Por Edilberto F. Mendez * Santo Domingo (Prensa Latina) O Partido Revolucionário Moderno (PRM) e o Partido da Libertação Dominicana (PLD) quebraram a trégua mantida após as eleições de 5 de julho, e agora as disputas entre os dois estão crescendo.
No entanto, declarações recentes do presidente, nas quais ele atacou a tenda de moradias ao salientar que durante 16 anos no governo eles se tornaram uma corporação partidária dedicada a transformar patrimônio público em privado, ‘entre pátria e patrimônio, eles escolheram o patrimônio’, quebrou as hostilidades.
Como era de se esperar, os combatentes tiraram sua artilharia para responder às críticas do chefe de Estado. Até se pensou que o fariam durante a inauguração de seu 9ú Congresso, mas eles preferiram fazê-lo com uma equipe técnica.
A equipe foi apresentada em uma coletiva de imprensa na capital com muitas informações, especialmente econômicas, para destacar os resultados do governo do LDP nos últimos anos.
Os ex-funcionários do governo responderam às graves acusações do presidente e disseram que esta organização garantia bem-estar e estabilidade ao país, ‘ao contrário do que aconteceu em 2003 e 1985’, um período no qual o Partido Revolucionário Dominicano governou, do qual surgiu o PRM.
Juan Ariel Jiménez, que serviu como porta-voz da equipe técnica e ex-ministro da Economia, disse que a trajetória da dívida realizada pelo governo da Abinader excederá os oito anos de Danilo Medina em cerca de dois ou três anos.
Ele também explicou que de 2012 a 2019, quando Medina foi presidente do país, teve um crescimento médio de 6%, o maior da América Latina e o maior da República Dominicana nos últimos 40 anos.
Além disso, a pobreza caiu 19% e a pobreza extrema, que antes afetava quase 10 de cada 100 pessoas, caiu para três de cada 100.
Por outro lado, ele se referiu a uma das frases do presidente, que assegurou que o governo anterior não lhes deixou dinheiro nem mesmo para pagar a folha de pagamento, e disse que lhes foi confiada uma linha de crédito de 19 bilhões de pesos (US$ 328 milhões) aprovada no Banco de Reservas.
Esse dinheiro estava pronto para ser usado até que houvesse desembolsos de agências internacionais, acrescentou ele.
Quanto às reservas internacionais, Jiménez disse que a equipe do presidente esqueceu de incluir no discurso que em fevereiro as reservas líquidas ultrapassaram nove mil 863 milhões de dólares, uma acumulação registrada nos anos do LDP, o que permitiu administrar a crise sem descontrolar a taxa de câmbio e sem afetar a liquidez.
Finalmente, ele declarou que ‘a equipe econômica passada deixou cerca de 1,1 bilhões de dólares disponíveis para serem utilizados pela nova administração, dos quais 750 milhões foram aprovados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, dos quais 500 milhões já foram aprovados pelo Congresso Nacional’.
Todos os argumentos acima, mais outro grupo de argumentos, fizeram parte das isenções de responsabilidade fornecidas pelo Executivo anterior para demonstrar que o que Abinader disse não tem base.
OUTROS CAMPOS DE BATALHA
Mas este não é o único campo de batalha no qual o LDP e o PRM estão se enfrentando. Desde que este último assumiu as rédeas da nação, denúncias estão chegando, e muitas agências declararam que o governo anterior lhes entregou um desastre, e alguns dizem que receberam a bancarrota.
Incluindo questões tão sensíveis como a Câmara de Contas, também acusada pelo Presidente.
Neste último caso, o presidente disse que esta instituição não realizou auditorias nos últimos anos porque era uma agência a serviço da LDP, o que levou seu diretor, Hugo Alvarez, a solicitar sua demissão.
Há muitos outros casos, a Usina Termelétrica Punta Catalina, a contratação de asfalto pelo Ministério de Obras Públicas, irregularidades na Procuradoria Geral da República e vários pronunciamentos de casos de corrupção.
Entretanto, o que o povo dominicano espera é uma investigação completa e a verdade em cada caso, só então a promessa de eliminar a impunidade será cumprida.
A acusação não deve ser a coisa predominante, mas com elementos, para armar os arquivos de modo que cada um pague por seus delírios e pare de cruzar espadas como um mosqueteiro de defesa.
Até agora, o famoso caso do asfalto avançou, mas deixou dúvidas quando o Ministério de Obras Públicas anunciou o cancelamento de todos os contratos assinados pela administração anterior, porque alegadamente violavam as disposições estabelecidas na lei de compras públicas.
Mas nenhum dos responsáveis, nem se o processo continuar – esse não deveria ser o tom, disseram os especialistas.
As batalhas certamente continuarão, novos casos surgirão, haverá réplicas e contra-replicas, mas o importante é chegar à verdade e que os responsáveis sejam conhecidos e sancionados.
Caso contrário, será mais do mesmo.


