidos da América (EUA) e o Reino Unido (RU) tinham o protetorado ou suas empresas nacionais como proprietárias das reservas de petróleo no Oriente Médio e na Venezuela.

Hoje, após a criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), das transformações no poder mundial, da mudança nos detentores das tecnologias mais necessárias e nas relações internacionais, EUA E RU não mais controlam a produção, os fluxos comerciais e as reservas de petróleo.

Este poder está nas empresas estatais que foram constituídas nos países que detêm as maiores reservas: Venezuela, com a PDVSA, Arábia Saudita, com a Saudi Aramco, Irã, com a NIOC, Iraque, com a INOC, Emirados Árabes Unidos, com a ADNOC, Kuwait, com a KPC, Líbia, com a NIOC, Nigéria, com a NNPC e o Cazaquistão, reservas de 30 bilhões de barris em 31/12/2025, com a KAZMUNAI Gas. A Rússia, que detém a 6ª maior reserva, 113 bilhões de barris, nunca chegou a ter o controle estadunidense nem britânico.

Do que se viu até agora já ressaltam duas notícias diferentes do que a mídia divulga. Primeiro que o petróleo ainda é, e continuará sendo, por no mínimo meio século, a principal fonte de energia. E, não está ainda explícito, mas a provável fonte que poderá substituir o petróleo é a energia da fusão nuclear, que, em 2026 e ainda em pesquisa, apenas a China vem mostrando êxito.

Segundo que a energia exige a presença do Estado para arcar com os custos dos investimentos e os preços acessíveis às populações. A administração da energia é também a demonstração da soberania dos Estados Nacionais.

Mas o que vem fazendo o Brasil desde as eleições de 1989? Privatizando o Estado Nacional e, em especial, procurando retirar da Petrobrás a competência técnica e gerencial que obteve em setenta anos de existência, enfrentando a oposição do próprio governo desde 1990.

As privatizações atingiram a Petrobrás em diversos segmentos, inclusive o da Distribuição de derivados pela, muito suspeita e absolutamente contrária aos interesses nacionais, privatização da Petrobrás Distribuidora BR pelo Governo Bolsonaro.

A guerra de Israel e dos EUA contra o Irã estava prevista acontecer. Principalmente com o governo de Benjamin Netanyahu que pretende criar o Estado Judeu, como o descreveu Theodor Herzl (1860-1904), em seu livro, de fevereiro de 1896, “O Estado Judeu”, que abarca praticamente todo Oriente Médio e parte do Egito e do Sudão.

E cinco países, entre os sete de maiores reservas, estão na descrição do “Estado Judeu”, de Herzl.

Mas o presidente Lula não teve a coragem ou não compreendeu a importância de ter o petróleo sob controle do Estado, revogando a entrega de Bolsonaro à Vibra Energia da Petrobrás Distribuidora. E fica, agora, mendigando redução dos impostos estaduais, que atingirá os orçamentos, os programas e projetos dos 26 Estados brasileiros.

O mundo do petróleo é um mundo do poder. Sem petróleo os países se estagnam, a indústria para, o comércio se reduz e todo povo sofre.

Ao deixar que se privatizasse a Petrobrás, ao não revogar as medidas privatizantes, entre as quais o próprio Lula favoreceu com venda de ações da Petrobrás em bolsa de valores estrangeira, seu governo ficou cada vez mais refém do capital financeiro apátrida, dos gestores de ativos.

A vassalagem europeia aos EUA, colaborando com a destruição dos gasodutos Nord Stream 1 e 2, resultou na quase triplicação do preço do gás (28,16 euros em janeiro/2026 para os atuais 69,10 euros), apenas uma amostra do que será no próximo inverno.

Estamos em ano eleitoral que Lula e seu partido concorrerão para os executivos nacionais e estaduais, para a inteira renovação da Câmara dos Deputados e dois terços do Senado. Estaria disposto a deixar o poder como um traidor? O exemplo de Getúlio serve apenas para discurso?

Estamos todos de olho na questão que a Guerra contra o Irã trouxe para o Brasil, ainda mais que o Brasil é autossuficiente em petróleo, em energia hídrica, que teve também entregue pelo Bolsonaro à Axia Energia a Eletrobrás, que tem o maior gestor de ativos do mundo, a BlackRock, como sócio, e ainda pode desenvolver a biomassa, apoiando e não atacando com os latifundiários o Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST).

As “químicas” e negociações têm limites nas reações da outra parte. Acaso se imagina que Israel deixará de praticar o genocídio com os palestinos e povos vizinhos antes de constituir seu “Estado Judeu”? Apenas a força pode conter este Estado assassino. Se tivermos apagão, se não houver diesel ou gasolina no posto de serviço no Brasil, já sabemos quem culpar pela ação e pela omissão: anule seu voto.

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, membro do Conselho Editorial do Pátria Latina.

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