Por Orlando Oramas León
Correspondente-chefe no Uruguai
Yamandú Orsi venceu a presidência e com ele a Frente Ampla (FA) chegou à Torre Executiva para governar em nome da aliança diversa que se autodenomina de esquerda e acolhe diferentes correntes políticas.
O governo de Orsi é o quarto da Frente Ampla, somando-se aos dois de Tabaré Vázquez e ao interino de José Mujica, ambos líderes da Frente Ampla que já não estão fisicamente presentes.
Ele considerou que o gabinete ministerial representa o equilíbrio político dentro da diversidade da Frente Ampla, que o indicou para o cargo, e também o equilíbrio de gênero, com cinco mulheres como ministras.
No âmbito parlamentar, a Frente obteve maioria no Senado, mas não na Câmara dos Deputados, onde é obrigada a negociar com a oposição, que, até o final do ano, terá questionado quatro ministros do atual governo por diversos motivos.
Este mês, o governo garantiu a aprovação da lei orçamentária com alterações aprovadas no Senado e ratificadas na Câmara dos Deputados, onde recebeu votos do Cabildo Abierto e de outros legisladores da oposição, que permaneceram divididos.
Com essa legislação, que entra em vigor em 1º de janeiro, o Poder Executivo poderá estabelecer o roteiro para seu desempenho até 2030.
O presidente uruguaio se apresenta como um líder que dialoga e, em muitos casos, dá continuidade às políticas e ações do governo anterior de Luis Lacalle Pou.
Ele afirmou ter interesse em estabelecer políticas estaduais que transcendam o tempo e estejam acima de disputas políticas e eleitorais.
OS DIÁLOGOS
Portanto, ele solicitou dois diálogos importantes: um sobre segurança social e outro sobre segurança pública.
Este último tem até março de 2026 a apresentação e implementação gradual do Plano Nacional de Segurança Pública.
Será o resultado de um processo de consulta que envolveu 79 instituições, cinco partidos políticos, além de representantes da academia, especialistas, empresários e sindicatos, entre outros atores, inclusive internacionais.
Por sua vez, o Diálogo Social Nacional busca construir um amplo consenso sobre o futuro do sistema de proteção e segurança social do país, abordando desafios como o envelhecimento da população, a pobreza infantil e os cuidados.
À mesa de negociações está o sindicato PIT-CNT, que defende a equiparação do salário mínimo às pensões mínimas, a eliminação das empresas de gestão de pensões, a fixação da idade de aposentadoria em 60 anos e a redução da jornada de trabalho.
O movimento operário também tem em sua agenda a proposta de taxar o setor mais rico da sociedade para arrecadar fundos para combater a pobreza infantil.
Esta é uma iniciativa que não conta com apoio governamental.
Ao mesmo tempo, a federação sindical unitária propõe ao governo e ao país um novo modelo de desenvolvimento produtivo nacional, pelo qual promete travar uma batalha política.
Essas são questões que acompanharam tanto as greves parciais nacionais convocadas pelo PIT-CNT quanto outros protestos que demonstram a persistência do conflito trabalhista, acompanhado de demissões e fechamento de diversas empresas.
O Ministério do Trabalho e da Segurança Social tem tido a árdua tarefa de mediar os conflitos entre os sindicatos e os empregadores, o que inclui as negociações dos Conselhos Salariais.
Na esfera política, a Frente Ampla mantém seu apoio ao governo, embora com manifestações críticas de facções internas sobre questões tanto nacionais quanto internacionais.
As principais manifestações ocorreram em frente à Torre Executiva, devido à relutância do governo em reconhecer que Israel cometeu genocídio contra a população palestina, particularmente em Gaza.
Há também relatos sobre o silêncio em torno dos preparativos de guerra de Washington contra a Venezuela, em cujas costas mobilizou uma frota letal e realizou mais de vinte bombardeios contra embarcações civis, resultando em dezenas de mortes.
RELATÓRIO PRESIDENCIAL
Orsi fez recentemente uma avaliação em um discurso perante a Associação de Executivos de Marketing e reiterou que sua administração encontrou um cenário fiscal mais complexo do que o esperado, incluindo milhões de dólares em dívidas estaduais “que não foram registradas de forma clara”.
Nesse contexto, ele enfatizou a gravidade do aumento da pobreza infantil, que atingiu 20% em 2024.
Ele mencionou que alguns prestadores de serviços de saúde estavam enfrentando dificuldades financeiras e que havia uma escassez persistente de medicamentos, além de um “número recorde” de processos judiciais contra o Estado.
Ele afirmou que, durante esse período, o Governo melhorou o acesso a medicamentos e promoveu outras medidas para avançar rumo a uma “saúde de qualidade sem tempos de espera”.
Ele enfatizou que o emprego mostra sinais de melhoria. “Hoje, o Uruguai tem mais pessoas trabalhando: a taxa de emprego está no nível mais alto dos últimos 10 anos.”
O presidente afirmou que isso é resultado de um quadro macroeconômico responsável, um clima de confiança e iniciativas concretas de investimento público e privado.
Ele afirmou que a educação é a principal prioridade e mencionou medidas como vouchers escolares, bolsas de estudo Butía e programas de alimentação em centros educacionais.
Ela também mencionou o programa Grow From the Ground Up, que busca melhorar as condições mínimas nos lares de recém-nascidos.
Orsi concluiu seu discurso enfatizando seu compromisso com o diálogo e a garantia de investimentos para o país sem a onipresença do Estado.
Esses são apenas alguns vislumbres dos primeiros nove meses de um governo que venceu as eleições com 63 compromissos fundamentais, muitos dos quais aguardam um orçamento e também a concretização da vontade política.