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Postado em 03/12/2019 3:41

Trump e as polêmicas tarifas: se abrem novas frentes

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Por Martha Andrés Román Washington, 3 dez (Prensa Latina) Enquanto os Estados Unidos continua hoje a guerra comercial com a China, a administração de Donald Trump abre novas frentes em uma controversa política alfandegária que provoca críticas de economistas e empresários.

 

As duas maiores economias do mundo anunciaram em outubro passado que atingiram a fase um de um acordo comercial, mas os termos ainda não foram esclarecidos e o mecanismo não foi assinado formalmente.

De fato, não há indícios de que o acordo tão esperado poderá ser confirmado antes que acabe o ano, e parece estar ainda mais em perigo depois dos Estados Unidos terem aprovado uma lei controversa sobre Hong Kong, considerada por Beijing uma intervenção nos assuntos internos.

A isso se soma o fato de, segundo o portal digital Axios, ainda restam vários obstáculos importantes para especificar o mecanismo, incluindo a definição da quantidade de tarifas que Trump retirará, que mecanismos farão com que o acordo seja cumprido, e como a China garantirá enormes compras de produtos agrícolas estadunidenses.

Entre perspectivas aparentemente menos alentadoras que há poucas semanas, e apesar das várias vozes que alertam sobre os efeitos negativos dos impostos sobre a economia estadunidense, Trump anunciou ontem a reimposição de tarifas ao aço e alumínio provenientes do Brasil e da Argentina.

O Brasil e a Argentina tiveram uma desvalorização massiva de suas moedas, o que não é bom para nossos agricultores. Portanto, com efeito imediato, vou restaurar os impostos ao aço e ao alumínio importado desde estes países, escreveu no Twitter antes de partir para o Reino Unido.

Seu executivo aplicou pela primeira vez encargos sobre esses metais em março de 2018, quando o mandatário republicano declarou que ‘práticas agressivas de comércio exterior’ equivaliam a um ‘assalto a nosso país’ e à indústria siderúrgica estadunidense.

O chefe da Casa Branca naquele momento eximiu temporariamente o México e o Canadá do plano de cobrar tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, e dois meses depois fez o mesmo com outros países, incluindo Brasil e Argentina.

As duas nações sul-americanas agora voltam a ser alvo desses impostos, uma medida que, de acordo com o jornal The Washington Post, pegou de surpresa os funcionários públicos de ambos países.

Ao analisar esta nova frente de tarifas, várias fontes indicaram que o Brasil e a Argentina se beneficiaram da guerra comercial dos Estados Unidos com a China, pois passaram a satisfazer uma demanda agrícola do gigante asiático que antes da guerra comercial era coberta pelos agricultores estadunidenses.

Por isso, Mónica de Bolle, membro do Instituto Peterson de Economia Internacional, considerou no Twitter que a ameaça do presidente de impor novamente os impostos a Brasília e Buenos Aires pode ser uma forma dos pressionar para que reduzam as vendas de produtos agrícolas à China.

Quando meios de comunicação e especialistas ainda não tinham analisado totalmente o alcance e impacto deste novo movimento, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs ontem à noite aplicar impostos de até 100 % a produtos franceses valorizados em 2,4 bilhões de dólares, entre eles vinhos e queijos.

A medida seria uma represália contra a chamada lei GAFA (acrônimo de Google, Amazon, Facebook e Apple) aprovada pelo Parlamento desse país em julho, que consiste em cobrar uma taxa de três porcento sobre a renda dos gigantes da Internet.

Essa medida poderia colcoar em perigo um esforço liderado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico com o objetivo de unir 135 países em torno de um sistema compartilhado de impostos para empresas de tecnologia e outras corporações multinacionais.

Dentro deste panorama cada vez mais complexo, Trump mantém seu argumento de que os impostos funcionam e são positivos para os Estados Unidos, apesar de economistas e cálculos sobre o tema apontarem o contrário.

Um estudo divulgado mês passado arrojou que, desde inícios de 2018 até setembro deste ano, os consumidores e as empresas estadunidenses desembolsaram um total de 38 bilhões de dólares adicionais em taxas.

Só no último mês incluído na análise, companhias e consumidores norte-americanos desembolsaram uma cifra recorde de 7,1 bilhões de dólares por esse conceito, dos quais 4,1 bilhões corresponderam às tarifas aplicadas à China.

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