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sábado, 15 junho, 2024

Venezuela, Nicarágua e Cuba não se rendem aos EUA-UE-OTAN e Brasil fica em cima do muro

Foto: Reprodução da internet

César Fonseca 

Subrepticiamente, o comunicado final da reunião da CELAC-UNIÃO EUROPEIA-OTAN, em Bruxelas, teima em tratar a América Latina como colônia subcapitalista, eterna reserva de riqueza primária para usufruto dos países ocidentais ricos, em crise acelerada diante da guerra na Ucrânia, com efeitos negativos globais sobre o dólar e o império americano, em contraposição à aliança China-Rússia favorável ao multipolar.
Mais uma vez, o auê internacional provocado pelos EUA-EU-OTAN contra a Venezuela, para continuar dividindo os latino-americanos entre si, centra-se agora na decisão da justiça venezuelana pela inadimissibilidade da candidata Maria Corina Machado às prévias eleitorais à disputa presidencial, barrada legislação do país.
Ela foi punida, em 2015, por apoiar as sanções comerciais dos Estados Unidos contra a Venezuela, razão principal da desorganização econômica, que produziu, ao longo dos últimos cinco anos, emigração e miséria recordes.
Mutatis mutantis, não é isso que acaba de acontecer, no Brasil, relativamente, a Bolsonaro, inabilitado, por oito anos, pelo TSE, guardião da legislação eleitoral brasileira, contra tentativa de golpe fascista bolsonarista?
A cobertura do assunto no Brasil, que acompanha, acriticamente, o ponto de vista de Washington, constroi narrativa para dar entender que foi o presidente Maduro que inabilitou a candidata oposicionista e não a justiça eleitoral.
Seria correto aplicar a mesma interpretação, no Brasil, para considerar Lula o responsável por Bolsonaro ficar inabilitado?
A Venezuela não é o que a mídia tupiniquim conservadora pinta.
Os venezuelanos, politicamente, mais conscientes, não deixaram a democracia burguesa chegar ao poder aliada ao fascismo como aconteceu no Brasil entre 2018-2022.
RAZÕES PROFUNDAS
O buraco é mais embaixo: o império americano quer, mesmo, como já demonstrou em vezes anteriores, abocanhar o petróleo venezuelano, da mesma forma que a Inglaterra roubou reservas em ouro, acumuladas pela Venezuela, para justificar apoio a Guaidó, oposicionisa de araque, malandro sem vergonha, que tentou usurpar o poder, com ajuda de Washington, da União Europeia e, igualmente, da mídia tupiniquim.
Sobretudo, emergem dois fatores transcedentais como pano de fundo essencial: um geopolítico, outro ideológico, sobre os quais não se discute por aqui.
Maduro, sob sanção imperialista, não levada em consideração nas análises da mídia ocidental, aproxima-se, geopoliticamente, cada vez mais de Rússia e China.
Contraria Biden, que raciocina com a Doutrina Monroe, de 1823, de que a América é dos americanos, ressalte-se, americanos do norte.
O fator ideológico é, evidentemente, a opção socialista bolivariana do regime chavista, que Maduro preserva, com governabilidade cívico-militar, para evitar o assalto às riquezas nacionais, do petróleo e dos minerais em abundância.
Sob tal opção ideológica do povo, vencedora de 27 das 29 eleições, nos últimos vinte anos, disputadas pelo partido do governo, PSUV, de vertente nacional-socialista, segue forte a posição nacional socialista venezuela, para tentar vencer a próxima presidencial.
Cansada das disputas eleitorais, a oposição, ancorada em proposta neoliberal antipopular, apoiada por Washington, tem fugido, sistematicamente, das eleições.
Os oposicionistas ultradivididos, incapazes de se unirem, inventam um motivo qualquer e fogem das urnas, para fazer proselitismo internacional golpista, com apoio da reação conservadora ao regime, como aconteceu com Bolsonaro.
VOZ DO IMPÉRIO CONTRA PERIFERIA
O ministro Fernando Haddad, da Fazenda, vocaliza, hoje, os termos da declaração da reunião Celac-UE, em Bruxelas, defendendo eleições livres, como se os pleitos realizados anteriormente não tivessem validade, nem fossem chancelados por fiscalização internacional ampla, com cobertura da imprensa.
A realidade dura de engolir para Washington é que a cada eleição, o Partido Socialista Unido da Venezuela(PSUV) galga novos degraus, no processo de consolidação da democracia socialista venezuelana, sabotada, cruelmente, pelas sanções do império de Tio Sam, que a esquerda-Boric cuida de minar, na América do Sul, ao lado do presidente ultra-conservador Lacalle, do Uruguai, exercitando o papel de Cavalo de Troia.
A missão do líder direitista uruguaio, monitorado pela Casa Branca, é clara: manter a América do Sul dividida.
Cuida, egoisticamente, de aproximar da China, de forma individual, para tentar transformar o Uruguai em porto chinês, de modo a desovar em sul-america mercadorias baratas da China, cujo resultado é barrar industrialização sul-americana.
Essencialmente, Lacalle esconde o discurso de cooperação de Xi Jinping em favor de multipolaridade global, começando pelas trocas comerciais, na geopolítica sul-sul, em moedas locais.
O mesmo acontece, também, relativamente, a posição imperialista aplicada contra a Nicaragua, porque se alia à China para construir novo canal bioceânico(pacífico-atlântico), no país, superior e mais moderno do que o Canal do Panamá.
Passou batido, propositalmente, pela mídia, o fato de a ONU conferir razão ao governo Ortega, que sofre os prejuízos da tentativa de golpe militar no país, em 2018, com resultado trágico de mais de 300 mortos.
A Nicarágua teria a receber, segundo decisões da ONU, valor milionário em indenizações, conforme informado pelo governo na última reunião do Foro de São Paulo, em Brasília.
Enquanto sofre escaramuças de toda a natureza, apoiadas por elite interna aliada à Igreja, obediente a Washington, o governo Ortega comete pecado capital de acelerar aproximação com a Rússia, aliada forte da China, na guerra, na Ucrânia, contra ONU-EUA.
A mídia conservadora latino-americana, rendida aos argumentos da OEA, braço de Washington, não tem coragem, ademais, de informar ao mundo que o governo Ortega alcançou o maior índice de desenvolvimento humano no continente, sétimo lugar no mundo.
Hoje, o país, segundo a Cepal, é cortado, de norte a sul e de leste a oeste por modernas rodovias e ferrovias, com índice de inflação sustentável para atrair investidores às obras de infraestrutura, ao lado de próspero mercado interno consumidor.
Mas, cadê as informações jornalísticas sobre o assunto, deixando margem, apenas, para fakenews?
Como Nicarágua e Venezuela, Cuba, da mesma forma, é permanente o alvo de Tio Sam, que faz vigorar, ainda, a emenda Platt, imperialista, que trata o país como território dos Estados Unidos, desde primeira década do século 20.
Fez bem ou não a Nicaragua em não assinar a declaração final da reunião da Celac-União Europeia, cuja essencia é tentativa dos europeus, assim como dos americanos, de tratarem a América Latina como colônia?
Lula, ao reverberar o veto político dos eurocentristas colonialistas-racistas à Venezuela, dá margem ao discurso de Haddad, no fundo, prisioneiro do colonialismo fiscal e monetário imposto pelo Banco Central Indepente comandado pelo neoliberal Campos Neto, porta-voz do império, que não deixa o Brasil crescer, sustentavelmente.

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