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terça-feira, 18 junho, 2024

Visita de Shoigu à Coreia do Norte: como foi e que significa para relações entre Moscou e Pyongyang?

© Sputnik / Serviço de imprensa do Ministério da Defesa da Rússia

Sputnik – A delegação militar russa, chefiada pelo ministro da Defesa Sergei Shoigu, chegou à Coreia do Norte na terça-feira (25) para participar das celebrações que marcam o 70º aniversário do fim das hostilidades na Guerra da Coreia.

No Aeroporto Internacional de Sunan, nos subúrbios de Pyongyang, foi realizada uma cerimônia oficial de recepção da delegação russa com a participação de uma companhia de guarda de honra do Exército Popular Coreano. A delegação foi recebida pelo ministro da Defesa da Coreia do Norte, general de exército Kang Sun-nam.

Programa da visita

O programa da visita de Sergei Shoigu à República Popular Democrática da Coreia (RPDC) foi muito preenchido. Além dos eventos cerimoniais, como a colocação de flores nos monumentos de Kim Il-sung e Kim Jong-il na Colina Mansu e a visita à casa-museu onde nasceu Kim Il-sung, em Mangyongde, ela foi uma ocasião para importantes conversas bilaterais.
Assim, Shoigu manteve conversações com seu homólogo norte-coreano Kang Sun-nam. Outra reunião importante ocorreu mais tarde – o ministro da Defesa russo se reuniu com o líder norte-coreano Kim Jong-un.
Shoigu enfatizou durante os encontros que a Coreia do Norte é um parceiro importante da Rússia e observou que a cooperação entre os dois países foi reforçada no período pós-guerra.
Mais tarde, o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, em vista de seu encontro, inspecionaram também mísseis balísticos intercontinentais da Coreia do Norte, assim como tanques, veículos blindados, drones e outros equipamentos militares.
Ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, realizou em Pyongyang conversações com o seu homólogo da Coreia do Norte, Kang Sun-nam - Sputnik Brasil, 1920, 27.07.2023

Panorama internacional

Kim Jong-un mostra a Shoigu novos drones semelhantes aos americanos 

Em meio à visita do ministro da Defesa russo à Coreia do Norte, Pyongyang fez um desfile militar na quinta-feira (27) com a presença de seu líder, Kim Jong-un, Shoigu e o membro do Politburo do Partido Comunista da China Li Hongzhong.
Kim, Shoigu e Li conversaram, riram e saudaram enquanto as tropas norte-coreanas marchavam e os armamentos passavam, segundo mostraram imagens transmitidas pela mídia estatal norte-coreana.
De acordo com a Reuters, o desfile contou com uma passagem de novos drones de ataque e espionagem e dos mais recentes mísseis balísticos intercontinentais Hwasong-17 e Hwasong-18 da Coreia do Norte.

Visita importante e ‘um passo em frente’

De acordo com Aleksandr Zhebin, o pesquisador principal do Centro de Estudos Coreanos do Instituto da China e da Ásia Moderna, a visita do ministro da Defesa russo à RPDC é importante para as relações bilaterais entre Moscou e Pyongyang.

“A visita do ministro da Defesa russo a qualquer país é certamente importante. Muito mais a um país vizinho com o qual temos um Tratado de Amizade, Boa Vizinhança e Cooperação, a um país que, como a Rússia, também está sob sanções econômicas muito severas dos EUA e seus aliados, além das sanções do Conselho de Segurança da ONU”, disse Zhebin à Sputnik.

Ele observou que a República Popular Democrática da Coreia é um dos poucos países a declarar que está “na mesma trincheira com a Rússia” no contexto da operação militar especial russa na Ucrânia.
O especialista acrescentou que Sergei Shoigu foi à Coreia do Norte não só para participar do desfile e de outros eventos solenes, mas também para discutir questões específicas e tanto da interação, talvez na arena internacional, como da sua “cooperação político-militar”.
Assim, Zhebin acredita que a visita de Shoigu à RPDC contribuirá para a intensificação da cooperação entre Moscou e Pyongyang na esfera militar.
Além disso, como ressaltou ele, a Coreia do Norte apoia a Rússia na arena internacional, na ONU e em outros fóruns internacionais, mas no Oriente a participação mais ativa de Pyongyang seria mais racional.

“Mas no Extremo Oriente, onde se formam grupos antichineses e antirrussos, como a AUKUS e outros, a participação e coordenação com a RPDC parece-me mais racional e razoável do que envolver a Coreia do Norte em qualquer ação prática na Ucrânia“, disse ele.

Significado simbólico e esperança de maior comunicação

De acordo com outro especialista, Oleg Davydov, pesquisador sênior do Grupo de Problemas Gerais da Região da Ásia-Pacífico do IMEMO da Academia das Ciências da Rússia e antigo enviado-conselheiro da Embaixada da Rússia na RPDC (2002-2006) e da Embaixada da Rússia na República da Coreia (2011-2016), a visita da delegação russa liderada pelo ministro da Defesa, Sergei Shoigu, foi a primeira visita de uma delegação de alto nível ao país norte-coreano em três anos e meio.
Ele lembrou que, desde janeiro de 2020, a RPDC esteve completamente isolada do mundo exterior, impondo medidas extraordinárias para evitar a penetração da COVID-19, por isso, a visita da delegação russa teve um significado simbólico para Pyongyang e Moscou.
Segundo ele, a nova situação é uma boa oportunidade para restaurar os laços bilaterais e os contatos reduzidos durante o período da COVID. O especialista chamou a atenção para o fato de que a delegação russa foi recebida ao mais alto nível, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, dedicou muita atenção pessoal a Shoigu.
Assim, segundo o especialista, embora Moscou e Pyongyang estejam interessadas em estabelecer laços militares, ainda existem algumas restrições formais relacionadas com o fato de a República Popular Democrática da Coreia estar sujeita a sanções internacionais extremamente rigorosas, embora legítimas, aprovadas anteriormente pelo Conselho de Segurança da ONU em conexão com o desenvolvimento do programa de mísseis nucleares de Pyongyang.

Falando sobre o desenvolvimento da cooperação entre Pyongyang e Moscou, Davydov disse: “A abertura gradual das fronteiras da Coreia do Norte dá esperança para uma certa intensificação das trocas e relações bilaterais”.

De acordo com o especialista, a Rússia também está muito interessada em estabelecer um diálogo estratégico franco com a RPDC através das entidades de política externa.

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