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quarta-feira, 12 junho, 2024

Vietnã e Ho Chi Minh

Emiliano José*

Vivíamos divididos entre Che Guevara e Ho Chi Minh.

Nossos sonhos de juventude eram embalados pelos dois.

Importava menos para nosotros os fatos, e mais, muito mais a simbologia, a aura a cercá-los.

Aqui me detenho em Ho Chi Minh e no Vietnã.

O líder vietnamita, notável estrategista, via na questão nacional o caminho da revolução.

Derrubou muros a tentar separar socialismo e a luta pela independência nacional. Na esteira do pensamento leninista, entendeu, e colocou em prática a ideia de que a vitória sobre o imperialismo abria uma nova era para a humanidade.

A Guerra do Vietnã restou como exemplo para todos os povos do mundo.

E era alimento para nossas almas insubmissas de jovens envolvidos na luta contra a ditadura no Brasil.

Tendo como base a teoria da luta pelo socialismo e pela independência nacional, constituiu-se uma força invencível, a enfrentar poderosos inimigos.

Força militar, mas com a política no posto de comando: um Partido Comunista consistente, capaz de dar rumos à luta.

Os adversários, contemporaneamente os franceses e os americanos, talvez não conhecessem suficientemente a história de luta do Vietnã, invadido pelo menos 20 vezes ao longo da história milenar aquele país.

Nação forjada na luta

Construiu ao longo do tempo uma rara têmpera de resistência heroísmo, coragem.

Atributos capazes de vencer impérios se a luta fosse dirigida pelo notável revolucionário, escritor, poeta e jornalista Nguyen Sinh Cung, nome de batismo de Ho Chi Minh, nascido em 1890.

Como foi

Foi ele a dar unidade, consistência à luta socialista e antiimperialista.

Se não chegou a vê-la inteiramente vitoriosa, deixou solidamente plantadas as sementes da vitória.

Morreu em setembro de 1969

Desenvolveu estratégia de luta contra o colonialismo francês, contra a invasão japonesa e depois contra o imperialismo norte-americano, cuja gigantesca máquina de guerra foi fragorosamente derrotada, numa autêntica luta de David contra Golias.

Em 30 de abril de 1975, quando as tropas da Frente de Libertação Nacional libertaram Saigon, selava-se a vitória dos vietnamitas, reunificava-se o país, derrotados todos os impérios invasores, e naquele momento expulsando o maior império militar do planeta.

Vitória a marcar época.

O heroísmo de um povo.

E naquele dia de vitória, o povo vietnamita não deixava de recordar o grande herói daquela luta, Ho Chi Minh.

O Vietnã, uma república socialista, quase 100 milhões de habitantes, afirma o papel central do Partido Comunista. Do ponto de vista estritamente econômico, diria ser um socialismo de mercado, abrindo-se para estruturas capitalistas sob controle do Estado, tal e qual o modelo chinês, com as singularidades do País. A tecnologia da informação e indústrias de alta tecnologia são as de maiores crescimento na economia do país.

Tem desenvolvido políticas destinadas a eliminar a extrema pobreza, a evitar o crescimento da desigualdade no país. Tais políticas incluem a distribuição igualitária da terra, o investimento em áreas remotas mais pobres e o fortalecimento da educação e saúde públicas. A partir dos anos 1990, tornou-se importante destino turístico, sobretudo visitações à antiga capital imperial de Hué, Parque Nacional de Phong Nha-Ké Bàng e o Santuário de Mi-sön.

A República Socialista do Vietnã conseguiu firmar-se como Nação moderna, de desenvolvimento acelerado, combinando avanço tecnológico com o combate às desigualdades sociais. Legado do pensamento de Ho Chi Minh. As novas gerações souberam apropriar-se de tal pensamento e encontrar caminhos a levar a nação a superar os novos desafios.

*Jornalista, escritor, autor de “Em carne viva”, “Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura militar”, “As asas invisíveis do padre Renzo”, dentre outros livros.

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