Trump recorre a argumentos mentirosos para promover nova agressão ao Irã
Júlio Miragaya (*)
Passados apenas oito meses da agressão norte-americano e israelense, em junho de 2025, o Irã voltou a ser vítima de um ataque terrorista na manhã de sábado (28/2), por forças desses dois países. Sim, terrorista, pois o objetivo é espalhar o terror entre a população iraniana visando desgastar o regime. Assim como fez Bush filho, quando invadiu o Iraque para destruir as inexistentes armas de destruição em massa, Trump recorreu a argumentos mentirosos para a nova agressão, como impedir o avanço do programa nuclear iraniano e a ameaça de mísseis balísticos iranianos atingirem os EUA ou mesmo a Europa.
Ora, o programa nuclear iraniano foi desmantelado pelos bombardeios de junho passado, e os mísseis iranianos Shahab mal atingem Tel Aviv, a 1.500 Km. Trump diz que o Irã desenvolve o Shahab 4, que pode atingir alvos a 2.000 Km. Mas Nova York está a 9.000 Km das bases de mísseis iranianas. Tampouco ameaçam a Europa, pois a distância dessas bases é de 5.400 Km até Londres e de 5.150 Km até Paris. Até a Grécia, o território europeu mais próximo do Irã, está a 3.500 Km.
A ditadura terrorista de Trump – sob as ordens de Wall Street, das Big Techs e do complexo industrial-militar – exige que o Irã abdique de seu arsenal de mísseis. Isso equivale a exigir que um país abdique totalmente de sua capacidade de defesa. O propósito dos EUA e de Israel é derrubar o regime iraniano que está no poder desde 1979, quando uma revolução popular depôs o odiado Xá Reza Palhevi.
Mero vassalo das corporações petrolíferas norte-americanas e britânicas, Palhevi foi fantoche do golpe de Estado de 1953, promovido pelos EUA, que derrubou o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, que havia estatizado a indústria petrolífera iraniana.
Com base numa eficaz rede de espionagem que opera no Irã, com o engajamento de iranianos que defendem a volta da submissão do país às corporações petrolíferas norte-americanas e britânicas (inclusive com o retorno do príncipe Reza II, da dinastia Palhevi), a inteligência de Israel e dos EUA conseguiram localizar e assassinar os principais dirigentes do regime iraniano, como o aiatolá Khamenei, o Ministro da Defesa e o chefe da Guarda Revolucionária. A resposta do Irã foi disparar mísseis contra Israel e bases militares dos EUA no Golfo Pérsico.
Os bombardeios norte-americano e israelense atingiram 24 das 31 províncias, praticamente todo o território iraniano. Já são quase 600 mortos no Irã, incluindo 153 meninas de 7 a 12 anos, covardemente assassinadas numa escola primária.
A mídia burguesa justifica o ataque israelense alegando que o Irã não reconhece o Estado de Israel e prega a sua destruição. Quanto cinismo! Não é justamente o mesmo que faz Israel, ao dizer que jamais admitirá a existência do Estado da Palestina? Só que no caso do Irã, não passa de retórica, enquanto Israel esmaga a Palestina todo santo dia.
O Imperialismo norte-americano quando quer se livrar de um governo que não se dobra a seus interesses, submete o país a pesadas sanções econômicas e financeiras, de forma a gerar o descontentamento popular e um movimento “espontâneo” para derrubar o governo. Assim fez no Chile, na Ucrânia e o faz em Cuba, Venezuela, Irã e Rússia.
Em Cuba, vítima de 60 anos de boicote econômico, os EUA não só impedem que suas empresas comercializem com a ilha, como também pune empresas de outros países que o façam. Recentemente interrompeu o suprimento de petróleo para Cuba, paralisando a economia do país, inclusive setores essenciais como transporte público e hospitais.
Na Venezuela, após anos de sabotagem econômica, tiveram a ousadia de sequestrar o presidente e impuseram a tutela sobre o país, notadamente sobre seus enormes recursos petrolíferos. No Irã, além das sanções econômicas, transgrediram todas as normas internacionais, bombardeando o país pela segunda vez.
Até a Dinamarca, aliada na OTAN, vive o dissabor de aturar a pretensão de Trump de incorporar a Groenlândia a seu território. Quanto à Rússia, potência nuclear, o tigrão vira gatinho.
Óbvio que o argumento de levar democracia e liberdade ao Irã não passa de “engana trouxa”, pois, ali ao lado, os EUA sustentam as ditaduras autocráticas e sanguinárias do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, EAU, Kuweit, Bahrein, Catar e Omã). Afinal, são ditaduras amigas, que fornecem petróleo e compram armamentos do Ocidente, além de permitirem a instalação de bases militares dos EUA.
E qual o saldo das derrubadas de regimes pelas potências ocidentais no Egito, Líbia, Síria e Iraque? O Iraque virou um país em conflito permanente; o Egito é governado pelo general-ditador Abdel Sisi; a Líbia foi fragmentada entre várias facções que governam partes de seu território e a Síria é governada pelo ex-terrorista da Al-Qaeda Ahmed al-Shar’a, convertido em “democrata” amigo dos EUA.
Quem vai parar o imperialismo terrorista norte-americano?
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