© Ricardo Stuckert/PR
Sputnik – A recente visita oficial da presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, a Brasília reforça a tentativa do Brasil de dar mais peso estratégico à relação com o país vizinho. Na ocasião, o presidente Lula destacou o potencial de cooperação em energia, mencionando inclusive a possibilidade de atuação da Petrobras no setor petrolífero surinamês.
“Os estados do Amapá, Pará, Amazonas e Roraima, de certa forma, têm dificuldade de intercâmbio com o restante do Brasil por serem distantes, com estradas complicadas, e a malha aérea nem sempre é um modal barato. Então, quando se pode inserir esses estados nessas relações primordiais na fronteira com o Suriname, isso pode vitaminar as próprias economias locais das cidades”, disse.
“Em Paramaribo há um bairro chamado ‘Belénzinho’ com cerca de 30 mil brasileiros, e só se fala português. Nesse sentido, é importante o intercâmbio cultural e explorar o turismo. É impressionante como o surinamês gasta dinheiro em Trinidad e Tobago e nas Bahamas. Logo, pode-se ter um fluxo maior para o Brasil e fazer com que divisas venham para cá e mais intercâmbio comercial seja viabilizado”, comenta.
Suriname pode ser uma plataforma para a Petrobras
“A Petrobras está próxima do Suriname e oferece uma ótima tecnologia na região [no contexto da América Latina], onde temos a Pemex, mas que está lá no México, e a PDVSA da Venezuela, que passa por uma situação política complicada. Dessa forma, o Brasil é a principal opção [para parceria]“, destaca.
“Se se estabelecer ali [no Suriname] um monopólio de exploração da Petrobras pelo menos em alguns campos, com o pagamento de royalties ao governo surinamês ou a importação de petróleo para o Brasil, torna-se possível reduzir o preço [do combustível]. Vejo isso como um caminho promissor”, observa.
Proximidade com Brasília é boa para Paramaribo
“A relação entre Brasília e Paramaribo é uma ponte para o futuro, ou seja, para cooperações em infraestrutura e acordos econômicos que podem proporcionar melhor barganha na exploração de novas commodities. Além disso, o Suriname tem interesse porque disputa território com uma grande potência [a França] e, tendo o Brasil como um interlocutor ao seu lado, pode se fortalecer nesse sentido”, conclui.





