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terça-feira, 16 abril, 2024

Um «comando» para dominar o sul

EM uma entrevista com a revista Foreign Policy, o chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, almirante Craig Faller, admitiu que os militares de seu país estão prontos para cumprir as ordens para intervir se Donald Trump assim o decidir.

Nos últimos dias, o enviado do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, Carlos Vecchio, pediu uma reunião com Faller para abordar «como restaurar a democracia na Venezuela». Em uma carta ao alto comando militar estadunidense, fica claro que a fórmula da invasão e a guerra contra seu próprio país é o que Guaidó e seus partidários mais próximos estão pedindo.

É curioso que a alardeada busca da «democracia» na nação bolivariana seja feita por meio de um mecanismo militar, com um histórico de participação em agressões e intervenções militares na região. E pensar que esses são os personagens que Donald Trump e sua equipe fundamentalista usaram em seu plano para propiciar um golpe de Estado na Venezuela! Mas recorramos a alguns fatos perpetrados por esse «comando» encarregado de dominar os países do sul. O Comando Sul dos EUA é um dos dez comandos de combate que o Pentágono tem. Suas intervenções e bombardeios, muitas vezes vão disfarçados como «ajuda humanitária» e com canhoneiras e aviões de guerra, é visto um navio ocasional com uma bandeira branca com uma cruz vermelha que o identifica como hospital.

Este Comando abrange 31 países e seus tentáculos alcançam nada menos que 24.900.000 quilômetros quadrados. Em sua concepção estratégica tem a função de fornecer planejamento de contingência, operações e segurança para as regiões da América Central e do Sul e a região do Caribe; bem como proteger os recursos militares dos EUA nesses lugares. E, muito importante e de triste lembrança, foi o responsável por garantir a defesa do Canal do Panamá e da área circundante. Este mecanismo armado foi estabelecido na área do Canal entre 1947 e 1997, quando mudou sua sede para a Flórida.

Sua função nas últimas décadas esteve orientada para a preparação de exércitos nacionais na região, que o Pentágono arma, treina e doutrina para atender aos interesses de Washington. Suas origens remetem-nos a 2 de novembro de 1903, quando os EUA desembarcaram seus fuzileiros navais em solo panamenho, um dia antes de a nação centro-americana declarar sua separação da Colômbia. Também estiveram envolvidos na invasão da República Dominicana em 1965 e em outros 41 eventos em países da região, de acordo com um estudo da Universidade de Harvard. Em relação à Venezuela, recentemente o senador Rick Scott, ex-governador da Flórida, disse que «resta uma opção para levar “ajuda” ao povo da Venezuela, e é algo que ninguém quer falar. Está ficando claro que teremos que considerar o uso de ativos militares estadunidenses». Lembremos também que o chefe do Comando Sul reuniu-se em Bogotá com os militares do Peru, Colômbia, Equador e Brasil, em 24 de abril, cuja questão central foi a Venezuela.

É necessário esperar se a razão contra o ódio vencer e a comunidade internacional não permitir aos EUA empreender outra ação militar de consequências incalculáveis contra a República Bolivariana da Venezuela.

Trump já deve saber que John Bolton, Mike Pompeo, Elliott Abrams, Mike Pence e Marco Rubio, estão levando-o a um beco sem saída apenas para tentar derrubar um presidente legítimo, eleito por mais de seis milhões de venezuelanos em umas eleições livres e transparentes com verificação nacional e internacional.

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