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sábado, 25 abril 2026

Trump acelera relação Brasil-China

(Foto: Ricardo Stuckert)

César Fonseca

Sob pressão do presidente Donal Trump, que baixa imposto de importação de 50% sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, a partir da próxima sexta-feira, o presidente Lula, sabendo que as consequências recairão sobre os mais pobres, com desemprego, fome e miséria, radicaliza a pregação: o pobre tem que estar no orçamento e o rico no imposto de renda.

Trump deixa todo mundo mais pobre e leva o presidente Lula à salvaguarda chinesa, exposta hoje pelo presidente Xi Jinping, de que a China está pronta para ajudar o Brasil e a América Latina, ameaçados pelo tarifaço.

Quem vai consumir o excedente não exportável para os Estados Unidos, se o pobre não está no orçamento, se o governo, por conta do arcabouço neoliberal, imposto pelo mercado financeiro, não pode gastar mais no social, porque tem que colocar mais no bolso dos rentistas?

O tarifaço trumpista aprofunda a crise social que o modelo neoliberal impõe, com metas inflacionárias, câmbio flutuante e superávit primário, limitando o potencial do crescimento econômico brasileiro.

Trump coloca em circulação, com mais intensidade, a tese lulista de que gasto social não é despesa, mas investimento.

É preciso gastar mais no social, para aumentar investimentos, de modo a gerar emprego, salário, consumo, produção, arrecadação e, claro, mais investimento.

É assim que a roda do capitalismo funciona, para acelerar o processo contínuo de acumulação de capital.

Desse modo, às vésperas do tarifaço, que deixa em estado de excitação e desespero o mundo econômico, financeiro e social, o governo terá que se virar para dar conta das demandas sociais que aumentarão.

A confusão, como diria Machado de Assis, é geral.

NOVA GEOPOLÍTICA GLOBAL

A China, portanto, virou a esperança no horizonte: aproveita a oportunidade aberta pelo imperialista Trump para intensificar aproximação com o Brasil, de modo a ajudar a consumir o excedente que deixará de ser consumido pelos americanos.

Vai se configurando nova estratégia geopolítica de desenvolvimento brasileiro, não mais voltado para atender a demanda americana pelas exportações brasileiras, brecadas por Trump, mas para ampliar relações diplomáticas e comerciais com a China, a economia mais forte do planeta, na atualidade.

A pressa para que tal ocorra está sendo imprimida pelo próprio Trump, porque o Brasil não vai se deixar morrer por conta do imperador americano.

Vai, certamente, desde já, acelerar relações com Pequim, alterando a geopolítica.

Se é o líder político do ocidente, o presidente dos Estados Unidos, acelera o corte de relações econômicas com o Brasil, na tentativa de puni-lo, por um misto de interesses políticos e econômicos imperialistas, evidentemente, empurra o governo brasileiro para o lado oriental.

É lá que, agora, está a saída, onde está a maior potencial mundial, conforme poder de paridade de compra, a afetar a hegemonia do dólar.

O rumo nesse sentido ganha velocidade, porque a pressão do desemprego, da queda dos salários e da fome, proveniente da radicalidade americana contra o povo brasileiro, legitimamente, governado por Lula, não deixa outra alternativa.

LULA E PUTIN NO MESMO BARCO

Diante do perigo iminente do acúmulo do excedente não exportável para os Estados Unidos, a classe produtiva brasileira forçará o presidente a tomar providências, criando o ambiente para iniciativas que não estavam no programa governamental, no curtíssimo prazo: aproximar mais da China e da Ásia.

Deve acontecer com o Brasil, por conta do tarifaço trumpista, o mesmo que aconteceu com a Rússia.

O governo russo, na guerra contra Ucrânia, financiada pela OTAN, foi obrigado a acelerar relações com a China, quando os Estados Unidos intensificaram sanções comerciais contra Moscou, além de confiscarem suas reservas financeiras, depositadas em bancos no ocidente.

Foi a partir daí que o presidente Putin, para escapar das garras imperialistas, estreitou relações com Xi Jiping, líder chinês, e redirecionou as exportações russas para a China e países asiáticos.

Deu a volta por cima, embora as tensões geopolíticas Estados Unidos versus Rússia continuem intensas, com Trump, nesta semana, redobrando a aposta em sanções.

Ao mesmo tempo, politicamente, o líder russo radicaliza discurso contra hegemonia do dólar, ao defender ampliação, por meio dos BRICS, das relações de trocas por meio de moedas locais, esvaziando a influência da moeda americana, elevando as tensões globais.

GRITO DE GUERRA

O tarifaço trumpista é grito de guerra americano contra o Brasil, que tem nos Estados Unidos o mercado para exportações dos seus produtos manufaturados.

Ao mesmo tempo, Trump, quanto mais se aproxima do tarifaço, força chantagem ao mandar recado que está interessado nos minerais estratégicos do subsolo brasileiro, sem os quais o capitalismo de vanguarda tecnológica não sobrevive.

Dá o grito da força, mas revela, ao mesmo tempo, sua debilidade: não possui as matérias primas de que necessita para desenvolver o colosso capitalista em crise.

O excedente não exportável imposto por Trump, portanto, funciona como bloqueio comercial, cujas consequências são imediata expansão do desemprego, crise social inevitável, tensão política e instabilidade geral, contra os quais Lula evitará, aproximando da China.

https://www.brasil247.com/…/e-preciso-colocar-os-pobres…

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