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quarta-feira, 7 janeiro, 2026

Uruguai: Fazer ou não fazer parte do BRICS

Montevidéu (Prensa Latina) O presidente uruguaio Yamandú Orsi participou da recém-concluída XVII Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro, mas o dilema de fazer ou não parte do bloco é difícil para o governo uruguaio, que faz questão de não incomodar os Estados. Unidos.

Por Orlando Oramas León

Correspondente-chefe no Uruguai

Orsi participou do fórum realizado nos dias 6 e 7 de julho como convidado de seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que sediou o encontro, que reuniu líderes e altos funcionários do Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Também da Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Nigéria, Malásia, Tailândia, Vietnã, Uganda e Uzbequistão, nações como parceiras.

A cúpula foi marcada por ataques do presidente americano Donald Trump e pelo anúncio de tarifas adicionais sobre produtos de países alinhados ao BRICS.

URUGUAI NA CÚPULA

A participação do Uruguai na cúpula do Rio foi descrita como positiva pelo chanceler Mario Lubetkin.

Na reunião dos BRICS, Orsi abordou os temas discutidos nas sessões plenárias. No dia da abertura, o líder uruguaio expôs suas posições sobre a agenda principal: “Fortalecimento do multilateralismo, assuntos econômicos e financeiros e inteligência artificial”.

Ele também fez isso no último dia do painel sobre “Meio Ambiente, COP-30 e Saúde Global”.

Lubetkin considerou “fabuloso” ter estado lá. “Estamos na quadra principal”, disse ele.

Mas voltando à questão de ser ou não, o diplomata uruguaio enfatizou que seu país continuará se recusando a solicitar formalmente a adesão ao BRICS.

RECUSA ANUNCIADA

Essa posição não surpreende e já havia sido delineada em dezembro passado, quando o então presidente eleito Yamandú Orsi recebeu a ex-presidente brasileira Dilma Rousseff, que visitou Montevidéu na qualidade de presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), parte do grupo BRICS.

Na ocasião, Rousseff fez um convite ao atual governo uruguaio para se associar à instituição financeira.

Rousseff disse que a inclusão do Uruguai no NDB seria estratégica, pois o país poderia se beneficiar de empréstimos em infraestrutura, logística, acesso a tecnologias e esforços para enfrentar as mudanças climáticas, entre outras áreas.

“O mundo de hoje é complexo e muda rapidamente. Não podemos perder nenhuma oportunidade de obter recursos, financiamento ou apoio. Não podemos perder este filme”, ​​respondeu Orsi.

Mas ele esclareceu que a questão do banco “não tem nada a ver com a sua entrada ou não no BRICS”. Ele enfatizou que “o Uruguai não está envolvido nisso, nem nunca estará”.

Segundo o presidente do banco, seu Conselho de Governadores já aprovou a incorporação do Uruguai, embora isso dependa da vontade política e da aprovação do parlamento do país sul-americano.

Isso não está na agenda legislativa, pelo menos por enquanto.

Para atores e observadores políticos, mesmo dentro da Frente Ampla, o atual governo conduz suas relações com Washington com muito cuidado, cujo último representante aqui foi o chefe do Comando Sul, Almirante Alvin Holsey.

Na sede presidencial, a Torre Executiva, Lubetkin e a ministra da Defesa, Sandra Lazo, disseram a Holsey que o governo uruguaio mudará a lei de demolição “por decreto” antes do final do ano.

Este é um regulamento adotado pelo governo anterior do presidente Luis Lacalle Pou para interceptar e neutralizar voos irregulares relacionados ao tráfico de drogas.

Essa lei, com a qual Washington não concorda, seria um impedimento à venda de armas dos EUA ao Uruguai, segundo Jorge Díaz, subsecretário da Presidência.

Pronto para criticar as autoridades atuais, o senador do Partido Nacional, Javier García, ex-ministro da Defesa, acusou o governo “de esquerda” de “se ajoelhar diante do império” e permitir que Washington “vetasse leis nacionais”.

Por outro lado, a Ministra Lazo argumentou que se trata de uma questão “legal”. “O Uruguai faz parte do Protocolo de Montreal, que estabelece padrões claros para a aviação civil; nós o cumprimos e assinamos esse acordo. Esta lei o contraria”, argumentou.

EM BUSCA DE MERCADOS

O líder uruguaio realizou mais uma cúpula no Rio de Janeiro sobre a abertura de novos mercados e investimentos, que foram discutidos com outros líderes em salas mais reservadas do que o plenário.

O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, o convidou para a próxima reunião do G20, que acontecerá no final de novembro no país africano.

Lubetkin descreveu o encontro com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi como “fabuloso”. Modi chegou com um documento de seis páginas detalhando as linhas de cooperação que ele desenvolverá com o Uruguai.

A Índia abrirá uma embaixada em Montevidéu e está interessada em cooperação e investimentos em tecnologia, indústrias farmacêutica e química, defesa e infraestrutura ferroviária. Orsi e Modi trocaram convites para visitas, com data ainda a ser definida.

Ele também foi convidado a visitar o Vietnã. O Primeiro-Ministro Pham Minh Chinh lhe transmitiu o desejo de Hanói de iniciar negociações para um acordo comercial com o Mercosul. O uruguaio informou que seu país aderirá à Convenção de Hanói sobre crimes cibernéticos.

Ainda no âmbito da cimeira, Orsi encontrou-se com o Presidente angolano, João Lourenço, que o convidou para Luanda, em novembro, para as celebrações do 50.º aniversário da independência.

Outros palestrantes incluíram o primeiro-ministro egípcio Mostafa Madbuli e o presidente do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, Jin Liqun.

“Não se pode discutir como estamos nos posicionando na Ásia e na África”, segundo Lubetkin. Tampouco se pode discutir se o Itamaraty e outras instituições uruguaias estão tomando medidas para abrir o comércio com o mundo. O cenário da cúpula dos BRICS contribuiu para isso.

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