Por Joel Michel Varona
Correspondente-chefe no Haiti
Potenciais imigrantes estão angustiados com as últimas notícias da imprensa americana, que são reproduzidas aqui, deixando os haitianos que haviam planejado como realizariam seus sonhos na mais profunda incerteza.
E o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, já planejou rejeitar pedidos de asilo de centenas de milhares de imigrantes haitianos, tornando-os elegíveis para deportação como parte de uma ampla repressão.
Este pacote de medidas visa impedir que os haitianos recebam proteção nos Estados Unidos, e sabe-se, embora trabalhem discretamente, que uma equipe de funcionários está compilando a lista para selecionar mais pessoas para expulsão.
Neste caso, são aqueles que entraram ilegalmente nos Estados Unidos e posteriormente solicitaram asilo, e seus casos devem ser encerrados, colocando-os em risco de deportação.
Nos últimos 10 anos, a maioria dos que solicitaram asilo ao Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos confessou que entrou na União ilegalmente.
O Haiti é um excelente exemplo disso, e é por isso que agora é o país com o maior número de pessoas que chegaram ilegalmente aos Estados Unidos, usando rotas inseguras para escapar da crise.
De acordo com o jornal digital Haiti Libre, “há quase 700.000 casos, e o maior número foi relatado no ano fiscal de 2024, com 220.798, seguido por 163.781 em 2023, 56.596 em 2022 e 47.478 nos nove meses do ano fiscal de 2021”.
Por meio do Programa de Residência Condicional, 211.000 haitianos foram legalmente admitidos nos Estados Unidos.
Grégoire Goodstein, chefe da missão da Organização Internacional para as Migrações no país caribenho, explicou recentemente que a situação socioeconômica no Haiti é agonizante.
Somado a isso, há a violência extrema vivenciada nos últimos meses, que levou muitos haitianos a buscar soluções desesperadas, observou o especialista. Ele afirmou que a falta de oportunidades econômicas, o colapso do sistema de saúde, o fechamento de escolas e a falta de perspectivas estão levando muitas pessoas a considerar a migração como a única forma de sobrevivência.
É verdade que uma grande porcentagem entrou ilegalmente nos Estados Unidos, mas muitos aproveitaram o programa legal oferecido pelo governo do ex-presidente Joe Biden, que lhes permitiu viver e trabalhar com documentos adequados.
Este programa foi criado para ajudar pessoas que buscam refúgio nos Estados Unidos e não podem retornar em segurança à sua terra natal.
No entanto, não se deve esquecer que os haitianos já estavam na mira de Trump, pois durante sua campanha ele atacou a comunidade caribenha nos Estados Unidos, espalhando mentiras que os despojavam de seu status de bons trabalhadores e os vestiam como criminosos, fazendo-os parecer uma ameaça aos americanos.
Trump repetiu incansavelmente a acusação absurda de que os haitianos em Springfield, Ohio, estavam comendo os cães e gatos de seus vizinhos.
O inquilino da Casa Branca pouco se importava com a insistência das autoridades locais em defender a conduta dos haitianos, uma força de trabalho essencial para o desenvolvimento da cidade.
Hoje, os Estados Unidos têm uma política de imigração contraditória em relação ao Haiti, onde o caos, a morte e a pobreza reinam, e seus cidadãos emigrados querem reconstruir suas vidas em solo do norte.
A violência de gangues no Haiti deixou 2.680 mortos entre janeiro e maio, incluindo 54 crianças. Em uma escalada sem precedentes, mais de 950 cidadãos ficaram feridos e 316 foram sequestrados para resgate.
Segundo estimativas atuais, mais de 1,3 milhão de pessoas foram forçadas a fugir de suas casas para escapar da violência de gangues.
Nesse contexto, os Estados Unidos anunciaram o fim do Status de Proteção Temporária (TPS) para o Haiti, alegando que seus cidadãos podem retornar em segurança ao país caribenho, uma contradição de termos, segundo rádios locais.
A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, explicou que a designação TPS do país caribenho expira em 3 de agosto e seu término entrará em vigor em 2 de setembro deste ano.
As agências governamentais analisam as condições em um país designado para o TPS e determinam se ele justifica tal status. Se os requisitos forem atendidos, elas avaliarão por quanto tempo o status será prorrogado.
Noem concluiu que as condições no Haiti não atendem mais aos requisitos legais para o TPS.
Assim, o Secretário de Segurança Interna dos EUA pediu aos haitianos que retornassem para casa, ao mesmo tempo em que os aconselhou a usar o aplicativo Home da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) para relatar sua saída do país.
Apesar das alegações do Departamento de Segurança Interna de que a situação no Haiti melhorou, o Departamento de Estado dos EUA continua desaconselhando todas as viagens ao país caribenho devido aos níveis extremos de criminalidade, sequestros e agitação civil.
A mídia local descreveu a decisão como contraditória e, segundo o site Vant Bef Info, os Estados Unidos estão entre os responsáveis pelo tráfico de drogas e armas no Haiti, fatores que atualmente reforçam o aumento da violência e da insegurança no país caribenho.