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Venezuela

Postado em 20/03/2020 11:01

Venezuela enfrenta o bloqueio e busca solidariedade para encarar pandemia

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Vice-presidenta Delcy Rodríguez recebe ajuda humanitária da China no aeroporto internacional Simón Bolívar; FMI negou apoio – VTV

Além de medidas internas ágeis elogiadas até por setores da oposição, país ganhou apoio da China e de Cuba

Michele de Mello
Brasil de Fato 

Nesta quinta-feira (19), a Venezuela recebeu um carregamento de equipamentos médicos de ajuda humanitária da China para combater a pandemia global do covid-19. Roupas especiais, luvas e 4 mil kits de testes para diagnóstico do vírus estão entre os donativos.

O país governado por Nicolás Maduro já registra 42 casos confirmados. A quarta-feira (18) foi o primeiro dia sem registros de novos contágios no país.

“Queremos, de alma, agradecer à República Popular China, ao presidente Xi Jinping e ao seu povo, por essa generosidade, por essa demonstração de afeto, amizade e cooperação entre os nossos países”, afirmou a vice-presidenta executiva do país, Delcy Rodríguez, ao receber os produtos chineses no aeroporto internacional Simón Bolívar, estado de La Guaira.


Venezuela e China estabeleceram ponte aérea para envio de insumos médicos para a prevenção ao Covid-19 / VTV

Pioneira

A Venezuela foi o primeiro país do continente americano a decretar medidas de prevenção ao coronavírus. Segundo determinações do presidente Nicolás Maduro, ainda no dia 15, quando haviam sido confirmados apenas 16 casos da doença, o chefe de Estado decretou quarentena social nos estados fronteiriços, suspendeu os voos vindos da Europa e da Colômbia. Nos dias seguintes, também fechou duas fronteiras terrestres e o espaço aéreo, permitindo apenas o transporte de cargas.

Dessa forma, o governo bolivariano pretende conter o avanço do contágio da covid-19, que, segundo o Ministro de Comunicação e Turismo, Jorge Rodríguez, começou no país com turistas europeus como vetores da doença.

Também no último fim de semana, profissionais de saúde cubanos aterrissaram no território venezuelano para apoiar na assistência médica.

Guaidó em baixa

A rapidez com que o governo Maduro respondeu à epidemia arrancou elogios até mesmo de setores opositores. Apesar de o autoproclamado presidente interino Juan Guaidó seguir tentando expressar algum tipo de influência política, anunciando a formação de uma comissão na Assembleia Nacional para levantar o número de casos e pedir a entrada de ajuda humanitária, efetivamente o deputado não atraiu outra coisa senão novas sanções ao país desde janeiro de 2019.

Na sua última mensagem pública, Guaidó sequer tomou os cuidados recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como o uso de máscara ou luvas de proteção.

Juan Guaidó

@jguaido

Ponemos a disposición del país las capacidades construidas por un Gobierno Encargado en dictadura, sin olvidar la lucha que emprendimos para nunca más vivir esta situación de fragilidad como la que hoy vive Venezuela al enfrentar la pandemia del Coronavirus.

Vídeo incorporado

Henri Falcón

@HenriFalconLara

Quiero exhortar a todos, sin distraernos o detenernos en diferencias ideológicas o partidistas, obrando con la mayor grandeza, a que echemos a la espalda nuestros odios y resentimientos, pues es la hora de las MANOS SOLIDARIAS, de la UNIDAD NACIONAL y NUESTRO PROPIO ESFUERZO!!

FMI nega auxílio financeiro

Desde 2015, a Venezuela sofre com um bloqueio econômico, que se expressa em 145 sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

Os danos para o sistema de saúde são evidentes. Além das dificuldades de ter acesso a substâncias e medicamentos básicos – a Rússia é o único fornecedor de insulina ao país – a crise econômica também impede a manutenção adequada das unidades de saúde e o pagamento de salários dignos aos profissionais.

O presidente Maduro solicitou, na quarta-feira (18), um empréstimo de US$ 5 bilhões (mais de R$ 25 bilhões) ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O pedido foi recusado pelo organismo internacional, que afirmou “não encontrar justificativas para a medida”.

Em maio de 2018, o FMI emitiu uma moção de censura contra a Venezuela, depois que o governo bolivariano se negou a atender determinadas exigências do ente financeiro.

Além de pedir auxílio financeiro ao FMI, Maduro telefonou ao presidente da OMS, Tedros Adhanom, para solicitar ajuda humanitária.

Delcy Rodríguez@DrodriguezVen

Presidente @NicolasMaduro conversó telefónicamente con el Director de la @opsoms Dr. Tedros Adhanom y le solicitó ayuda especial para Venezuela, víctima de un bloqueo criminal por parte del gobierno de EEUU. Agradecemos al Dr. Adhanom su disposición a apoyarnos frente al Covid-19 https://twitter.com/PresidencialVen/status/1240405945001349120 

Prensa Presidencial@PresidencialVen

#AHORA | Pdte. @NicolasMaduro ha solicitado a la OMS una ayuda humanitaria especial, a través de kits, pruebas para detectar el Coronavirus, insumos, asistencia y cooperación técnica, informa Vicepdta. Ejecutiva @DrodriguezVen

Vídeo incorporado

Para controlar as cifras de casos suspeitos e de contágios confirmados em nível nacional, o governo criou uma enquete no Sistema Pátria, pelo qual os cidadãos venezuelanos podem se cadastrar para receber bônus e se inscrever em programas sociais.

Até o momento, segundo Maduro cerca de 6 milhões de pessoas responderam o questionário. Os dados coletados são enviados à Comissão Presidencial de Seguimento, Controle e Prevenção do covid-19.

Devido à quarentena, que inclui a suspensão do trabalho no serviço público nacionalmente, o Estado organizou novas jornadas de distribuição de cestas básicas através dos Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP).

Durante uma emissão em cadeia nacional, Maduro afirmou que seriam distribuídas 10 milhões de caixas CLAP, que contêm produtos básicos, como arroz, feijão, farinha e óleo de soja.


Cidadãos organizados nos Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP) ajudam a distribuir cestas básicas. / MPRRE

O Ministério do Poder Popular para a Alimentação também ativou o Plano de Distribuição de Proteína Animal de casa em casa, entregando carne de frango com apoio dos coordenadores locais dos CLAP, da Força Armada e das Brigadas Bolivarianas.

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